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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pelas Ruas Onde Andei (Nomes Antigos de Algumas Ruas)

Praça da Sé (antigas Praça do Conselho, Largo da Matriz e Praça Caio Prado)

As principais ruas da Vila de Fortaleza partiam da praça principal – chamada de Praça do Conselho, e posteriormente, Praça da Sé. Para a direita, acompanhando a margem esquerda do Pajeú, a atual Conde D’Eu, nome adotado em 06 de abril de 1870; antes disso, teve várias denominações, como Rua de Baixo, Nova dos Mercadores, da Matriz, e do Riacho Pajeú. Desde o início da colonização, fazia ligação com a Vila de Messejana, através da Estrada de Messejana, hoje Avenida Visconde do Rio Branco, aberta em 1796.

Av. Visconde do Rio Branco, antigos Calçamento de Messejana e Estrada de Messejana

Para a esquerda a atual Avenida Alberto Nepomuceno, chamada inicialmente de Caminho da Praia, por fazer ligação com a então Praia do Peixe (atual Iracema). Em 1856 mudou a denominação para Rua da Ponte, devido a existência de uma ponte sobre o riacho Pajeú que cortava a via; em 1889 passou a ser chamada de Rua Sena Madureira. Na gestão do Prefeito Ildefonso Albano, recebeu meio-fio e arborização. A atual denominação ocorreu após o falecimento do maestro Alberto Nepomuceno em 1920.

Para o lado Leste, encontra-se a Rua São José, antiga Rua das Almas – que ligava o Centro ao Outeiro, formado pela área que ficava entre a Heráclito Graça e a Rua do Seminário e entre a margem direita do Pajeú e a fronteira leste do Colégio Militar.

Rua Governador Sampaio, inicialmente Rua do Norte, Rua Nova do Outeiro. Em 1813 a ruela mudou para Rua do Sampaio; foi a primeira a utilizar tijolos na construção das casas. A Rua Governador Sampaio reverencia o português Manoel Inácio de Sampaio, governador da Província do Ceará (1812-1820)

Lado Oeste, sempre tendo como parâmetro a Praça da Sé, temos a Rua Dr. João Moreira, inicialmente uma ruela com o nome de Travessa da Fortaleza; depois Travessa da Misericórdia. Sofreu algumas mudanças de nomes como Rua Nova da Fortaleza, Travessa do Quartel, Rua da Misericórdia e General Tibúrcio. O nome atual se refere ao médico Dr. João Moreira, médico sanitarista, que prestava serviços na Santa Casa de Misericórdia.

Rua Castro e Silva – inicialmente Travessa da Matriz; em 1859 mudou para Rua das Flores e depois Rua Manuel Bezerra. Era a rua por onde seguiam os enterros, saídos da Sé em direção ao Cemitério de São João Batista. O nome atual homenageia o médico sanitarista José Lourenço de Castro e Silva.

Rua General Bezerril – denominação de 1888. Teve vários nomes – Rua do Quartel ou da Cadeia (a Cadeia do Crime ficava nos baixos do quartel de 1ª. Linha); rua do Oitizeiro, homenagem ao Oitizeiro do Rosário que ficava atrás da igreja. José Freire Bezerril Fontenele foi governador do Ceará no período de 1892 a 1896.

Rua Floriano Peixoto – possuía três nomes: da Travessa da Fortaleza até a atual Rua São Paulo, era Rua das Belas; da São Paulo até o sul da Praça do Ferreira, Rua da Pitombeira; e depois da praça, era a Rua da Alegria. As três formaram depois a Rua da Boa Vista, mudada para Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil no período republicano. Nunca esteve no Ceará, e nem há registro de qualquer benefício que tenha feito ao Estado.

Rua São Paulo – homenagem ao Estado de São Paulo; inicialmente Rua das Belas, começava na Rua dos Mercadores indo até a Rua das Belas, depois foi chamada de Travessa da Tesouraria e Rua da Assembleia.

Rua Guilherme Rocha – iniciava na Rua do Quartel com o nome de Travessa Municipal. Em 1912 foi denominada Rua 24 de janeiro devido a queda do governo Accioly. Foi a que teve seu primeiro trecho transformado em rua exclusiva para pedestre, entre a Praça José de Alencar e a Praça do Ferreira. Guilherme César da Rocha, foi vereador, coronel da Guarda Nacional, presidente da Câmara Municipal, vice-presidente do Estado e Intendente Municipal de 1892 a 1912.
  

