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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O Antigo Boulevard Visconde de Cauhype


O antigo Boulevard Visconde de Cauhype, localizado na Rua do Benfica, ou Sítio Benfica integrava o antigo Caminho do Arronches. Iniciava-se na Praça de Pelotas e se estendia em direção às Damas, daí continuando como estrada para o antigo arraial de índios, em Arronches, núcleo da futura vila de Parangaba. O nome Visconde de Cauhype homenageava Severiano Ribeiro da Cunha, nascido em Cauípe, próximo à Caucaia, em 1831.
A viscondessa de Cauhype, Eufrásia Gouveia da Cunha era filha do Comendador Manuel Caetano de Gouveia e se sua esposa Francisca Agrela de Gouveia. Os viscondes de Cauhype foram sogros do Barão de Studart.

Solar das Liras, construído no início do século XX. Uma das alterações feitas na reforma feita nos anos 70 foi a colocação do portão de ferro na entrada, feito de ferro dobrado e montado com parafusos, adquirido na antiga sede do Jockey Club do Rio de Janeiro. Uma interferência inglesa na arquitetura colonial portuguesa do prédio.

O Solar das Liras era o primeiro imóvel da avenida, e foi conservado pela iniciativa privada, que investiu na recuperação visando a preservação da memória nacional. A loja Maçônica n° 3 restaurou o prédio, que foi residência  dos médicos Meton de Alencar Filho, e depois Rufino de Alencar, ambos identificados com a história da medicina no Ceará. A Maçonaria adquiriu o imóvel em 1975, dos herdeiros de Rufino de Alencar. Como seu construtor e primeiro morador – Meton de Alencar – era maçom, a entidade encontrou alguns símbolos da organização entre os adornos do prédio, como as almofadas em forma de rosas que enfeitam a fachada externa do prédio. A restauração ocorrida em 1978, pelo projetista paulista Júlio Carrero, obedeceu à forma arquitetônica original. 

cruzamento Av. da Universidade x Av 13 de Maio
Vizinha ao Solar das Liras ficava a residência de Rodolfo Teófilo (hoje no local, existe um pequeno prédio de apartamentos). Rodolfo Teófilo destacou-se como romancista, poeta, farmacêutico diplomado pela Faculdade de Medicina da Bahia e professor do Liceu do Ceará.


Ainda na Visconde de Cauhype n° 1895, residia Manços Valente Cavalcante, hoje no local existe a Casa Santa Rosa de Viterbo.
Na chamada “casa das listas vermelhas” residia o Dr. Adolfo de Moraes Campello. O imóvel tinha a fachada porcelanizada com uma argamassa obtida da mistura com clara de ovos. Depois ali funcionou o Ginásio Fortaleza, e atualmente o imóvel é de propriedade do INSS.

 Cruzamento da Av. da Universidade com a Av. 13 de maio com a fonte das sereias, mais tarde desmontada e levada para a Praça Murilo Borges, no centro 

Mais adiante se situava a residência de Antônio da Frota Gentil, onde mais tarde funcionaria o Centro dos Estudantes Universitários (CEU). Em sua vizinhança residia João Tomé de Saboia e Silva, casado com Angelita Braga Cavalcanti, cujo nome batizou a residência de “Vila Angelita”, quase na esquina das Avenidas da Universidade e 13 de Maio. 

Vila Angelita, residência de João Tomé de Saboia e Silva, governador do Ceará no período 1916 a 1920. Esse imóvel foi demolido
 
Vizinho à Vila Angelita, de João Tomé de Saboia, tomando a esquina noroeste da atual Avenida da Universidade com a Avenida 13 de Maio localizava-se a residência de Antônio Eugênio Gadelha. Seus quintais se estendiam até a Avenida Carapinima, por onde passavam antigamente os trilhos da Rede Viação Cearense
Em 1907, na esquina das Avenidas Visconde de Cauhype com Treze de Maio, foi construída a residência de Francisco de Queiroz Pessoa, rico fazendeiro de Quixadá, projeto do arquiteto José Gonçalves da Justa.  Desde 1963 esse imóvel abriga a casa de Cultura Alemã, da Universidade Federal do Ceará.

