quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fortaleza: Turismo e Fotografia

Praia do Futuro - foto: http://www.vejanomapa.com.br/praia-do-futuro-fortaleza-ce

Viajar para fotografar é sempre um prazer para quem vive in loco e para quem vê, depois, a experiência das pessoas queridas através das fotos. E viajar para um lugar que inspire a fotografia, melhor ainda. Fortaleza, nesse sentido, é uma cidade privilegiada, já que além de dar aos turistas diversas opções de divertimento, também tem lindos cenários que, em uma fotografia amadora ou profissional, mais vão parecer pinturas.

Por do sol sobre o Rio Ceará, na Barra 

Para descobrir os melhores lugares para se fotografar, alugar carro e rodar como se não houvesse amanhã pode ser uma das melhores opções, mesmo porque as principais empresas de aluguel de carro têm guichê no aeroporto da capital cearense, fazendo com que a boa viagem comece assim que o turista bota os pés no estado.

Ecossistemas da Sabiaguaba: dunas, mar e rio, no primeiro bairro ecológico de Fortaleza

Para pegar a imagem do que muita gente considera o pôr do sol mais bonito de Fortaleza, por exemplo, o local indicado é a Barra do Rio Ceará, na divisa de Fortaleza e Caucaia (um bom motivo para se optar pelo aluguel de carro em Fortaleza). Para quem quer tirar boas fotos da paisagem e do movimento e ainda degustar boas bebidas e comidas típicas, a Praia do Futuro, uma das melhores do Ceará, é quase obrigatória.

Calçadão da Volta da Jurema - Av. Beira Mar

Feira de Artesanato na Av. Beira Mar

Quem gosta de fotografias mais culturais pode optar pela Feirinha da Avenida Beira Mar, onde em todo finzinho de tarde turistas e população local fazem um interessante movimento de compras na orla da praia. 

Ponte dos Ingleses, com o mar de Iracema em dia de fúria

Para lugares históricos, a Ponte dos Ingleses é uma das melhores opções de cenários a fotografar, além de estar perto de uma das zonas boêmias mais badaladas da cidade, que é a praia de Iracema – onde o pôr do sol, também, é muito bonito. Por fim, o Passeio Público, que foi revitalizado em 2007 e figura, também, como um dos locais históricos da cidade, por ter sido palco da Confederação do Equador em 1825.

Praça dos Mártires (Passeio Público) com seu centenário Baobá

Embora tenhamos citado alguns dos lugares mais especiais da capital cearense, não é só isso que dá para ver, viver e fotografar na cidade. Muito pelo contrário: Fortaleza é uma das capitais brasileiras com maior riqueza histórica e representativa na cultura brasileira. Por  cada dá lá aquele flash da máquina, vai ser capaz de captar uma nova visão da cidade que sempre está diferente, mas sempre tem um valor igual para nosso Brasil.

fotos: 
Raquel Vianna, 
Tarcísio Garcia, 
Rodrigo Paiva 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pelas Ruas e Avenidas de Fortaleza – Parte I

Padre Mororó
arquivo Nirez

Em 1872 foram iniciadas as obras de construção do cemitério de São João Batista, que só ficaria pronto em 1880. Para o novo cemitério, foram transladados os corpos de vultos mais importantes que se encontravam sepultados nos cemitérios já existentes. A Rua Padre Mororó nasceu praticamente junto com o cemitério de São João Batista, construído de frente para a catedral, a uma distância de mais de um quilômetro, formando o caminho, a Rua das Flores, atual Castro e Silva. A frente do cemitério de São João Batista formou o início da Rua Padre Mororó, que em 1883 se chamou Rua São Cosmo, recebendo depois o nome do Padre Mororó. Em 1890 quando todas as vias de Fortaleza receberam números, a Padre Mororó foi a de número 16, voltando, logo em seguida, ao nome atual.

foto: http://www.geolocation.ws/v/P/52877631/rua-padre-moror/en

Com o tempo a rua foi se formando, principalmente nos trechos de cruzamento com as ruas e travessas mais importantes, como a Travessa Municipal (atual Rua Guilherme Rocha). A rua Padre Mororó nasce no bairro do Arraial Moura Brasil, na orla marítima, e termina na Rua Justiniano de Serpa.  

