quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Tony's Bar e a Praia de Iracema dos anos 50

 

Nos anos 50 a Praia de Iracema já era reconhecida como área de lazer, com inúmeros restaurantes, bares, cabarés, boates e outros estabelecimentos ligados à prestação de serviços e à diversão. E os estabelecimentos se destinavam não só aos boêmios e noctívagos que enchiam as ruas do bairro, mas também aos frequentadores das praias e clubes das imediações.


Tony's Bar vizinho ao Iracema Plaza Hotel (foto Aba-Film/Arquivo Nirez)

Um desses estabelecimentos, bastante conceituado e bem frequentado era o Tony’s Bar, que também era restaurante e sorveteria. O proprietário era Antônio Montenegro Figueiredo, conhecido por Figueiredão, por ser alto e gordo. O dono do Tony’s era auxiliado por seu filho Marco Polo na gerência do lugar e costumava dirigir seu próprio carro, um modelo importado bastante antigo, que sequer tinha buzina. O Figueiredão afastava os pedestres que estavam no meio da rua, batendo na porta do carro, com a mão do lado de fora. Ninguém ignorava. Aos domingos o Tony’s tinha uma freguesia cativa para saborear o caldo que tirava a ressaca da farra da noite anterior.

Na década de 60 muitos cantores se apresentaram no Tony’s, que também funcionava como casa de shows e trouxe grandes atrações da época para a Praia de Iracema: Cauby Peixoto, Orlando Dias, Núbia Lafayette. O palco ficava do lado direito, vizinho ao Iracema PlazaHotel. Nas noites de shows o povo lotava a calçada do hotel em razão da proximidade com o palco do Tony’s. Memorável foi um show contratado pelo Tony’s em 1964, onde a atração era ninguém menos do que Roberto Carlos, então no auge do sucesso e do movimento denominado Jovem Guarda, do qual Roberto era o Rei. A casa ficou lotada rapidamente e não comportava mais ninguém. Então formou-se uma multidão nas imediações, que  assistiu ao show em pé, da calçada do hotel e da avenida em frente.  

  

Mas o Tony’s ficou conhecido por causa de um trágico assassinato ocorrido em suas dependências no ano de 1959. A vítima foi um jovem chamado Vicente de Castro Neto, conhecido frequentador da área. Na noite de sábado, Vicente de Castro esteve na boate Guarani, na Rua Barão do Rio Branco acompanhado de uma namorada, uma bonita aeromoça da companhia aérea Cruzeiro do Sul e mais um amigo gerente da Brahma. A boate ficava nos altos de um sobrado e era considerada um estabelecimento de luxo, com orquestra e mulheres bem-vestidas. Como todas as mesas estavam ocupadas, o trio ficou em pé, aguardando que surgisse uma mesa.

Palacete Guarany, nos altos, onde funcionou a boate Guarany

De repente a namorada assustou-se e reclamou que um homem lhe aplicara um beliscão nas nádegas. Vicente de Castro, temperamental e com fama de valentão, partiu para cima do atrevido que insultara a namorada, e disse “respeite mulher de homem”, em seguida aplicou-lhe um violento soco no rosto.

O homem que apanhou na cara se chamava Joaquim Romero de Frias, funcionário do Banco do Nordeste. No dia seguinte, o bancário foi esperar Vicente de Castro no Tony’s, porque sabia que era costume dele ir lá aos domingos. As 9 horas Vicente chegou em companhia de sua namorada de Fortaleza, estacionou sua camionete e foi comprar Coca-Cola no Tony’s. Ele subiu as escadas e se dirigiu ao balcão. Quando se virou para sair recebeu vários disparos com arma de fogo e já caiu sangrando. 

Os tiros foram desferidos pelo bancário Joaquim Frias. Um amigo de Vicente de Castro que presenciou o incidente, colocou o ferido em seu carro e levou-o para o SOS que ficava na Praça do Coração de Jesus. Mas ele já chegou morto. O crime alcançaria grande repercussão, ocasionando um dos julgamentos mais memoráveis de Fortaleza. Frias foi absolvido no primeiro júri – a defesa alegara legítima defesa – mas a promotoria apelou e no segundo julgamento o réu foi condenado. Cumpriu pena na velha cadeia pública da Rua Dr. João Moreira, que hoje abriga a Encetur.