 Residência de Francisco Queiroz Pessoa, atualmente abriga a Casa de Cultura Alemã

Na década de 60, o logradouro passou a ser chamado de Avenida da Universidade, em razão da instalação a partir da segunda década dos anos 50, no bairro do Benfica, de diversos núcleos de ensino e pesquisa da Universidade Federal do Ceará.   

extraído do livro Ideal Clube, história de uma sociedade 
de Vanius Meton Gadelha Vieira
fotos do Arquivo Nirez

    

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Avenida da Universidade (Boulevard Visconde de Cauípe)


Início da Avenida década 40/50, esquina com a Rua Antônio Pompeu - Na casa em primeiro plano, à direita da foto, funciona hoje uma loja maçônica. O imóvel sofreu algumas modificações

A Avenida da Universidade – antigo Boulevard Visconde de Cauípe, em homenagem a Severiano Ribeiro da Cunha, comendador e visconde nascido em Caucaia em 1831 – já foi chamada de Rua Benfica. No Guia Turístico da Cidade de 1961, o logradouro ainda aparece como Visconde de Cauípe, tendo a mudança de nome para Avenida da Universidade, ocorrido durante a década de 60. 


Cruzamento com a Avenida 13 de Maio. O muro à direita pertence à atual casa de Cultura Alemã, anos 60
 
Na referida publicação, a Avenida Visconde de Cauípe nasce na Rua Antônio Pompeu e termina na Rua José Albano.  A partir da Rua Antônio Pompeu, a via muda de nome, passa a ser a Rua General Sampaio, embora a numeração prossiga normalmente. 

Na década de 60, o trecho que se estendia do cruzamento com a Avenida 13 de Maio até a Faculdade de Direito era chamado de República do Benfica, e concentrava grande parte das atividades e cursos do Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará.  Era o centro das atividades políticas, ganhando destaque ainda maior no ano de 1968, considerado o auge do movimento estudantil no Brasil. O Clube dos Estudantes Universitários (CEU) fez história também no Ceará. Não apenas por suas concentrações políticas, mas também por suas festas. 



Cruzamento com a Avenida 13 de Maio, com o girador e a fonte das sereias. Esses equipamentos foram desativados em 1974
 
A Avenida da Universidade foi palco de passeatas históricas, sobretudo, durante o ano de 1968. As concentrações aconteciam na Praça José de Alencar, onde as lideranças falavam, seguindo para a Praça do Ferreira. Antes, uma parada também na Praça da Bandeira. No Centro, as pessoas jogavam papel picado, apoiando os estudantes que, nem sempre, eram compreendidos pela repressão política.

Os estudantes de Fortaleza foram dos primeiros do País a promoverem passeatas em protesto contra as prisões do Congresso Nacional dos Estudantes (UNE) realizado em Ibiúna, em São Paulo. 

Alguns imóveis da Avenida da Universidade


O palacete da família Gentil era um dos mais importantes referenciais de moradia em Fortaleza, construído em 1918, projeto de Luiz Gonzaga Flávio da Silva. Adquirido pela UFC, passou a abrigar a Reitoria, depois de passar por processo de ampliação quando teve seu espaço construído dobrado de volume.


O casarão de piso elevado e porão, n° 1940 da Avenida da universidade era uma das mais suntuosas residências de Fortaleza. Ali residia o advogado Adolpho de Moraes Campello e sua mulher Dona Francisca Nepomuceno de Castelo Branco Campello. Era conhecida como a "casa das listas vermelhas" e a fachada era porcelanizada com uma argamassa obtida da mistura com clara de ovos. Depois que os proprietários se mudaram, funcionou no local o Ginásio Fortaleza. Atualmente pertence ao Instituto de Previdência do Município.

foto do Blog do Zebrinha

Inaugurado em 1991, o Teatro Chico Anysio completou 20 anos de puro humor em dezembro de 2011. Localizado na Avenida da Universidade, no Corredor Cultural do Benfica, em Fortaleza, Ceará, o TCA foi palco de grandes festivais de humor. Hoje, reformado, climatizado e com capacidade para 140 pessoas continua tendo o humor como sua principal atração.