Rua Major Facundo – aberta em 1814, pelo boticário Bernardo José Teixeira com o nome de Rua Nova Del Rei. Em 1842 teve o nome modificado para Rua da Palma, no trecho que ia até a Rua Guilherme Rocha e Rua do Fogo, o trecho seguinte. Em 1888 recebeu o nome de Major Facundo em homenagem ao ilustre morador da esquina noroeste com a Rua São Paulo, barbaramente assassinado no dia 8 de dezembro de 1841. 


Rua Barão do Rio Branco – antiga Rua Formosa; nome atual em homenagem ao intelectual, jurista, político e diplomata brasileiro, José Maria da Silva Paranhos Junior.

Rua Senador Pompeu, antiga Rua D’Amélia. No início do século XIX era o limite Oeste da parte edificada da cidade. Foi chamada informalmente de Rua dos Jornais, devido ao grande número de periódicos que tinha endereço na rua. Nome atual em memória de Thomaz Pompeu de Souza Brasil, fundador do Liceu do Ceará, escritor, político e professor.

Rua General Sampaio, antiga Rua da Cadeia, teve seu nome mudado a  partir de 1900, com a instalação do monumento ao General Antônio de Sampaio, herói da Guerra do Paraguai.

Rua 24 de maio

Rua 24 de Maio – até 1857 era chamada de Rua D. Afonso, filho de Dom Pedro II; depois virou Rua do Patrocínio, devido a proximidade com a Igreja do mesmo nome; a denominação atual é uma homenagem ao dia 24 de maio de 1866, data da batalha do Tuiuti, na Guerra do Paraguai, onde muitos cearenses fizeram parte e o General Sampaio foi ferido e morto.
  
Avenida Tristão Gonçalves – inicialmente, Rua da Lagoinha, devido a existência de uma lagoa que foi aterrada que ficava nas proximidades. Mais tarde, assou a ser chamada de Rua do Trilho de Ferro, por receber a linha férrea. O nome atual homenageia Tristão Gonçalves de Alencar, filho de Bárbara de Alencar, revolucionário que participou da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador, em 1824. Foi assassinado pelas forças imperiais no interior do Ceará em 1825. 
  
Rua Pedro Pereira – antigas Travessa Amélia e São Bernardo, por passar ao lado da Igreja de São Bernardo. O nome atual presta homenagem a Pedro Pereira da Silva Guimarães, promotor público, de Fortaleza, juiz de órfãos, professor, escritor e político.

Avenida Duque de Caxias – antigo Boulevard do Livramento devido a existência da capela do Livramento onde hoje se encontra a Igreja do Carmo. Homenagem a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército Brasileiro.

Rua Meton de Alencar antiga Rua São Sebastião, por passar próxima à Capela de São Sebastião. Parte da antiga rua passou a chamar-se Rocha Lima. Meton de Alencar foi um médico cearense, que participou como voluntário na Guerra do Paraguai. Foi diretor da Santa Casa de Misericórdia por longos anos.

Rua Solon Pinheiro antigas Rua da Trindade, e Rua da Alegria. Manoel Solon Rodrigues Pinheiro foi jornalista, advogado e político. Nascido em Cachoeira, no Estado do Ceará, o município teve seu nome mudado para Solonópole, em sua homenagem em 1943.

Rua Barão de Aratanha – antiga Rua do Lago, uma referência à Lagoa do Garrote; no início do século, chamava-se rua Pero Coelho. José Francisco da Silva Albano, o barão de Aratanha era Coronel da Guarda Nacional e comerciante.

Rua Jaime Benévolo – antiga Rua do Açude – referência ao Açude Pajeú, construído na 1ª. Administração do Senador Alencar na área onde hoje se encontra o Parque Pajeú; também foi chamada de Rua da Cruz, devido a ermida existente no local no século XIX. Jaime Benévolo era Militar e professor, nascido em Maranguape em 1854.

Rua Pedro Borges – Antiga Rua do Cajueiro. Pedro Augusto Borges foi governador do Ceará entre 1900 e 1904.

Rua Pereira Filgueiras antiga Rua do Paço devido a existência do palácio do Bispo. José Pereira Filgueiras foi um dos principais revolucionários da Confederação do Equador, movimento que tinha como proposta estabelecer a República do Brasil.