O Tony’s Bar continuou em atividade por toda a década de 60; tempos depois surgiu no local a Boate Veleiro.   

No bairro Cais do Porto, na região da Praia do Futuro tem uma avenida chamada Vicente de Castro, mas não identificamos nenhuma relação de parentesco com a vítima de assassinato.

  

Publicação Fortaleza em Fotos/extraído dos livros A Praia de Iracema dos Anos 50/Jaildon Correia Barbosa/Sábado Estação de Viver/Juarez Leitão/blog Fortaleza em Fotos.com.br Fotos do Arquivo Nirez



segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Os Casarões do Centro

 

A maioria foi demolido, virou estacionamento. Casarões em perfeito estado, carentes de manutenção, é fato, mas perfeitamente recuperáveis. Uma mão de tinta, um remendo no piso, uma correção na fiação elétrica, uma atualizada nas instalações sanitárias, a conservação correta do teto, e pronto. A maioria dos poucos sobreviventes foram construídos em fins do século XIX/primeira metade do século XX. Os materiais empregados, eram importados (louças, pisos, telhas, madeiras, sacadas de ferro, azulejos etc.), e já não são mais empregados nas construções modernas. Tampouco existem peças de reposição disponíveis no mercado. As tintas também eram escassas pelo menos nas cores. Usava-se o cinza nas residências e amarelo nos prédios públicos.  


casarão da Família Gondim: demolido

segunda sede da Fênix Caixeiral: demolida 

Casarão da família de Joaquim Miranda, ultimamente Casarão dos Fabricantes: destruído num incêndio


Esses materiais de acabamento não eram produzidos no Ceará, daí a necessidade de importação deles. Aqui se fabricavam tijolos em quase todo o Estado, enormes, bem-feitos, ligados com massa de areia, cal de ostras e óleo de baleia quando em zonas de praia. Nessa arquitetura do tijolo, entretanto, verificou-se insistência do emprego da argamassa de barro e areia, cujos resultados tantas vezes negativos, punham em risco boa parte das obras, que se rachavam, ora sob o peso dos telhados, ora por acomodação do solo, ocado por formigueiros. Essa particularidade construtiva, comum em outras regiões do País, era notada pelos visitantes, que denunciavam as condições aparentemente pouco estáveis de igrejas, edifícios públicos e moradas de gente importante. Essa técnica de fabricação pode ter sido responsável pela perda de muitos imóveis antigos.  

A arquitetura também é típica daquele período, fachadas rebuscadas, com entalhes, relevos, pórticos, soleiras, lajes com pedra de lioz, importada de Lisboa. Os construtores eram verdadeiros artesãos, com figuras e acabamentos feitos à mão, caprichosamente desenhados, reproduzidas de plantas adquiridas no Velho Mundo. Os ornamentos internos falavam de seus moradores: políticos (sim, sempre foram ricos) ou homens em sua maioria enriquecidos com os lucros do algodão, das fazendas de café, e do comércio, portadores de títulos de nobreza, com título e brasão assinalados nas portas das residências.

Os belos casarões estão sumindo do centro de Fortaleza. O esvaziamento e a falta de novos empreendimentos ou propostas para requalificação da área, contribuem fortemente para essa cultura de apagar o passado. Para incentivar a recuperação e a ocupação, o governo municipal poderia conceder algum incentivo fiscal como a isenção de IPTU ou oferecer parceria na recuperação por um determinado período. Mas sem incentivo, sem interesse, sem valor comercial, muitas vezes produtos de heranças, com vários herdeiros, os imóveis acabam sendo demolidos. Mais fácil, mais barato, menos complicado.

Dos que ainda sobrevivem, ainda que só restem os traços da fachada está a antiga mansão da família Távora, em pleno centro da cidade na esquina das ruas Sena Madureira e Visconde de Saboia. Construído pelo coronel José Pacífico, rico cafeicultor da Serra de Baturité para sua filha Cândida. No velho casarão cinzento da Praça dos Leões nasceu o ex-governador Virgílio Távora, no dia 29 de setembro de 1929, filho de Carlota Augusta de Moraes (filha de Cândida) e do Dr. Manuel do Nascimento Fernandes Távora, militante do movimento tenentista do final da República Velha e plantador de café do Maciço de Baturité.


imagem Marciano Lopes
fachada do Solar dos Távora
a frente do imóvel é parcialmente encoberta por essa estrutura preta que piora a aparência e enfatiza o ar de decadência. 