Rua Castro e Silva, começa na Catedral da Sé e termina em frente ao Cemitério de São João Batista (foto Fátima Garcia)

Assim como a Castro e Silva, que foi por muitos anos caminho dos enterros, quer fosse motorizado ou a pé, a Rua Padre Mororó ainda hoje é um dos caminhos dos mortos em direção ao São João Batista.

Alberto Nepomuceno

arquivo Nirez

Antigamente havia um caminho a partir do então Largo da Matriz (hoje Praça da Sé), para o mar, que seguia pelo local ocupado pela Avenida Alberto Nepomuceno, dobrando na Avenida Pessoa Anta e na altura do prédio da Alfândega, dobrava novamente, desta vez no sentido praia, indo até a Ponte Metálica. Era chamado “caminho da praia”. Como existia uma ponte de madeira sobre o Rio Pajeú, a rua passou a se chamar Rua da Ponte, isto em 1856. Depois se chamou Rua Alberto Nepomuceno,  em 1889. No ano seguinte, quando as ruas receberam números ela passou a ser a número 7, voltando depois ao antigo nome.
Na gestão do prefeito Ildefonso Albano, entre 1912 e 1914, a avenida foi alargada e pavimentada com calçamento, passando a ser denominada Avenida Alberto Nepomuceno. Em 1921, recebeu meio-fio. No início da avenida ficava a escola de Aprendizes Marinheiros, que depois se mudou para o Jacarecanga, ficando o prédio ocupado pela escola de Aprendizes-Artífices. A Fortaleza data do século XVII e a antiga Secretaria da Fazenda, prédio térreo que ficava onde depois foi construído o Fórum Clóvis Beviláqua, foi instalada em 1896, sendo demolido o prédio no governo Paulo Sarasate, que construiu o fórum. O novo prédio da Secretaria da Fazenda foi inaugurado em 1927. 

atual Avenida Alberto Nepomuceno (foto Fátima Garcia)

A Avenida Alberto Nepomuceno nasce no Poço da Draga (antigo porto) e vai até a Rua Crato, quando passa a se chamar Rua Conde D’Eu. Na continuação a via recebe os nomes de Sena Madureira e Avenida Visconde do Rio Branco, até encontrar a BR-116. Cruza com a Avenida Pessoa Anta (antiga Rua da Praia), José Avelino (do Chafariz), Dr. João Moreira (Misericórdia) Rufino de Alencar, Caio Prado e Castro e Silva (das Flores).

Barão de Studart

foto Nirez

A Avenida Barão de Studart não é muito antiga, por isso este foi seu único nome, ao contrário de outras ruas de fortaleza, que tiveram várias denominações anteriores. A via nasce praticamente na praia, tendo se formado nas proximidades das avenidas Santos Dumont e Monsenhor Tabosa. Quando a Avenida Aquidabã começou a tomar forma na década de 1940, a Barão de Studart já existia, ali também se formou, passando a existir então desde a orla marítima até pouco depois da Avenida Santos Dumont. Em 1960, quando a TV Ceará passou a funcionar na Estância, a Avenida Antônio Sales também passou a ser caminho obrigatório e a Barão de Studart foi estendida até lá. Depois foi aumentando, até chegar a Avenida Pontes Vieira, onde termina. Só então passou a receber mais atenção. 