Rua Costa Barros – principal acesso da Aldeota ao Centro. Antiga Rua da Aurora e Rua do Sol. Pedro José da Costa Barros nasceu em Aracati, a 7 de outubro de 1770. Para o historiador R. Batista Aragão, Costa Barros pode ser considerado como o homem das realizações inacabadas: ainda estudante, aluno do curso de engenharia da Universidade de Coimbra, foi obrigado a abandonar os estudos por motivo superior; 

Eleito deputado à Constituinte Portuguesa, deixa de seguir para Lisboa, preferindo ficar no Rio de Janeiro; eleito em 1822, deputado para a Constituinte Brasileira, foi impedido de tomar posse. Por ocasião da abertura da sessão inicial, encontra-se processado, por envolvimento em processo sobre acontecimentos no ano anterior. Absolvido, assume o cargo, e vê a Assembleia ser dissolvida pelo Imperador. Foi nomeado Ministro da Marinha, mas não exerceu o cargo; guindado ao posto de governador do  Ceará, não pode cumprir o mandado em razão de dificuldades diversas.


Avenida Almirante Tamandaré – principal acesso à Ponte Metálica, antigo porto de Fortaleza, a construção da via só foi possível graças ao desmonte de uma duna existente próximo à alfândega. Foi inaugurada em 1916 com o nome de Avenida Atlântica; em 1920 mudou para Epitácio Pessoa; em 1932, foi chamada de Avenida Três de Outubro em homenagem à revolução de 1932. Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, foi um militar da Armada Imperial Brasileira que atingiu o posto de almirante. Herói nacional, é o patrono da Marinha de Guerra do Brasil e o dia de seu nascimento, 13 de dezembro, é lembrado como o Dia do Marinheiro.
Rua 25 de Março -  antigas Ruas do Outeiro e do Pajeú. O nome da via corresponde a data da libertação dos escravos no Ceará.

Rua Coronel Ferraz – travessa do Colégio, por passar ao lado do Colégio da imaculada Conceição; depois Travessa São Luís e Figueiras de Melo. Luiz Antônio Ferraz foi o primeiro governador do Ceará no período republicano (1889-1891). Antes era comandante do 11° Batalhão de Infantaria de Fortaleza.

Avenida Santos Dumont - imagem Ítalo Sales

Avenida Santos Dumont antiga Rua do Colégio (da Imaculada Conceição). A partir de 1932, quando começou a expansão da parte leste da cidade, tornou-se Avenida Santos Dumont, homenagem ao pai da aviação, Alberto Santos Dumont.


Fontes:
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
A História do Ceará passa por esta rua, de Rogaciano Leite Filho
fotos Google, arquivo Nirez e postais antigos

sábado, 30 de julho de 2016

Enterros em tempos antigos

Até 1848 aqui em Fortaleza, se faziam os sepultamentos nas igrejas ou nos seus arredores; as lápides funerárias, que antigamente podiam ser vistas nas paredes do Rosário e da demolida Igreja de São José (antiga Sé), bem como as ossadas encontradas nas reformas da Igreja do Rosário, são os atestados deste costume, que de resto, era seguido em todo o Brasil.


Padre Mororó, Pessoa Anta, Carapinima e a escrava Bonifácia, executados no Passeio Público, foram sepultados na antiga Sé, que ainda servia de cemitério em 1845.Ainda existe até hoje na Igreja do Rosário, cobertos pelo assoalho, os compartimentos regulares que serviam de sepultura, e é tradição que a esposa do presidente Morais Sarmento ali tivera um desmaio, em consequência de exalações cadavéricas.

Por esse motivo aquele presidente resolvera fundar o cemitério do Croatá, para onde passaram os enterramentos em 1848. Tal decisão foi recebida como falta de religiosidade. Os sepultamentos se faziam à noite e os convidados levavam velas acesas, protegendo-as contra o vento com lanternas de papel.  Eram lúgubres essas cerimônias noturnas, mas não tanto quanto as célebres procissões de penitentes, que desde 1850, deixaram de ser realizadas.


Local onde foi construído o Cemitério do Croata (ou São Casimiro). Depois que o cemitério foi desativado, construíram a Estação Central da Estrada de Ferro Baturité. 

Saíam alta noite, e de uma delas se contava que, ao recolher ao Rosário, alguns penitentes se deitaram no chão, em frente a porta da igreja, formando uma espécie de esteira, para que os outros, entrando no templo, os pisassem.