A fachada como era comum às construções de fins do século XIX/início dos XX exibia inúmeras janelas guarnecidas de sacadas e portas de ferro. As linhas arquitetônicas eram exuberantes com figuras em relevo e arcos de meia volta.  A decoração interior do solar era das mais requintadas, com a utilização de objetos importados da Europa e do Oriente. Hoje, totalmente descaracterizado é utilizado em parte por uma loja de materiais de construção. A outra parte, inclusive a parte que contém um primeiro andar, está desativada e com a fachada preservada. As portas do andar inferior foram fechadas, talvez para evitar ocupações ilegais do imóvel.    

Outro imóvel de grande relevância histórica é o Palacete Carvalho Mota, na esquina das ruas Pedro Pereira com General Sampaio. O casarão foi construído em 1907 para residência da família do coronel Antônio Frederico de Carvalho Motta, comerciante ligado ao comércio de exportação presidente do Banco do Ceará, mais tarde Deputado Estadual; ocupou o cargo de 3° vice-presidente do Estado e chegou o ocupar o cargo de governador de 24 de janeiro a 12 de julho de 1912.



Palacete Carvalho Mota - imagem IPHAN




O palacete está situado na antiga Rua da Cadeia, atual General Sampaio esquina com a Pedro Pereira, em terreno medindo cerca de 700 m². Possui estilo eclético, numa mistura de elementos neoclássicos e art nouveau. Tem dois andares com janelas e portas em arco batido. A família ficou pouco tempo no local em razão de uma tragédia familiar.


Ao longo dos anos o palacete abrigou as instalações da IFOCS, posteriormente DNOCS, vindo a ser desocupado, apenas, ao final da década de 70 com a construção da nova sede da Diretoria Regional no Ceará. Em 1983, o imóvel foi restaurado com base em projeto elaborado pelo IPHAN, para a instalação do Museu das Secas, o qual abrigaria o acervo da instituição. Sem a devida manutenção o Museu das Secas que viria a ocupar uma área relativamente pequena do prédio, terminou por não ter condições de atender ao público que buscava visitá-lo. Ainda sobreviveu entre 1985 e 2004. Depois disso o prédio ficou desocupado, e desde então, está fechado. Hoje é um casarão triste e degradado.  

 

Fontes:

Mansões, Palacetes, Solares e Bangalôs de Fortaleza, de Marciano Lopes. ABC. Fortaleza.2000.

História Abreviada de Fortaleza e Crônicas sobre a Cidade Amada. Mozart Soriano Aderaldo. Fortaleza;/ UFC/Casa de José de Alencar, 1998.  

Virgílio Távora e a transição para o desenvolvimento do Ceará, de Juarez Leitão. Revista do Instituto do Ceará – 2013

Arquitetura no Ceará. O século XIX e algumas antecedências. José Liberal de Castro. Revista do Instituto do Ceará – 2014

http://www.fortalezaemfotos.com.br/2020/01/carvalho-mota-o-homem-por-tras-do.html

fotos acervo Fortaleza em Fotos



sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

A Execução de Chesmann e a repercussão em Fortaleza

 

Uma execução na câmara de gás, ocorrida no dia 2 de maio de 1960, no estado americano da Califórnia, nos Estados Unidos, causou tremenda comoção em todo o Brasil, atingindo inclusive Fortaleza. O condenado à pena de morte chamava-se Caryl Chesmann, tinha 39 anos quando morreu e foi acusado de assaltos, furtos e estupros. Era chamado de “bandido da luz vermelha”, porque usava um automóvel de cor clara, e colocava uma luz vermelha no teto, simulando uma viatura da polícia, e assim abordava jovens casais, que não tinham tempo de fugir ou esboçar uma reação. O suspeito era dono de uma extensa ficha criminal, com registro de crimes e infrações cometidas desde a adolescência. Na vida adulta passou boa parte de seu tempo nas prisões de Los Angeles. Ficou em regime de liberdade condicional até ser novamente preso em janeiro de 1948, agora sob acusação de ser o bandido da luz vermelha, um temido estuprador que roubava e molestava suas vítimas.


Num julgamento considerado parcial e cheio de falhas, sem provas contundentes, baseado numa confissão em que o acusado alegava ter sido torturado, e no depoimento de duas testemunhas, Chesmann foi condenado à pena de morte. A polêmica já começou a partir desse ponto, porque Chesmann não era acusado de assassinato, portanto não era caso de pena de morte. Começou ali uma batalha jurídica que durou 12 anos, rendeu 10 apelos, inúmeras apelações à Suprema Corte, 16 recursos a tribunais secundários 9 decisões proferidas pelo Superior Tribunal da Califórnia.  Na prisão Chesmann dispensou advogados e fez sua própria defesa. Estudou direito, tornando-se um especialista na área penal e escreveu quatro livros: 2455 – Cela da Morte; A Lei Quer Que Eu Morra; A Face Cruel da Justiça; O Garoto era um Assassino (romance). Todos transformaram-se em best-sellers internacionais.



A sentença foi adiada por 7 vezes. Afinal tudo foi em vão. Caryl Chesmann foi executado na câmara de gás, no presídio de San Quentin, na Califórnia. A morte na câmara de gás era um método cruel e demorado. De acordo com reportagens da época, o condenado sobreviveu por longos 9 minutos, se contorcendo e gritando, desde o início do processo que começou com a colocação das pastilhas do gás letal, às 14:03 e terminou com a constatação de que o homem estava morto às 14:12 horas. A anunciada execução de Chesmann provocou um debate mundial em torno da pena de morte, dos critérios do julgamento e desencadeou um clamor pela clemência do presidente dos Estados Unidos, que nunca foi concedida.


Enquanto isso em Fortaleza...


O radialista Peixoto de Alencar, então em grande evidência nos microfones da Rádio Dragão do Mar, promoveu uma campanha popular em busca de assinaturas para um enorme abaixo-assinado que seria entregue ao presidente Dwigh Eisenhower, que estava com uma viagem agendada para o Brasil. Segundo se informava, o avião presidencial faria uma escala técnica em Fortaleza.


prédio da Assembleia Legislativa

A possível estadia do presidente, ainda que breve, animou os defensores da ideia. Peixoto e companheiros de imprensa, numa camionete da “Dragão do Mar” percorriam as ruas da cidade em todas as direções, coletando apoio da população ao movimento “Chesmann não deve morrer”.  A campanha foi um sucesso. Em poucos dias foram colhidas milhares de assinaturas, reunidas em numerosos volumes para o devido encaminhamento ao presidente norte-americano.

Tudo pronto para a solenidade, eis que chega a mais nova informação: o voo de Eisenhower não faria mais escala em Fortaleza. E chegou-se à conclusão que remeter todos aqueles pacotes à Casa Branca chegaria fora de tempo, ou seja, tarde demais para Chesmann, que vivia seus últimos momentos no corredor da morte em San Quentin.


prédio da Rádio Dragão do Mar (imagem Marciano Lopes)

Foi então que a coisa começou a se desenhar como mais uma página das histórias folclóricas, nascidas em nossa cidade: o vereador José Diogo da Silveira, apresentou uma mensagem na Câmara Municipal, que foi aprovada por unanimidade, através da qual o vereador se oferecia ao governo americano para morrer na câmara de gás no lugar de Chesmann. Argumentava que era um homem já alquebrado, podia ser sacrificado em favor da sobrevivência de um jovem que muito ainda poderia fazer, no Direito e pela humanidade.

Os jornais de Fortaleza abriram grandes reportagens – “Zé Diogo quer morrer no lugar de Chesmann”. O assunto virou destaque, formando-se grupos favoráveis e contrários à ideia de José Diogo. Como se não bastasse, despontou a figura de Edmundo de Castro – Dedé de Castro – jornalista irreverente, sarcástico, típico daquela imprensa de então. Dedé elaborou um manifesto, assinado por inúmeros jornalistas e intelectuais da terra, formalizando o apelo ao presidente Eisenhower no sentido de que fosse aceito o oferecimento de José Diogo.

O apelo publicado nos jornais da cidade, foi mais uma das artes praticadas pelo atuante “Ceará Moleque” naqueles anos finais dos anos 50/início dos anos 60.  

 

 

Fontes consultadas:

Paulo César Dutra - Caryl Chessman:O Bandido da Luz Vermelha. Disponível em <https://www.folhadiaria.com.br/materia/69/2413/paulo-cesar-dutra/caryl-chessman-o-bandido-da-luz-vermelha>

Luiz Roberto da Costa Júnior – Chesmann um inocente executado na Câmara de Gás. Disponível em <https://www.recantodasletras.com.br/artigos-de-politica/6934684>

https://memoria.bn.br/pdf/386030/per386030_1960_00345.pdf

Blanchard Girão – Sessão das Quatro cenas e atores de um tempo mais feliz. ABC Fortaleza – 1998.

imagens da Internet

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Porto Canoa o Resort abandonado de Aracati

 



A promessa é que seria um megaempreendimento à beira-mar, no aprazível litoral de Aracati, nível internacional, com capacidade para receber até 1.100 pessoas. O projeto contava com salão de convenções, auditório com capacidade para 130 pessoas, salas de apoio para a realização de eventos, dois restaurantes, parque aquático, piscinas, lojas, um hotel resort 5 estrelas com 166 apartamentos, uma pousada com 20 apartamentos e três condomínios num total de 96 apartamentos.

O local denominado Porto Canoa foi inaugurado em 1996, com boa parte construída, iniciativa do empresário Clodomir Girão e aporte de capital de sócios estrangeiros. Seria o primeiro grande empreendimento hoteleiro de Canoa Quebrada, mais próximo, porém, da Praia de Majorlândia.  O projeto se arrastou por 10 anos, sem se estabilizar. Os investimentos ficaram escassos e houve debandada dos investidores estrangeiros. O resort nunca chegou aos 100% de ocupação e decaiu mais ao longo do tempo. O Porto Canoa mostrou-se um retumbante fracasso.

Hoje quem passa no sentido Leste a partir de Canoa Quebrada em direção a praia de Majorlândia se depara com os restos da construção: a parte do empreendimento que corresponde ao condomínio de apartamentos adquiridos por particulares, ainda está lá. São três blocos de apartamentos de tamanhos variados, regularmente ocupados, geralmente no sistema de aluguel por temporada, em local isolado, com praia privativa, mas sem acesso, sem infraestrutura por perto, e bem longe dos atrativos da famosa Vila de Canoa Quebrada.

O resto é abandono. As únicas vizinhas são as ruínas e a solidão. A começar pelo acesso pela praia ao resort, uma via em mau estado, cheia de mato, deserta e solitária. À noite, é de se esperar que a escuridão tome de conta. (tem acesso também pela CE 371). As ruínas das construções ficam dos dois lados da estrada, prédios, piscinas, colunas, pisos, azulejos, testemunhas do enorme desperdício de recursos empregados no malogrado projeto hoteleiro, que pretendia ser o maior da região.

De bom e bonito, restam a paisagem natural, o mar verde esmeralda de Aracati, as belas praias e alguns coqueiros, que felizmente não dependem nem dos recursos nem da (falta de) competência de nenhum empreendedor, e continuam formosas. Apesar deles.  


 






Fotos e vídeos: Fortaleza em Fotos nov/2023

sábado, 7 de outubro de 2023

Colégios Antigos – Doces Lembranças

 

A escola é certamente o primeiro relacionamento sério da vida de alguém, um relacionamento que cobra responsabilidade, exige comprometimento. Em troca, abre portas com tantas possibilidades, que a jovem imaginação de uma criança sequer havia sonhado. É o lugar onde se passa mais tempo, depois da casa paterna. As escolas deixam marcas, lembranças inesquecíveis, a maioria boas, que ficarão para sempre no imaginário e nos ensinamentos que levamos pela vida afora. Por isso, é tão desanimador constatar que sua escola, o seu lugar de memória mais representativo, não existe mais. Algumas dessas escolas:   

Colégio Brasil

Colégio Brasil na Rua Dona Leopoldina. foto do Anuário do Ceará

Criado nos anos 60, por iniciativa do professor Amadeu Arraes, o Colégio Brasil iniciou as atividades com apenas 63 alunos, distribuídos em 2 salas de aula, em prédio alugado, localizado na Rua Rodrigues Júnior, 384. Na década de 70 contava com 1500 alunos e funcionava em prédio próprio, na Rua Dona Leopoldina, 480. A nova sede tinha 3 pavimentos, 21 salas de aula, 4 laboratórios, biblioteca e cursos de língua estrangeira e educação artística.  

Colégio São José

funcionava na Avenida Visconde do Rio Branco, 1257, ao lado do Parque da Liberdade (Cidade da Criança). Foi autorizado a funcionar como colégio pelo Decreto nº 17.700, de 30 de janeiro de 1945. Até então era o Ginásio São José.

Colégio Nogueira

Localizado na Praça do Carmo esquina com a Rua Barão do Rio Branco. Foto Arquivo Nirez

No início das atividades funcionava na antiga residência de Meton de Alencar, na Rua General Sampaio, ao lado da Casa Juvenal Galeno, com a denominação de Externato Pedro II, de Francisco Gonçalves. A partir de 1918, passou a chamar-se Instituto de Humanidades, (Colégio Nogueira), criado pelo professor Joaquim da Costa Nogueira. O colégio destacou-se pelo revolucionário método didático, tornando-se o melhor e mais procurado educandário de Fortaleza. Tinha como lema na pedagogia da época, de ensinar não muito, mas ensinar bem, ensinar certo, levando o aluno por processos naturais e ensinamentos concretos, a formar juízo perfeito de cada uma das disciplinas professoradas na escola. Ficava na Praça do Carmo, esquina com a Rua Barão do Rio Branco, local onde depois esteve o Colégio Farias Brito.

Colégio Capital (Evolutivo)

Antes de se tornar uma unidade de uma das maiores organizações educacionais do Ceará, a Organização Educacional Evolutivo (que também já fechou), o prédio localizado na avenida Heráclito Graça, número 826, antes abrigou o Colégio Capital. A marca Evolutivo se tornou uma das mais conhecidas na educação cearense. O colégio chegou a ter nove sedes em seu auge e era conhecido por ter preços acessíveis comparados a outras instituições privadas, à época. Em 2012, o Evolutivo fechou as portas. Atualmente, no prédio que já foi Colégio Capital e Evolutivo Capital, funciona a Faculdade Ari de Sá.

Colégio Rui Barbosa

sala de aula do Colégio Rui Barbosa, com o professor Clodomir Teófilo Girão, no centro, com alguns de seus alunos, no ano de 1949. Foto Arquivo Nirez. 

O colégio Rui Barbosa foi inaugurado em 01 de maio de 1945, pelo professor Clodomir Teófilo Girão, instalado na Rua Senador Pompeu em prédio antes ocupado pelo Colégio Dom Bosco.  Mais tarde o colégio foi vendido, mudando-se para a Avenida do Imperador nº 372.

Colégio Nossa Senhora Aparecida

prédio onde funcionou a Escola Jesus Maria José e o Colégio Nossa Senhora Aparecida 2012 acervo Fortaleza em Fotos 

A Escola Nossa Senhora Aparecida foi fundada em 1963, pelo padre Valdemar Marques, na paróquia do Cristo Rei, funcionando da 5ª. a 8ª séries na qualificação de empregados domésticos. A partir de 1980 passou a funcionar no prédio localizado na Rua Coronel Ferraz, n° 120, no centro, construído para abrigar a Escola Jesus Maria José, destinada à educação de meninos pobres ou órfãos. Em 1987 criou os cursos pedagógicos, científico e profissionalizante, mediante convênio com o Senac e a UECE. A partir daí foi reconhecida como de utilidade pública pelo Conselho Estadual de Educação e manteve convênio com as Secretarias de Educação do Estado e do Município. Era administrada pela Paróquia da Catedral de Fortaleza.

Colégio Pio X

Fundada por Frei Mansueto em 1908. O prédio foi construído em terreno doado pelo padre João Augusto da Frota, na esquina sudeste do Boulevard do Livramento (atual Avenida Duque de Caxias) com a Rua Pero Coelho (atual Barão de Aratanha). Os recursos para construção foram obtidos por Frei Marcelino de Milão através de campanhas movidas pelas várias confrarias religiosas. Foi inaugurado em 5 de julho de 1908, mantido e dirigido pelos frades capuchinhos; era uma obra das vocações missionárias, misto e gratuito.  O prédio passou por reforma e ampliação em 1924, quando foi construído o segundo pavimento. Atualmente o imóvel está alugado a uma faculdade.

Colégio Padre Champagnat

Fundado em 14/09/1971, sob direção do professor Miguel Elpídio Dantas Silveira, encerrou as atividades em 2007. Funcionou inicialmente no prédio onde antes estivera o Cine Familiar, de propriedade dos padres franciscanos, depois vendido a Luiz Severiano Ribeiro, que fechou o cinema.  Depois abriu filiais em outros endereços. O nome era em homenagem ao padre Marcelino Champagnat, fundador da Congregação dos Irmãos Maristas.

Colégio Castelo Branco

O colégio Castelo Branco foi fundado no dia 1° de junho de 1900 com o nome de Instituto Miguel Borges, pelo professor Odorico Castelo Branco, na Rua Major Facundo, 156-B. Em 1910 mudou-se para a Rua Senador Pompeu, 24, depois mudou-se para a Praça Senador José Júlio (Praça do Coração de Jesus) onde permaneceu até a morte de Odorico, em 1921. Após o falecimento do seu fundador, o estabelecimento de ensino recebeu a denominação de Colégio Castelo Branco, teve seu patrimônio alienado à Arquidiocese de Fortaleza e mudou-se para a Avenida Dom Manuel no final da década de 1930.

Escola Alba Frota/Cidade da Criança

foto da Internet

A escola foi fundada em 26 de maio de 1937, pelo prefeito Raimundo de Alencar Araripe (1936/1945) com a denominação de Serviço de Educação Infantil, composto de duas seções: Jardim da Infância (para crianças de 3 a 6 anos) e Parque Recreativo (crianças de 7 a 14 anos), transformando o Parque da Independência em Cidade da Criança. A primeira diretora foi a professora Zilda Martins Rodrigues. Em 1967, por sugestão da escritora Rachel de Queiroz a nome da escola foi mudado para Alba Frota, ex-professora e diretora da escola entre 1946 e 1954. Em 1966 foi construída uma nova escola na Avenida Dom Manuel, em melhores instalações, junto ao Parque Pajeú.

Colégio Juventus

Fundado em fins dos anos 60, situado na Rua João Siqueira, bairro Joaquim Távora. Foi extinto em 2008, a pedido do seu diretor, Padre Gotardo Thomaz de Lemos.

Colégio Fênix Caixeiral

primeira sede da Fênix Caixeiral na Rua Guilherme Rocha esquina com a Rua General Sampaio. acervo Instituto do Ceará 

Um dos estabelecimentos de ensino mais tradicionais de Fortaleza, a Fênix Caixeiral surgiu como escola de comércio, inaugurada em 24 de junho de 1905, na esquina da Rua General Sampaio com a Guilherme Rocha. O palacete com um andar superior e um porão tinha o acesso voltado para a atual Praça José de Alencar. Como o palacete logo se tornou pequeno para abrigar as diversas dependências da associação e a sua escola de comércio, a instituição iniciou a construção de uma casa maior, no terreno da Rua 24 de maio esquina com a Rua Guilherme Rocha, onde estivera a residência do Comendador Antônio Nogueira Pinto Acioly. A segunda sede ficou em poder da Fênix até a década de 1970, quando a instituição a vendeu e mudou-se para a Avenida do Imperador.

Grupo Escolar Rodolfo Teófilo

em 1923 ano da inauguração. Foto Nirez

O Grupo Escolar Rodolpho Teófilo foi instalado em 2 de janeiro de 1923, projeto do arquiteto José Gonçalves da Justa, no bairro Benfica, atual Avenida da Universidade. Inicialmente era chamado de Grupo Escolar do Benfica, depois passou a denominar-se Grupo Escolar Rodolfo Teófilo. Em 20 de agosto de  1956, o estabelecimento de ensino foi transferido para outra rua próxima, e o prédio passou a abrigar o Museu Antropológico e o Instituto do Ceará.   Depois de sucessivos usos, como o Museu Antropológico e o Instituto do Ceará, hoje o prédio abriga a Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade da Universidade Federal do Ceará. Os Grupos Escolares foram extintos nos primeiros anos da década de 1970, substituídos paulatinamente pelo sistema de ensino de 1° Grau determinada pela Lei n. 5.692/71, durante o regime militar, na gestão do presidente Emílio Garrastazu Médici.


Veja mais sobre os antigos colégios: 

http://www.fortalezaemfotos.com.br/2017/05/colegios-desativados-de-fortaleza.html

http://www.fortalezaemfotos.com.br/2014/04/antigos-colegios-de-fortaleza.html