Funcionando desde 1971, a Casa Amarela Eusélio Oliveira é o núcleo de cinema e animação e fotografia da Universidade Federal do Ceará. O nome é em homenagem ao cineasta Eusélio Oliveira, professor e fundador da Casa Amarela, covardemente assassinado aos 58 anos de idade. O crime foi em 1991.


Logo no início da Avenida da Universidade, no número 1896, localiza-se o antigo solar da família Manços Valente, cujo titular era figura das mais conhecidas na cidade. Negociado pelos herdeiros, o solar passou a abrigar a Casa Santa Rosa de Viterbo. A fachada do casarão foi preservada, mas a capela foi descaracterizada. 



   fotos do Arquivo Nirez, O Povo e acervo do Blog
pesquisa:
Mansões Palacetes, Solares e Bangalôs de Fortaleza, de Marciano Lopes
Jornal Diário do Nordeste



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Velho Bairro do Benfica

Historicamente, a origem do Benfica está relacionada com a expansão da cidade a partir do Centro. 
Mas só se constitui mesmo como bairro a partir da década de 1930, com o deslocamento da elite do Centro para a Jacarecanga, e para as chácaras que ali existiam.

Provavelmente pela existência de uma lagoa, até 1920 o local ainda era denominado de São João do Tauape. Só na década seguinte passa a ser usado o nome Benfica.  A Lagoa do Tauape ocupava uma área de cerca de dez hectares, com pouca profundidade, mas constituía  uma boa reserva de água doce, e dos um dos marcos delimitadores do bairro Benfica.


Lagoa do Tauape em foto aérea onde podem ser vistos o Campo do Prado e a raia de corrida de cavalos que existia no bairro. Aterrada a lagoa, hoje tem uma praça no local.

O pequeno lago ocupava uma área compreendida entre o que são hoje, as avenidas dos Expedicionários e João Pessoa.  A partir, da década de 1940, o espelho d’água foi sendo gradativamente aterrado e drenado até desaparecer completamente, restando o riacho canalizado que a alimentava.

Em 17 de novembro de 1976 foi publicada uma lei municipal batizando de Praça Jaime Pinheiro o local onde outrora estava localizada a lagoa do Tauape. Fica entre a Rua Marechal Deodoro, Rua Jorge Dummar e a Avenida Eduardo Girão. 

  
Família do banqueiro José Gentil
Família Gentil em 1953, na casa onde hoje está a reitoria da UFC

O Benfica foi o mais aristocrático bairro de Fortaleza no período compreendido entre o final do Século XIX até final dos anos 1940, inicio de 1950.  Começou a ser formado quando famílias de alto poder aquisitivo começaram a abandonar o centro e se instalaram na área.

Logo surgiram os sobrados, bangalôs, casas recuadas com jardins, pomares, quintais, (algumas com piscinas) que serviam de residência a moradores ilustres. No entorno das residências, havia um imponente arvoredo, em que se destacavam mangueiras e cajueiros, imensos e centenários. 

A área verde era tão grande que a Avenida 13 de Maio (antiga Flor do Prado), era originalmente uma via estreita. No sentido para a Avenida Pontes Vieira, a pista direita não existia como corredor de transporte era parte do jardim das chácaras.

A parte do bairro denominada Gentilândia surgiu nos últimos anos do século XIX, quando José Gentil  adquiriu de João Antônio Garcia a área onde é atualmente a Reitoria da UFC. 
A Chácara Garcia passava a ser Chácara Gentil e, remodelada em 1918, perdeu as feições rurais para virar palacete.