Os rituais que antecediam o sepultamento eram igualmente sombrios. Ministrava-se a o Sacramento ao moribundo, com um cerimonial caído em desuso por volta do final do século XIX. O Cura da Sé era chamado, e logo em seguida, os sinos da Sé começavam a tocar. A Irmandade do Santíssimo Sacramento buscava as opas encarnadas e atendia ao apelo, qualquer que fosse a hora.

A Igreja do Rosário era inicialmente o espaço dos escravos. Depois passou a ser frequentada por todos. Muitos foram sepultados no piso do templo.

À irmandade seguia-se o Cura, que debaixo de um pálio trazia os objetos próprios para a ocasião, seguido do povo, que sempre acompanhava o Santíssimo, cantava um bendito especial. O Santíssimo nunca voltava pelo mesmo caminho por onde tivesse ido visitar um moribundo, era costume.

Assim que se verificava o óbito, os sinos da Matriz tocavam a finados e a cidade inteira sabia de pronto, quem era que já estava com Deus. Os sinos pelos falecidos foram abolidos em 1878, para que não se afligisse mais a população, já torturada por tanta seca, tanta epidemia e tantas mortes.

O velório era em casa, geralmente na sala principal, sem o aparato de funerárias. Marcava-se a porta do morto com um largo pano preto, que tinha ao centro uma grande cruz amarela; os convites para o enterro que se adquiriam na Livraria Oliveira eram impressos em larga folha de papel tarjado com figuras e dizeres de acordo com a situação. Em baixo da página via-se um cemitério e uma sepultura com o texto – aqui jaz – e ao lado, um homem e uma mulher ajoelhados.

Os enterros eram verdadeiras procissões, que se estendiam por mais de um quarteirão. Abria o cortejo uma cruz negra com franjas douradas; as Irmandades marchavam em longas filas, solene e silenciosamente. Precedido pelo pároco da Sé, vinha o féretro, levado por quatro empregados da Misericórdia, vestidos de preto, com cartolas de oleado reluzente, casacas e calças debruadas de amarelo.

O caixão era colocado sobre duas travessas, cujas pontas repousavam sobre largas correias, que os condutores traziam a tiracolo. Eram estes os “gatos pingados”, pobres homens ridicularizados que, aliás prestavam um grande serviço aos vivos e mortos, posto que não era pequeno o esforço de percorrer dois ou mais quilômetros em marcha lenta, carregando peso, vestidos como iam, e as vezes, sob um sol escaldante. (Depois da inauguração do cemitério, os sepultamentos passaram a ser feitos durante o dia).


O Cemitério de São João Batista foi inaugurado em 1866, mesmo inacabado (seria concluído em 1880), para ali sendo removidos alguns mortos do Croatá. (foto Diário do Nordeste)

Vestidos de luto, parentes e amigos acompanhavam; se fosse pessoa de posses ou a posição social do morto permitisse, uma banda de música acompanhava o cortejo, o qual ao se aproximar da Sé, era recebido com sinos sobrados ou singelos.  Até a catedral todos iam descobertos, mas daí até o cemitério, todos se cobriam porque o corpo já estava encomendado.

Após o percurso de 1300 metros, pela Rua das Flores (atual Castro e Silva), ali se chegava esbaforido, mas de tal caminhada ninguém se queixava, dado o sentimento da ocasião. Na verdade, era um sacrifício para um homem, ir da matriz ao cemitério, vestido de preto, sol das 4 horas pela frente, sobre um péssimo calçamento.


O cortejo saía da Igreja da Sé, percorria a Rua das Flores a pé, por cerca de 1300 metros até a entrada do Cemitério de São João Batista.

As visitas de pêsames eram uma tortura, especialmente para as viúvas que, em exposição nas suas salas, tinham que repetir exaustivamente aos visitantes, o histórico da doença e como se deu o desenlace. 

Os alunos do Seminário da Prainha acompanhavam os enterros dos padres, e numerosos soldados com suas espingardas de boca para baixo, seguiam, compassadamente, os enterros de oficiais ou de seus companheiros de farda.

Em contrapartida a toda essa liturgia dos adultos, eram alegres e risonhos os enterros de anjinhos; os sinos da Sé repicavam festivamente e a família do anjinho convidava quantos meninos pudessem para acompanhar a saída. Não havia encomendação do corpo; saiam direto para o cemitério, num alegre bando, não raro acompanhado por músicos que tocavam, durante o trajeto algumas peças alegres.