Avenida Barão de Studart (foto Fátima Garcia)

Foi urbanizada, transformada em avenida  e por ela passaram a circular coletivos e se instalaram diversos estabelecimentos comerciais. Antigamente, ficava no cruzamento da Barão de Studart com a Rua João Carvalho, o famoso Cine Ventura.

fonte:
A história do Ceará passa por esta rua
autor Rogaciano Leite Filho
           

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Cripta da Igreja dos Remédios

A Igreja dos Remédios foi inaugurada em 1910, mas a cripta só foi construída bem mais tarde, na reforma pela qual a igreja passou em 1934. Localizada por baixo do altar-mor, a cripta seria a futura capela de Jesus no Horto, e ficou pronta em fevereiro de 1936, quando o templo foi reinaugurado.
Lá na cripta funcionava, nos anos 40, um espaço de reflexão em que a população ia se confessar na semana santa, era o Horto da Agonia. Nesse espaço de tempo entre a inauguração e o início da década de 1940, foram pintados vários painéis, pelo pintor Gerson Faria, artista plástico cearense atuante no inicio do século XX.








Os painéis de Gérson Faria  representam lugares e acontecimentos alusivos à crucificação de Cristo. Em cada um deles, o artista buscou retratar cenas marcantes da Via Sacra. 

Pintura do teto

Retrato do pintor Gerson Faria feito por Raimundo Cela, em 1940. Faz parte do acervo do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC) 

Pintor e cenógrafo autodidata, Gerson Faria nasceu em Fortaleza, em 1889. Chegou a receber bolsa de estudos, em 1917, dada  pelo Governador João Tomé de Saboia, juntamente com Mário Dias, Raimundo Siebra, Simeão, Vicente Leite e José Rangel, para realizar estudos no Rio de Janeiro mas desistiu ainda no caminho. Participou de exposição coletiva organizada por Walter Severiano em Fortaleza, em 1924, juntamente com Otacílio de Azevedo, Clovis Costa, Pacheco de Queiroz, Sá Roriz, Katunda, Mário Dias e Emme Guilherme. 
Em 1934, fundou com Otacílio de Azevedo, Pretextato Bezerra e Clovis Costa, o primeiro atelier de pintura de Fortaleza. Foi, em 1941, um dos principais animadores do Centro Cultural de Belas Artes, primeiro movimento ambicioso de artes plásticas no Ceará. Em 1944, recebe homenagem no III Salão Cearense de Pintura. De acordo com Otacílio de Azevedo, em Fortaleza Descalça, "bem cedo, despertou-se-lhe o imenso desejo de ser pintor. Mergulhou no estudo da pintura e chegou a adquirir grande domínio no colorido. Seu desenho era, todavia, fraco, notadamente no que se refere ao estudo da perspectiva. Nunca se aprimorou no desenho, preferindo sempre as longas conversas nos cafés. E sempre teve grande dificuldade em pintar retratos. Nas paisagens e cenários era um mestre, tendo produzido muitos trabalhos de valor”. 
Gerson Faria escreveu alguns artigos de crítica, mas apenas sobre pintores estrangeiros, nunca sobre um artista conterrâneo ou mesmo do sul do país. 
Segundo conta Otacílio de Azevedo, existiam algumas telas do artista espalhadas por Fortaleza, a maioria em mãos de particulares. Havia ainda um retrato do general Tibúrcio na Prefeitura Municipal e , uma paisagem na pinacoteca do Estado. No Palácio da Luz, havia dois quadros de sua autoria: Jangada Libertadora e Volta da Jurema; no salão da Casa de juvenal Galeno, havia também duas telas suas, alegorias sobre a poesia popular do poeta Juvenal Galeno. 
Faleceu em 12 de fevereiro de 1943, em Fortaleza.


Os painéis precisam urgentemente de restauração. Quem puder ajudar ou contribuir de alguma maneira, pode entrar em contato com a secretaria da Igreja dos Remédios, na Avenida da Universidade, 2974, Benfica, ou pelo telefone (85) 3223-5644 


fotos: Rodrigo Paiva
Fátima Garcia

pesquisa
Fortaleza Descalça, de Otacílio de Azevedo
Gerson Faria - Disponível em
www.olharaprendiz.com.br 

domingo, 13 de maio de 2012

Igreja de Nossa Senhora dos Remédios


o relógio de quatro faces, ainda hoje no alto da torre igreja dos Remédios, era patrimônio do Monumento a Cristo Redentor, na praça do mesmo nome. O relógio foi colocado no monumento no mesmo dia de sua inauguração, em 7 de setembro de 1922. Mas devido a oscilação da coluna, relógio e pêndulo sempre paravam , por isso o relógio foi retirado e vendido à igreja dos Remédios. 

A  Igreja de N. S. dos Remédios, uma das mais antigas da cidade,  foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1910, nos arrabaldes do Benfica.  A iniciativa de sua construção partiu de João Antônio do Amaral, que desejava construir uma capela em terreno de sua propriedade, no Benfica, com a denominação de N.S. dos Remédios, de quem era devoto, e por ser a padroeira da Freguesia em que nascera, na ilha de S. Miguel, uma das Açores. 

Vindo, porém a falecer sem ter realizado este intento, sua mulher, D. Maria Correia do Amaral resolveu dar prosseguimento ao desejo do seu marido. Sabendo dessa pretensão, o Sr. Joaquim Álvaro Garcia, também residente no Benfica, e desejoso de que a Igreja ficasse mais perto de sua propriedade, ofereceu o terreno para ser edificada a igreja, o que foi aceito pela família Amaral. Obtida a autorização do bispo da Diocese, D. Luiz Antônio dos Santos, foi solenemente assentada a pedra no dia 8 de dezembro de 1878, pelo padre José Teixeira da Graça, então vigário da Parangaba.



Com o auxílio do presidente do Estado Dr. José Júlio de Albuquerque Barros à família Amaral, os trabalhos foram iniciados, mas faltando meios para continuarem, as obras ficaram paradas durante cerca de dez anos. Nesse tempo D. Maria C. Amaral fundou uma sociedade de senhoras, denominado Sociedade Auxiliadora dos Templos, com o a finalidade de mais tarde, esta sociedade ajuda-la a concluir a Igreja dos Remédios.  Por esse tempo chegou da Bahia o filho de D. Maria Amaral, Cônego Dr. Ananias Correia do Amaral, em visita à família, que tomando a iniciativa conseguiu recursos através de donativos, deixando a Igreja coberta,  e concluído outros trabalhos.

Houve outro intervalo de cinco a seis anos durante o qual D. Maria C. Amaral foi recolhendo as mensalidades das sócias da Sociedade Auxiliadora dos Templos.  Realizaram ainda algumas eventos contando com a participação de moradores, que junto com as mensalidades recolhidas, foi empregada na construção da torre, forro e assoalho.
Esgotados esses recursos, paralisaram novamente as obras, até que alguns moradores abastados do Benfica, tendo à frente o Coronel José Gentil de Carvalho, fizeram valiosos donativos que permitiram a conclusão do templo.  



Ao longo dos anos a igreja passou por diversas reformas. A primeira ocorreu em 1927, pela adição dos corredores laterais na antiga capela, cujos gastos foram custeados em boa parte, pelo coronel José Gentil.

Em agosto de 1934, padre Guilherme Vaessen procedeu a segunda reforma e ampliação. A planta foi idealizada e executada pelo próprio padre Guilherme e pelo Dr. Armando Campello, engenheiro construtor. Iniciaram-se assim as obras de construção da sacristia, altar-mor e cripta. 

Essa reforma incluiu toda a estrutura interna do templo, de modo que toda a construção interior foi demolida, desde o teto até as colunas. Ficaram intactas a fachada, o coro e as paredes externas. Abriram-se quatro nichos para receber os futuros altares.