O rico morador  dono do Banco Frota e Gentil, no Centro de Fortaleza, construiu uma cidade dentro do bairro em formação.  A maior parte da Chácara Gentil foi desmembrada durante a vida de seu proprietário,  para compor os quarteirões, as ruas e as praças do pequeno bairro da Gentilândia, implantado na década de 1930.
Da área construída parte foi reservada para residência da família Gentil e o restante foi alugado para famílias de classe média. 


O Colégio Santa Cecilia funcionou na Avenida Visconde de Cauípe de 1928 a 1955, quando o imóvel foi vendido para a Ordem das Damas da Instrução. Em 1959 foi desapropriado e vendido a UFC. No lugar funciona atualmente o Museu de Arte da UFC
Residência de João Gentil, onde funcionou depois o Ginásio Americano. Adquirido pela UFC em 1958, foi demolido e no lugar construíram o prédio onde hoje funciona o Curso de Ciências Sociais. 
 primeira residência de João Gentil, na Avenida Visconde de Cauípe, atual Avenida da Universidade

Em 1956, quando as famílias mais ricas já estavam se mudando para a zona leste da cidade, e os imóveis estavam sendo colocados à venda, o palacete da família Gentil foi adquirido pela Universidade Federal do Ceará, que havia sido criada em dezembro de 1954, e estava se instalando em Fortaleza. Depois da aquisição do casarão dos Gentis, a Universidade comprou vários outros imóveis ao longo da principal avenida. 
No entanto, a característica do Benfica como espaço da educação é anterior à instalação da Universidade. Muitos prédios hoje pertencentes à UFC abrigaram escolas que ainda fazem nome na cidade. 
O Colégio Santa Cecília, hoje na Aldeota, ocupava, até 1955, o espaço onde ficam o Departamento de Arquitetura e Urbanismo e o Museu de Arte da UFC. 
Diante da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios havia o Colégio Nossa Senhora das Graças, depois Ginásio Americano, que funcionaram no palacete pertencente a João Gentil, filho de José Gentil, na área onde estão as Ciências Sociais e Filosofia.


 Criador da UFC o Professor Martins Filho comanda as obras de construção da Concha Acústica em 1959

Noutro prédio adquirido pela UFC num contrato de permuta com o Governo do Estado funcionava o tradicional Grupo Escolar do Benfica, depois Grupo Escolar Rodolfo Teófilo. Era onde hoje está a Faculdade de Economia.

Dali, o grupo escolar foi para o espaço do Clube dos Estudantes Universitários (CEU) da UFC, hoje Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Professor Neudson Braga, que fica em frente ao Shopping Benfica.


O Girador do cruzamento das Avenidas da Universidade e Treze de Maio foi substituto por semáforos em 1974. A fonte das sereias que enfeitava o local foi desmontada e guardada no depósito da então SUMOV (Superintendência Municipal de Obras e Viação). 
Em 1982 foi restaurada e colocada na Praça Murilo Borges (Praça do BNB), no centro de Fortaleza.


A chegada da Universidade ao Benfica em 1956, repercutiu sobre o espaço físico natural e construído do bairro. Muitos imóveis de belíssimas arquiteturas que poderiam ter sido preservados, não o foram, e muitas árvores foram abatidas, inclusive para  construção da Concha Acústica, inaugurada em 1959.

Durante muito tempo, o lazer no Benfica tinha como endereço clubes sociais e esportivos tradicionais, como o Maguary, que ficava na Rua Barão do Rio Branco, o Clube Gentil, localizado no primeiro quarteirão depois da Praça da Gentilândia, e o General Sampaio, nas proximidades do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. 

Além do Clube dos Estudantes Universitários (CEU), que realizava também suas tertúlias, o bairro já teve ainda, por cerca de duas décadas, o Cine Benfica, em frente ao Dispensário dos Pobres do Sagrado Coração, na hoje Avenida da Universidade.


Pesquisa:
Fotos: Arquivo NIREZ
Revista Universidade Pública ano 8 n° 45 – Set/Out 2008.
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (NIREZ)