Em “A Normalista” de Adolfo Caminha, o autor descreve o enterro do presidente do Estado, personagem inspirado no governador Antônio Caio da Silva Prado, nomeado presidente da província do Ceará por carta imperial de 25 de março de 1888. Nascido em São Paulo, de família rica e tradicional, irmão do renomado escritor Eduardo Prado, foi educado na Europa, cursou Engenharia na França e formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo. Caio Prado assumiu o governo do Ceará em 21 de abril de 1888, cercado de admiradores e elogios de simpatizantes. No entanto, ao tomar posse no cargo, revelou todo o seu despreparo e desconhecimento de como lidar com os problemas que assolavam o Ceará, e com os quais nunca convivera.
No seu governo, o Ceará enfrentava mais um período de secas, e para completar a tragédia da falta de chuvas, proliferou-se uma violenta epidemia de febre amarela, agravando o quadro de miséria para milhares de pessoas. Com a epidemia instalada no Estado, o próprio presidente foi uma das vítimas; acometido da doença, faleceu em 25 de maio de 1889. Caio Prado foi sepultado no Cemitério de São João Batista. 

Governador Caio Prado em tela de Pedro Américo (1889) acervo do MASP.


“ O enterro do presidente passava na esquina, caminho do cemitério. Maria do Carmo assistia com a respiração suspensa e um nó na garganta o desfilar do préstito, o caixão levado por seis homens de preto, cobertos de galões dourados, debaixo da chuva miúda, o acompanhamento – uma comparsaria dispersa de gente de todas as classes de chapéu-de-chuva aberto, marchando resignadamente ao som da música do batalhão, que tocava à funeral.Os padres já tinham passado, na frente com seus acólitos, muito graves, olhando para o chão evitando as poças d’água. Um carro seguia atrás, todo fechado, devagar. E a chuva a cair e a música a tocar o funeral, deixando por onde passava uma tristeza vaga, que lembrava um dia de finados entre sepulturas...." (Pag.115/116).


Fontes:
Fortaleza Velha, de João Nogueira
A Normalista, de Adolfo Caminha
fotos arquivo Nirez, wikipedia, DN

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

História de Algumas Ruas do Centro de Fortaleza

Rua Floriano Peixoto

As principais ruas da Vila de Fortaleza partiam da praça principal – chamada de Praça do Conselho e mais tarde, Praça da Sé. Para a direita acompanhando a margem esquerda do Riacho Pajeú, a atual Rua Conde D’Eu, nome adotado em 6 de abril de 1870, antes teve vários nomes. Como: Rua de Baixo, Nova dos Mercadores, da Matriz, e do Riacho Pajeú. Desde o início da colonização fazia ligação com a Vila de Messejana, através da estrada do mesmo nome, hoje Avenida Visconde do Rio Branco, aberta em 1796.

Estrada de Messejana, atual Avenida Visconde do Rio Branco  

Para a esquerda, a atual Avenida Alberto Nepomuceno, chamada inicialmente de Caminho da Praia (por fazer a ligação com a Praia de Iracema).  Em 1856, passou a ser a Rua da Ponte, devido a existência de uma ponte sobre o Riacho Pajeú que cortava a rua. Na gestão do prefeito Ildefonso Albano (1912-1914), foi alargada e pavimentada com calçamento e recebeu a denominação de Rua Sena Madureira. Em 1921 recebeu meio-fio e arborização e a denominação atual – Avenida Alberto Nepomuceno – em homenagem ao músico falecido em 1920. A estátua do compositor e maestro cearense foi inaugurada em março de 1976, em frente à Secretaria da Fazenda. 

 Avenida Alberto Nepomuceno década de 1940

para o lado Leste, Rua São José, antigamente Rua das Almas – ligava o centro da vila com o bairro do Outeiro formado pela área que ficava entre a Heráclito Graça e a Rua do Seminário, hoje Monsenhor Tabosa, e entre a margem direita do Pajeú e a fronteira leste do atual colégio Militar. Era o bairro mais antigo e onde residiam as famílias aristocráticas da Vila. Hoje o bairro desapareceu, ficando sua área distribuída entre os bairros da Aldeota, Praia de Iracema e o centro de Fortaleza.
Rua Rufino de Alencar – antiga travessa da Bica – por haver uma bica no riacho – depois Corredor do Bispo, fazia a ligação do centro com o Seminário.
Rua Governador Sampaio, inicialmente Rua do Norte, Rua Nova do Outeiro. Em 1813 a ruela foi transformada e teve a denominação mudada para Rua do Sampaio, a primeira a utilizar tijolos na construção das casas.
No lado Oeste, Rua Dr. João Moreira, inicialmente uma ruela com o nome de Travessa da Fortaleza (travessa eram todas as ruas de sentido Leste-Oeste), depois da Misericórdia por passar ao lado da Santa Casa. Serviu como base à formação das ruas paralelas. Teve algumas mudanças de nomes, sendo em diferentes épocas a Rua Nova da Fortaleza, Travessa do Quartel, Rua da Misericórdia e General Tibúrcio. 