O altar em honra de N. S. de Fátima, existente numa das laterais da igreja, foi consagrado  no dia 10 de maio de 1958 por d. Expedito Eduardo de Oliveira. A imagem é esculpida em madeira e veio de Portugal. Os sinos da torre, um grande e um pequeno são de procedência francesa. 

o altar mor  era o mesmo da igreja anterior, que foi demolida internamente. A peça  de mármore importado da Itália, recebeu um aumento (retable) de mármore, novo sacrário e o trono de exposição



Entre 1940 e 1960 foram construídas pela Paróquia de N. S. dos Remédios as igrejas de Salete, Nazaré e São Raimundo, que depois de concluídas foram desmembradas, constituindo-se por sua vez, novas paróquias. Administrada pela Congregação dos Padres Lazaristas, fica na Avenida da Universidade, 2974, no Benfica.


fotos: Rodrigo Paiva
Fátima Garcia

fonte:
de Eduardo Fontes 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Coqueiro do Palácio

Por vários motivos certas árvores se tornaram famosas e outras curiosamente célebres, lembradas pela história ou pela tradição. Fortaleza teve as suas, que ainda não se perderam de todo na distância dos tempos. Uma dessas árvores foi o Coqueiro do Palácio.

O Coqueiro do Palácio, ou mais precisamente, do largo do Palácio pode ser considerada uma árvore política. Nasceu sob o signo do partidarismo e foi abaixo no calor duma reação partidária. A queda o imperialismo de D. Pedro fez vir à tona a rebeldia de 1817 e 1824. 
No dia 13 de maio de 1831, mais de um mês depois, é que chegou a Fortaleza a noticia da abdicação, vinda a bordo do brigue inglês Atlas, dando conta de que o povo do Rio de Janeiro, já não podendo mais suportar o jugo do partido recolonizador, pegou em armas, e sem derramar uma gota de sangue, fizeram baquear o partido, protegido de D. Pedro I, que abdicou da coroa em favor do seu filho Pedro II. 

Esta é uma das raras fotos da atual Praça general Tibúrcio quando ainda era Largo do Palácio, em 1856. No mesmo ano passou a ser chamado Pátio do Palácio e posteriormente, Praça do Palácio. Com a colocação da estátua do General Tibúrcio, passou a se chamada pelo nome desse herói da Guerra do Paraguai. (acervo Marciano Lopes)

Praça General Tibúrcio em 1912, pouco antes da reforma promovida pelo intendente Ildefonso Albano (arquivo Nirez)

As comemorações duraram três dias, com reuniões em Palácio, tiros de artilharias, cânticos patrióticos. Entre todos os festejos, uma solenidade inédita: João Carlos da Silva Carneiro plantara um coqueiro no Largo do Palácio para servir de memória ao glorioso fato. Nesse mesma noite, o povo destrói no Campo da Pólvora (Passeio Público), a forca mandada armar em 1825 para suplício dos participantes da Confederação do Equador. Repetia-se assim, em terras cearenses, o que fizeram os revolucionários franceses de 1879, plantando árvores da liberdade, que ornavam de flores e fitas com as cores nacionais.
  
 Praça dos Mártires (Passeio Público), antigo Campo da Pólvora 

 Também o coqueiro da liberdade se engalava nas horas de contentamento. Em 1840, quando Alencar, na sua segunda gestão voltava de Sobral, onde fora debelar, focos de desobediência comandada Francisco Xavier Torres, os seus correligionários enfeitaram a árvore simbólica com bandeiras, e à noite, iluminando-a profusamente.


Aparência atual da Praça General Tibúrcio

Mas em 1841, o jogo político mostrava o seu reverso. O fracasso do Gabinete da Maioridade e a consequente vitória dos conservadores  refletiu-se no Ceará com a demissão de José de Alencar. O acontecimento exalta os ânimos, e quem vai pagar o preço é o coqueiro da liberdade, derrubado a golpes de machado, dizem, pelo mesmo João Carlos da Silva Carneiro, que também se chamou João Carlos da Silva Jataí e foi sogro do Boticário Ferreira, um dos membros mais prestigiosos da facção que surgia.
Muito se censurou a covardia do gesto, já que nada fizera a bela palmeira para merecer a afronta. Mas os desvairamentos político-partidários tocam, não raro, os limites do absurdo e do ridículo. 

fotos de Fátima Garcia
Extraído do livro
Geografia Estética de Fortaleza, de Raimundo Girão