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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Pinto Martins, o herói esquecido


Euclides Pinto Martins nasceu em Camocim, em 1 de abril de 1892, filho de Antônio Pinto Martins e Maria de Araújo do Carmo Martins. Foi criado no vizinho Estado do Rio Grande do Norte porque seu pai, natural de Mossoró, foi convidado a representar a Companhia de Salinas Mossoró Assú, em Macau. Pinto Martins começou a trabalhar em Natal, como embarcadiço e com apenas 17 anos, era piloto de navio. No início de 1909, ainda adolescente, com a anuência do pai, foi para os Estados Unidos fazer um curso de Engenharia Mecânica. Concluído o curso, fez estágio na “Baldwin Locomotive”, uma fábrica de vagões.

Voltando ao Brasil em 1911, trabalhou na Inspetoria Federal de Obras contra as Secas, no cargo de engenheiro e na Estrada de Ferro em Natal. Retornou aos Estados Unidos por volta de 1918, depois da morte da esposa, a americana Gertrudes Mc Mullan, com quem teve uma filha chamada Ceres. Casou-se pela segunda vez com a também americana Adelaide Sulivan, com quem teve sua segunda filha, Adelaide Lillian, em 1920.  

Durante a década de 1920, Pinto Martins se interessou pela aviação, que se encontrava em pleno desenvolvimento. Em 1921, entrou em um curso de pilotagem e conseguiu o brevê.  Com sua entrada no meio aeronáutico, conheceu um veterano na área: Walter Hilton, instrutor de voo na Flórida. No ano seguinte, o jovem aviador cearense e Hilton lutaram para realizar um sonho, o de atravessar a América em um hidroavião, ação bastante temerária para a época. A primeira tentativa, levada a cabo em agosto de 1922 fracassou, e o hidroavião Sampaio Correa I caiu no mar próximo a Cuba.



Mas a dupla não desistiu, e ganhou patrocínio do jornal The New York World para uma nova tentativa.  A viagem começou em Nova Iorque, em novembro de 1922, e terminou no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1923. Foram 175 dias de travessia, 5.678 km de percurso, e cerca de cem horas de voo, interrompidas muitas vezes pelos mais variados problemas, a bordo do hidroavião Sampaio Correa II. A rota New York/Rio de Janeiro não tinha sido realizada até então.

Desde o final da década de 1910 e por toda década de 1920, a história registra alguns feitos realizados por ousados viajantes, pioneiros nas viagens áreas transatlânticas. Já em 1919, os pilotos britânicos John William Alcock e Arthur Whitten Brown, realizaram o primeiro vôo transatlântico sem escalas. Eles partiram de St. John's, Terra Nova e Labrador, Canadá, para Clifden, Irlanda. O voo percorreu 3.138 km, e durou cerca de 12 horas. Foram premiados com 50 mil dólares. O feito dos britânicos foi superado logo após, em 1927, pelo piloto americano Charles Lindbergh, que realizou o primeiro voo solitário transatlântico, sem escalas em avião.

Lindbergh partiu do Condado de Nassau, Estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, em direção a Paris, França, em 20 de maio de 1927, tendo pousado na capital francesa no dia seguinte. O voo de Lindbergh durou 33 horas e 31 minutos. Pelo feito, o piloto recebeu o "Prêmio Orteig", de 25 mil dólares, em oferta desde 1919.



Pinto Martins também teve seu feito reconhecido: foi recepcionado pelo Presidente Artur Bernardes e recebeu um prêmio de 200 contos de réis. Pinto Martins faleceu no Rio de Janeiro em 12 de abril de 1924, num episódio que nunca foi devidamente esclarecido. É sabido que ele foi encontrado morto, ao que se diz por suicídio, em seu apartamento. Tinha 32 anos de idade.      

O herói apagado



Uma lei definiu o nome do aeroporto de Fortaleza:  A Lei nº 1602, de 13 de maio de 1952, denomina “Aeroporto Pinto Martins” o Aeroporto do Cocorote, em Fortaleza. Assinada por João Café Filho, que à época acumulava as funções de vice presidente da República e a Presidência do Senado Federal. Mas o aeroporto de Fortaleza já não ostenta o nome de Pinto Martins em sua fachada. Normal. Como cobrar de estrangeiros a preservação da memória de nossas personalidades, se nós mesmo não temos essa preocupação?       

fotos da Internet


quinta-feira, 20 de março de 2014

Hidroporto Condor - O Pioneiro

Hoje enquanto se discute a modernização e ampliação do nosso Aeroporto Pinto Martins, inserido na modernidade requerida para equipamentos do gênero, recebendo passageiros oriundos de todo o planeta, dada a sua condição de internacional, poucos lembram que Fortaleza entrou na era do  voo pelas asas de aviões que aterrissavam nas águas transparentes do Rio Ceará, gerenciados pelo Hidroporto Condor.

Cenário do Hidroporto Condor, em 1930 

O hangar do velho hidroporto, onde estavam as rampas de embarque e desembarque de passageiros estava localizado às margens do Rio Ceará,  que corresponde atualmente ao número 1374, da Avenida Radialista José Limaverde, na Barra do Ceará. Duas companhias aéreas operavam na região: a Condor e a Panair. Os aviões desciam no rio e atracavam no hidroporto, que  funcionou até 1943, quando foi desativado


Alguns anos depois, a área foi declarada terreno de marinha, como patrimônio ambiental de uso público, através de decreto assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.  Os alicerces das rampas de embarque estiveram de pé, até por volta de 2009, quando a área foi ocupada com entulhos.
De acordo com o pesquisador Ivonildo Lavor, oficiosamente, o aeródromo da Barra do Ceará, que ficou mais conhecido como Hidroporto Condor, iniciou suas atividades no ano de 1929. No entanto, alguns historiadores argumentam que muitas aeronaves já utilizaram o local para pousos e decolagens antes dessa data.
Depoimentos de remanescentes do povoado de Vila Velha – local antigamente habitado por pequenos agricultores em propriedades próximas ao rio Ceará – sustentam a mesma tese da passagem de monomotores pelas proximidades do rio, inclusive com pousos e decolagens na água. 


 hidroavião na Barra do Ceará em 1930

Mas, do ponto de vista histórico, o Hidroporto da Barra do Ceará começou a operar oficialmente no dia 22 de outubro de 1929 com o pouso de uma aeronave da Nyrba do Brasil S/A,  na época, uma subsidiária da empresa aérea norte-americana New-York-Rio and Buenos Aires Line Inc.  A aeronave da Nyrba, denominada de "Porto Alegre", iniciou por Fortaleza a primeira rota da empresa e fez o primeiro voo no Brasil conduzindo a mala postal dos Correios.


 foto de Raquel Vianna (dez/2013) 
Em 2010, uma equipe técnica da 4ª Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN-CE), fez um levantamento da área, com base em documentos, plantas, fotografias e mapas da época, com vistas à edificação de um memorial, apesar do pouco que havia restado. A julgar pelo silêncio da administração e o abandono da área, conclui-se que o projeto não vingou.

fotos do arquivo Nirez
http://www.ivonildolavor.com/livros_publicados/capitulo7.html

domingo, 29 de setembro de 2013

Rua 15 de Novembro

A 15 de Novembro é o nome de uma rua no Montese que, a exemplo da velha Estrada do Gado, é uma parte integrante da história do bairro. Quando o bairro ainda era chamado de Pirocaia, a rua era apenas uma estrada margeada de cerca de arame farpado, desde a Avenida João Pessoa ate um sítio de propriedade da família Monteiro.



Com a construção do campo de pouso do Cocorote em 1942, ampliado no ano seguinte, aquela propriedade foi cedida, inclusive aos americanos aquartelados em Fortaleza.  Uma capelinha dedicada a Nossa Senhora Aparecida, existente ali, foi demolida.  Naquela época, a antiga estrada foi pavimentada em pedra tosca revestida de cimento, passando a servir de único acesso ao aeroporto, durante e após a guerra até a construção da Avenida Luciano Carneiro no começo da década de 60. Com um quilometro de extensão, começando na Avenida João Pessoa, ali onde se localiza o Bar Avião, terminava no portão que dava acesso também à Base Aérea de Fortaleza. Atualmente ela termina na Avenida Carlos Jereissati.



Além do seu passado histórico, a Rua 15 de Novembro teve também o seu lado pitoresco. Por ela passaram importantes personalidades, não só nacionais, mas também muitos estrangeiros que visitavam o Ceará e desembarcavam no Aeroporto do Cocorote. Foram chefes de Estado, ministros, embaixadores artistas e muitas outras figuras importantes, inclusive oficiais e praças norte-americanos, sempre em carro aberto, expostos à curiosidade dos moradores. Esses carros, modelo Ford, Hudson e Mercury eram de propriedade do Sr. Altenor Ribeiro Câmara, que morava nas proximidades do portão da base  - e eram alugados à Panair do Brasil, para transporte dos passageiros que desembarcavam no Cocorote.  Com a pavimentação da via, os sítios e mansões deram lugar a novas construções e ao casario de hoje.


O antigo terminal do Aeroporto Pinto Martins - O aeroporto teve suas origens na pista do Alto da Balança, construída na década de 1930 e utilizada até 2000 pelo Aeroclube do Ceará. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu de base de apoio às Forças Aliadas, época em que foi construída a segunda pista de pousos e decolagens (Base do Cocorote), que é a atual pista principal do Aeroporto de Fortaleza. Em 13 de maio de 1952, o aeroporto ganhou o nome de Pinto Martins. (foto O Povo)

Fachada atual do Aeroporto Pinto Martins

Não se sabe exatamente o ano, mas presume-se que tenha sido no período da guerra, por ocasião da transferência do campo de pouso do Pici para o Cocorote que, Antônio de Paulo Lemos, inspirado pela presença constante de aeronaves entre a Base do Pici e do Cocorote, teve a ideia de construir, em frente ao Asilo (Hospital São Vicente de Paulo), início da Rua 15 de Novembro, uma caixa d’água no formato de um avião bimotor, o que deu origem ao famoso Bar Avião, que foi ponto de encontros e hoje é referência entre Montese e Parangaba. 

Bar Avião à época da inauguração, na década de 1940 (arquivo Nirez) 
  
Bar Avião atualmente, em reforma (foto de set/2013)

A notoriedade da Rua 15 de novembro deveu-se também ao fato de que durante a guerra, com a presença de oficiais e praças norte-americanos, tornou-se um dos lugares onde as garotas da alta sociedade fortalezense passeavam com seus namorados louros e de olhos azuis, quando saíam dos ambientes sociais no centro em cidade, em direção aos aposentos da tropa na Base do Cocorote. As moças, consideradas avançadas para a época receberam o apelido jocoso de Coca-Colas, uma analogia ao refrigerante um tanto desconhecido por aqui, mas largamente consumido pelos americanos. 


Estoril, na época em que funcionava como cassino dos oficiais americanos (USO) Foto Nirez

Os pontos preferidos pelos gringos para as suas diversões eram a Praça do Ferreira, o Bar Jangadeiro ou a Praia de Iracema, onde o Estoril servia de cassino para os americanos com as jovens cearenses. Foi também nessa época que a lagosta começou a ser valorizada, uma descoberta dos americanos na Praça do Ferreira, onde o produto era oferecido na calçada da Floriano Peixoto a preços baixíssimos. Nas bancas a lagosta era oferecida para cozida, pronta para ser consumida. E foi pela 15 de Novembro que saíram as primeiras remessas do produto, rumo ao Exterior. Era ali também que ficava a Fábrica Santa Cecília, que tanto contribuiu para a geração de emprego e para o desenvolvimento da indústria têxtil do Estado, e que lamentavelmente está há anos desativada. Longe vai o tempo em que se ouvia, às quatro e meia da manhã, o apito da fábrica chamando os empregados para mais um dia de trabalho, a maioria, humildes operários moradores nas redondezas.


Atualmente há um projeto de alargamento de 14 metros que, se executado, a Rua 15 de Novembro voltará a categoria de avenida, título que perdeu com a evolução do bairro. 


extraído do livro de Raimundo Nonato Ximenes
de Pirocaia a Montese


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Bairros de Fortaleza: Vila União


O bairro Vila União foi fundado pela prefeitura de Fortaleza em 23 de agosto de 1940. O lugar  hoje chamado Vila União, já foi denominado de Barro Preto. Aqui eram terras de propriedade da Sra. Maria de Conceição Jacinto, natural da cidade de União, hoje Jaguaruana. Em 1938 as terras foram vendidas  para o Dr. Manoel Sátiro, que loteou as terras e batizou o loteamento de Vila União. 


Final da Avenida Luciano Carneiro, a principal via do bairro, antigo acesso ao terminal de passageiros do Aeroporto Pinto Martins. 
A linha férrea  que corta o bairro liga a Parangaba ao Mucuripe. Foi construída em 1942.



O largo foi construído em 1965,  na gestão do prefeito Murilo Borges. Quando da inauguração do Aeroporto e da Avenida Luciano Carneiro, passou a ser chamada de Praça do Vaqueiro, por conta do monumento que existia no local. Em 1982 passou a ser chamada de Praça Brigadeiro Eduardo Gomes. 
 O lugar que já foi movimentadissimo, com pontos de taxis, restaurantes, lanchonetes, estacionamento de veículos, agora está vazio. é um lugar bonito, arborizado e agradável, mas que não conta com nenhum equipamento que atraia a presença de público. 


Depois da inauguração do novo terminal de passageiros em 1998, o antigo espaço passou a funcionar como  Terminal de Aviação Geral (TAG), onde opera a aviação de pequeno porte (aviação geral, executiva, táxi aéreo).



Monumento ao Vaqueiro fica na praça Brigadeiro Eduardo Gomes, bem em frente ao antigo aeroporto. Na escultura do artista plástico pernambucano Corbiniano Lins, um vaqueiro montado em seu cavalo domina um grande boi, ladeado por um cachorro. 
Corbiniano Lins também é o autor da Estátua de Iracema, no Mucuripe, e da Mulher Rendeira, no Centro. Como muitos outros na cidade, este monumento também está relegado ao abandono, pichado, quebrado, deteriorado. 

 A placa indicativa do monumento já diz tudo sobre o estado em que se encontra o conjunto.


 A Lagoa do Opaia é mais recursos hídrico poluído e com a qualidade da água comprometida. Segundo dados da Prefeitura de Fortaleza, a lagoa fica no bairro Aeroporto

 
Não há equipamentos de lazer na lagoa nem no seu entorno, apenas ambulantes e bares 
improvisados. 


A beleza cênica não esconde os problemas ambientais que afetam a Lagoa da Opaia, situada nas imediações do Aeroporto Pinto Martins 

O único equipamento de lazer que localizei na lagoa do Opaia foi o modesto parquinho.

 Praça Jorge Vieira, inaugurada em 8 de novembro de 1968. 


Fica localizada entre as ruas Lineu Jucá, Almirante Rufino, Alberto Montezuma e Jorge Acúrcio. É conhecida como Praça da Igreja. 
O logradouro foi recuperado em parte, recentemente, por iniciativa da população com o apoio do pároco da Igreja.

 A Paróquia Jesus Maria José, foi fundada na mesma época da praça. Fica na Rua Montezuma, 473, Praça Jorge Vieira. 

o antigo Clube Vila União fica em frente a praça Jorge Vieira. 


Enfrentando dificuldades desde a década de 1980, com o declínio dos clubes sociais, o Vila União Atlético Clube é mantido pela população e sobrevive com a realização de eventos voltados para a comunidade.

Moderno shoping center na Avenida Luciano Carneiro



O Gabinete da prefeita funciona na Avenida Luciano Carneiro desde a década de 1990, quando o então prefeito Juraci Magalhães transferiu a sede do poder municipal, do centro  para o Bairro Vila União. 



O Hospital Infantil Albert Sabin – HIAS,  Foi inaugurado em 26 de dezembro de 1952 como Hospital Infantil de Fortaleza (HIF), com a competência de abrigar nas 03 enfermarias, crianças doentes provenientes principalmente do interior do estado.
 A iniciativa foi considerada pioneira, pois, até então, não existia em funcionamento no Ceará nenhuma unidade hospitalar voltada exclusivamente para o atendimento às crianças. 
Uma nova unidade foi inaugurada em 1976 e, em 17 de julho de 1977 por ocasião da visita do Dr. Sabin ao hospital, o governo decreta a mudança de HIF para Hospital Infantil Albert Sabin. 
Hoje o hospital tem uma média mensal de 650 internações, 20 mil consultas, 30 mil exames laboratoriais e 350 cirurgias. O corpo clínico é composto por quase 300 médicos, e cerca de 1.300 funcionários, entre servidores do estado e terceirizados.
Fica na Rua Tertuliano Sales, 544. Alguns sites de localização dão o Albert Sabin como localizado no bairro Parreão.

fontes:
Diário do Nordeste
O Povo
Wikipédia
página do HIAS  
fotos de abril/2011 - Fortaleza em Fotos