 Rua Castro e Silva, antiga Travessa das Flores, era por onde seguiam os enterros em direção ao Cemitério São João Batista

Rua Castro e Silva: inicialmente Travessa da matriz, em 1859 mudou para Travessa das Flores e depois Rua Manuel Bezerra. Era a rua por onde seguiam os enterros.
Rua General Bezerril – denominação de 1888. Teve vários nomes: Rua do Quartel ou da Cadeia (a cadeia do crime ficava nos baixos do Quartel de 1ª. linha). Rua do Oitizeiro do Rosário, que ficava atrás da igreja – árvore considerada a mais antiga da cidade, cortada pela Prefeitura em 1929, e sua madeira queimada pela Santa Casa.

 Rua General Bezerril com o oitizeiro do Rosário

Rua Floriano Peixoto – inicialmente possuía três nomes – da Travessa Fortaleza até a atual Rua São Paulo era Rua das Belas; da São Paulo até o sul da Praça do Ferreira,  Rua da Pitombeira; depois da Praça era a Rua da Alegria. As três formaram depois a Rua da Boa Vista, mudada para Floriano Peixoto.

 Rua Floriano Peixoto que já foi Rua da Pitombeira no trecho entre a Rua São Paulo e a Praça do Ferreira. O prédio mais alto, à direita, é o da Intendência Municipal.

Rua São Paulo – nome em homenagem ao estado de são Paulo; inicialmente Travessa das Belas, iniciava na Rua dos Mercadores indo até a Rua das Belas, depois foi chamada Travessa da Tesouraria (devido a Tesouraria na parte Norte da Praça General Tibúrcio) e Rua da Assembleia.
Rua Guilherme Rocha – tinha início na Rua do Quartel com o nome de Travessa Municipal. Em 1912 foi denominada Rua 24 de Janeiro devido a queda de Nogueira Accioly. Foi também a primeira via que teve um trecho transformado em rua de pedestre (entre a Praça José de Alencar e a Praça do Ferreira).
Rua Major Facundo – aberta em 1813 por Bernardo José Teixeira com o nome de Rua Nova Del Rei. Em 1842 foi mudada para Rua da Palma – até a Guilherme Rocha – no trecho seguinte, era a Rua do Fogo.

Rua Major Facundo, antigas Ruas Nova Del Rei, da Palma e do Fogo

Em 1888 mudou para Major Facundo em homenagem ao seu ilustre morador da esquina noroeste com a Rua São Paulo, local ocupado pela Casa Villar, demolida e transformada em estacionamento em 1859, e depois adquirido pelas irmãs Paulinas onde funciona a Loja de Artigos Religiosos.

 Prédio em que residiu e foi assassinado o Major Facundo em 1841. De 1854 até 1959 nele funcionou a Casa Villar.  

Rua Barão do Rio Branco – antiga Rua Formosa, o nome atual e uma homenagem ao ilustre intelectual, jurista político e diplomata brasileiro.
Rua Senador Pompeu – inicialmente Rua da Amélia. No início do século XIX era o limite Oeste da parte edificada da cidade. Foi chamada Rua dos Jornais, por haver muitos deles na rua, nela morou o Senador Pompeu, na esquina Noroeste com a Rua Guilherme Rocha, no mesmo local onde funcionou a Padaria Palmeira, a mais importante do centro na época. 

 Rua General Sampaio, com os trilhos do bonde do Benfica

Rua General Sampaio – em 1872 chamava-se Rua da Cadeia, por passar ao lado da cadeia, prédio hoje ocupado pela ENCETUR. Em 1900, com a instalação do monumento ao General Sampaio na Praça Castro Carreira, mudou para o nome atual.


 Fotos do Arquivo Nirez 
Fontes
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito