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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Os Patronos da Educação em Fortaleza

 

Geralmente a escolha dos nomes das escolas públicas envolvem homenagens a educadores, figuras históricas ou personalidades relevantes para a comunidade. O nome ideal deve ser fácil de lembrar, transmitir o diferencial da escola, e ser único para evitar confusões com outras instituições. As escolas de Fortaleza não fogem a regra, com predomínio de em nomes de educadores e políticos. 

Professores – Intelectuais

EM Professor José Valdevino de Carvalho – R. Guará, 98, bairro Parangaba


José Valdevino (Valdivino) de Carvalho (1911–1987) foi professor, poeta, escritor e acadêmico cearense. Graduado em Direito, foi professor de Português e Francês, destacando-se no magistério. Membro da Academia Cearense de Letras.

EM Manuel Lima Soares – Rua Cento Trinta, 60 - Parque Dois Irmãos

Manuel Lima Soares (1923–1990) professor, intelectual, jornalista e político cearense, radicado em Fortaleza. Atuou como vereador, redator e ocupou cargos na Secretaria de Educação do Ceará, sócio efetivo do Instituto do Ceará.

EMEIF Thomaz Pompeu Sobrinho – Rua José Meneleu, 531 – bairro Itaperi

Thomaz Pompeu de Sousa Brasil Sobrinho nasceu em Fortaleza em 1880. Formou-se em engenharia pela Escola de Ouro Preto, MG, com atuação em várias obras públicas. Foi membro efetivo do Instituto do Ceará e membro da Academia Cearense de Letras. Faleceu em 1967.  

EEFM Joaquim Alves – Rua Estado do Rio, 955 – bairro Demócrito Rocha

Joaquim Alves de Oliveira foi historiador, nascido em 1896. Membro efetivo do Instituto do Ceará, fundador da Sociedade Cearense de Geografia e História, e membro da Sociedade Brasileira dos Amigos de Astronomia e do Instituto do Nordeste.

EEEP Joaquim Moreira de Sousa – Rua Caio Prado, 2 – bairro Parangaba

Joaquim Moreira de Sousa foi diretor Geral da Educação no Ceará, cargo que ocupou entre 1933 e 1936. Ao ser exonerado, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.

EMEIF Waldemar Barroso – Rua Cônego Lima Sucupira, 410 – bairro Serrinha

Waldemar Barroso de Souza Cordeiro nasceu em 1909, em Trairi-Ce. Foi juiz de direito em diversas comarcas quando se aposentou em 1961. Faleceu em Fortaleza em 1997.

EMTP Cláudio Martins – Rua Barão de Canindé S/N – Bairro Montese

Foi advogado, escritor, poeta e professor cearense, além de ter sido Presidente da Academia Cearense de Letras. Foi Secretário de Estado e titular das pastas da Fazenda e Educação. Nasceu em Barbalha em 1910 e faleceu em Fortaleza em 1995

EMTI Professora Antonieta Cals – Rua Monsenhor Salazar, 1480 – Bairro Tauape

Maria Antonieta Cals de Oliveira, educadora cearense, primeira mulher a gerir a Secretaria de Educação do Estado do Ceará. Pedagoga formada pela Uece, ela foi secretária de educação municipal e estadual, além de presidente do Conselho Estadual de Educação. 

EEEP Professor Joaquim Antônio Albano – Rua Júlio Siqueira, 390 – bairro Dionísio Torres

O Professor Joaquim Antônio Albano foi um educador e figura notável em Fortaleza, cujo legado é perpetuado na educação estadual.

EEFM Professor Jader Moreira de Carvalho – Rua Heloísa Ferreira Lima, 420 – Bairro Serrinha

Jáder Moreira de Carvalho (1901–1985) intelectual que atuava como professor, jornalista, advogado e escritor modernista, autor de romances como "Aldeota". Fundador do jornal Diário do Povo e membro da Academia Cearense de Letras. 

EMTI Professor José Júlio da Ponte – Rua Mario de Andrade s/n Bela Vista

José Júlio da Ponte Filho (1935–2013) agrônomo, pesquisador e professor emérito da Universidade Federal do Ceará, referência nacional em Fitopatologia. Pioneiro no uso de alternativas naturais a agrotóxicos, e pela pesquisa com manipueira no combate a pragas.

EEMTI Professora Adalgisa Bonfim Soares – Avenida Penetração Norte, 150 – bairro Conjunto Esperança

Adalgisa Bonfim Soares (1921–1979) foi uma educadora cearense, nascida em Redenção, Ceará, reconhecida por sua brilhante trajetória profissional no magistério.

EMTI Filgueiras Lima – Avenida dos Expedicionários, 3910 – bairro Jardim América


Antônio Filgueiras Lima (1909/1965). Educador, poeta e político cearense, fundador de diversas escolas e defensor da pedagogia funcional no Ceará. Fundou o Colégio Lourenço Filho e atuou como Secretário de Educação e Saúde do Ceará.

EEEP Joaquim Nogueira – Rua Moreira de Sousa, 327 – bairro Parquelândia



Joaquim da Costa Nogueira (1866-1935) foi um educador, diretor de colégios, fundador do Instituto de Humanidades em 1904, e editor de livros didáticos em Fortaleza, reconhecido por sua dedicação ao ensino e à educação do Ceará.   

EMEIF Professora Maria Odnilra Cruz Moreira – Avenida das Adenanteras, 800 – bairro Cidade 2000

Maria Odnilra Cruz Moreira nasceu em Juazeiro do Norte, CE, em 1922. Exerceu o magistério em várias unidades escolares, das redes municipal e estadual exercendo os cargos de professora e vice-diretora. Faleceu em 2001.

EMTI Professora Maria José Ferreira Gomes – Rua Cônego de Castro, 8617 – Bairro Parque Presidente Vargas

Maria José dos Santos Ferreira Gomes foi professora e educadora brasileira.  Atuou no Colégio Sant'Ana e no Dom José Tupinambá da Frota em Sobral. Faleceu em 2015, aos 86 anos.

EMEIF Ismael Pordeus – Rua Desembargador Faustino Albuquerque, 511 – bairro Jardim das Oliveiras

Ismael de Andrade Pordeus (1912–1964) historiador, pesquisador e sócio do Instituto do Ceará. Atuou como técnico de pesquisas no Arquivo Público e publicou diversas obras sobre fatos históricos. 

EMEIEF Mozart Pinto – Rua Jorge Dumar, 2078 – bairro Jardim América

Mozart Pinto Damasceno foi professor, conferencista, musicólogo, nascido em Canindé, em 1886. Membro da Academia Cearense de Letras e professor do Colégio Militar de Fortaleza e da Escola Normal. Faleceu em 1948.

EEEP Dona Creusa do Carmo – Avenida Sargento Hermínio, 2006 – bairro Monte Castelo


EM Creusa do Carmo Rocha – Rua Duas Nações, 1055 –bairro Granja Portugal


Creuza do Carmo Rocha (1897-1974) foi diretora-presidente do jornal O Povo, casada com Demócrito Rocha.


Religiosos

EMEIF Dom Manuel da Silva Gomes – Rua Samuel Uchoa, 550 – Bairro Bom Futuro




Dom Manuel da Silva Gomes (1874–1950) primeiro Arcebispo Metropolitano de Fortaleza entre os anos de 1915 a 1941. Nascido em Salvador, atuou ativamente na assistência social durante a seca de 1915 e impulsionou a criação das dioceses de Crato, Sobral e Limoeiro do Norte. 

EM Padre Felice Pistone – Rua Júlio César, 1810 – bairro Damas

Padre Felice Pistone foi um sacerdote católico, italiano, associado à congregação Sagrada Família de Nazaré, conhecido no Brasil por seu trabalho na educação e assistência social.  Está ligado ao desenvolvimento de ações voltadas a crianças e adolescentes, no contexto da expansão dos Colégios Piamarta no Brasil, que teve início em 1957.

EEFM Padre Rocha – Rua Coronel Alves Teixeira, 525 – bairro Joaquim Távora

Antônio Cândido da Rocha (1854-1932), Padre Rocha para os seus conterrâneos, padre, orador, jornalista, professor, Deputado Provincial e Constituinte, Diretor da Escola Normal de Fortaleza e Dramaturgo nasceu em Jaguaruana.


Escritores

Escola Municipal Antônio Sales – Rua Tavares Iracema, 675, bairro Rodolfo Teófilo

Antônio Sales foi poeta, romancista, jornalista e político cearense, reconhecido como um dos maiores nomes da literatura no Ceará. Nascido em Paracuru, destacou-se como fundador e líder da Padaria Espiritual.

CEJA Professor Moreira Campos – Rua Júlio Braga, 101 – bairro Parangaba


José Maria Moreira Campos (1914–1994) foi contista brasileiro, professor e membro fundador do Grupo Clã, fundamental na literatura cearense. Catedrático de Literatura Portuguesa, professor emérito da UFC, recebeu a Medalha da Abolição, destacando-se por contos traduzidos para diversos idiomas.


Políticos – Militares

EMTI Carolino Sucupira – Rua Mundica Paula s/n – bairro Itaoca

Carolino Cavalcante Sucupira foi um dos voluntários da Pátria, que se apresentaram espontaneamente para lutar na Guerra do Paraguai que durou de 1864 a 1870, obtendo a patente de Major durante o conflito. Depois da guerra fixou residência em Jundiaí (SP), onde faleceu em 1897.

EEFM – Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco – Rua Álvaro Fernandes, 913 – bairro Montese



EEMTI – Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco – Rua Irmã Bazet, 210 – Bairro Montese



Humberto de Alencar Castelo Branco (1897-1967) foi marechal do Exército brasileiro e o primeiro presidente do regime militar (1964-1985), governando de abril de 1964 a março de 1967. Nasceu em Fortaleza em 1897 e faleceu em 1967 em um desastre aéreo.

EEM – Adauto Bezerra – Rua Monsenhor Liberato, 1850 – bairro Fátima

José Adauto Bezerra de Menezes, militar, empresário e político brasileiro, governador do Ceará entre 1975 e 1978. Nasceu em Juazeiro do Norte em 1926 e faleceu em Fortaleza em 2021.

EEM Dr. César Cals – Avenida Domingos Olímpio, 1800 – bairro Farias Brito

César Cals de Oliveira foi fundador do Centro Médico Cearense e um dos seus presidentes no período de 1937 a 1944. Também foi Presidente do Sindicato Médico Cearense de 1940 a 1943 e da Fundação D. Libânia Holanda, de 1941 a 1944. Na política, foi Prefeito de Fortaleza, em 1930 e 1931.

EEM Figueiredo Correa – Rua Marechal Deodoro, 733 – Bairro Benfica

Joaquim de Figueiredo Correia (1920–2003) foi um político cearense, educador e advogado, atuando como deputado estadual, vice-governador do Ceará (1963) e deputado federal (1967-1981) pelo MDB. Conhecido por sua atuação na educação e na oposição moderada durante a ditadura militar.

EMEIEF Vicente Fialho – Rua Irmã Bazet, 193 – bairro Montese

Vicente Cavalcante Fialho foi prefeito de São Luís (MA), de 1969 a 1971 e prefeito de Fortaleza de 1971 a 1975 por indicação do governador do Ceará César Cals. Foi deputado federal e Ministro das Minas e Energia, professor e engenheiro, nasceu em 1938 em Tauá-CE e faleceu em Fortaleza em 2022, em Fortaleza.

EEMTI Deputado Paulino Rocha – Rua Professor José Silveira, 528 – bairro Passaré

Paulino Rocha (1933–1979) foi um famoso comentarista esportivo cearense, conhecido como "campeão de audiência", e político influente. Eleito deputado estadual no Ceará em 1974 e 1978 pelo MDB, destacou-se como incentivador da construção do estádio Castelão. Faleceu aos 46 anos em Fortaleza.   

EEM Dr Ubirajara Índio do Ceará – Rua 751 s/n Bairro Conjunto Ceará

Ubirajara Índio do Ceará (Quixadá, 1912 — Fortaleza, 1979) foi um destacado magistrado, político e integrante do movimento integralista no Brasil. Atuou como delegado do Ministério do Trabalho, procurador e presidiu o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT-7) no Ceará em 1970.

EMEIEF Paulo Sarasate – Rua Pedro Muniz, 250 – bairro Pan Americano

   

Paulo Sarasate Ferreira Lopes nasceu em Fortaleza em 1908 e faleceu no Rio de Janeiro em 1968. Foi advogado, jornalista e político brasileiro. Ocupou o cargo de Deputado Federal por quatro legislaturas e Governador do Ceará de 1955 a 1958.  

EEFM Félix de Azevedo – Rua Monsenhor Furtado, 757 – bairro Rodolfo Teófilo 

José Félix de Azevedo e Sá (1781–1827) foi militar e político brasileiro, nascido em Fortaleza. Atuou como presidente da província do Ceará em dois mandatos, de 1824 a 1826. Faleceu em Caucaia em 1827 aos 46 anos de idade.

EEEP Juarez Távora – Rua Ministro Joaquim Bastos, 747 – bairro Fátima

Juarez do Nascimento Fernandes Távora (1898-1975). Político e militar, Participou de vários movimentos revolucionários como a Revolta dos 18 do Forte, A Revolta Paulista de 1924, a Coluna Prestes em 1926, a Revolução de 1930 e a Revolução Constitucionalista.

EMEIEF Francisco Andrade Teófilo Girão – Rua Unidos Venceremos, 2040 – bairro   Passaré

Francisco Andrade Teófilo Girão foi um político cearense, eleito vereador de Morada Nova em 1970 e deputado estadual a partir de 1982. Atuou no parlamento em defesa dos municípios cearenses.


Fontes:

https://www.academiacearensedeletras.org.br/revista/revistas

https://www.institutodoceara.org.br

Jornal O Povo/Diário do Nordeste/Wikipédia/Prefeitura de Fortaleza/Governo do Estado do Ceará

Fotos Google/internet

terça-feira, 30 de junho de 2020

O Estilo Eclético da Igreja do Coração de Jesus


Naquele começo de tarde do dia 15 de março de 1957, o Sr. Júlio Pinto se aproximara da janela do seu escritório localizado no 6º andar do edifício jangada, na Rua Major Facundo com Senador Alencar, para conferir as horas com o grande relógio existente na torre da Igreja do Coração de Jesus. Eram pouco mais de 13 horas. Nesse exato momento, viu a torre desaparecer e uma espessa nuvem de poeira ocultar tudo – teria sido uma visão, um sonho? Perguntou-se incrédulo. Era verdade o que seus olhos viram, caíra a torre da igreja do Coração de Jesus.

 A Igreja do Coração de Jesus na forma original - 1913 - imagem: Revista FonFon 
Na década de 50, a torre agulha foi substituída por uma grande torre quadrada
para abrigar um conjunto de sinos. - imagem: Arquivo Nirez

Seu primeiro ato foi pegar o telefone e ligar para o “O Povo”, para o jornalista José Raimundo Costa, o primeiro a saber do fato, pela informação segura de um amigo. Por esta razão, e devido a proximidade, pois àquela época a redação do jornal funcionava na Rua Senador Pompeu, “O Povo” foi o primeiro a documentar a tragédia.

Logo a notícia do desabamento se espalhou pela cidade, levada pelas edições extraordinárias do noticiário radiofônico. E uma multidão foi se formando, de homens, mulheres e crianças, em torno da praça do Coração de Jesus. Vinham de todas as partes, de todos os bairros, todos queriam ver de perto o desmoronamento. Temia-se pela existência de vítimas, o que felizmente, não se confirmou. A polícia precisou cercar a área.


As bases da torre primitiva não resistiram às toneladas de concreto e a construção desabou sobre o corpo do templo. Era o dia 15 de março de 1957 - imagens O Povo e Arquivo Nirez 

Imediatamente, após o impacto da notícia, o governador Paulo Sarasate juntamente com a primeira dama Dona Albanisa Sarasate, compareceram ao local, solidarizando-se com o povo católico de Fortaleza. Dois dias após o fato, no dia 17 de março de 1957, já havia uma campanha em andamento para construção de uma nova igreja, e uma missa campal celebrada sobre os escombros, por frei Silvério de Calvairate selou o compromisso. A campanha só terminaria com a inauguração oficial da nova igreja, no dia 26 de novembro de 1961.

Da palavra à ação. A cidade já estava motivada para entender a motivação de reerguer o antigo local de sua veneração. Ao invés de reconstruírem a igreja, pois apenas a torre e parte da fachada fora afetada, os capuchinhos optaram por derrubar toda a igreja para construírem uma bem maior, com rampas para subida dos carros, uma torre vazada e uma grande cúpula sobre a nave principal.


Altar mor e cúpula romana - imagens Fortaleza em Fotos - 2011

No dia 15 de janeiro do ano seguinte, foi lançada a pedra fundamental da nova igreja, para a qual foi designado como construtor frei Francisco de Chiaravalle, com projeto de Emilio Hinko. O novo templo foi construído em estilo moderno, amplo, com abóbada lembrando os templos bizantinos. Tinha por características a arquitetura eclética, cúpula romana, imitando a Basílica de São Pedro, no Vaticano, torre lembrando o gótico. Do antigo templo foram conservadas as estátuas dos apóstolos, colocadas nas marquises da  frente e dos fundos.

Matéria publicada no “ O Povo” em 15 de setembro de 1978, dá conta de que ao escavarem os alicerces para a nova construção, em vez da pedra fundamental da Igreja do Coração de Jesus, encontrou-se apenas a pedra fundamental da pequenina capela de Nossa Senhora das Dores, que ali funcionou em época passada.



Interior da Igreja do Coração de Jesus - imagens Fortaleza em Fotos - 2011

Segundo o autor de "As pouco lembradas igrejas de Fortaleza", Eduardo Fontes, o estilo da nova igreja do Coração de Jesus não agradou aos que preferiam a antiga igreja, de linhas sóbrias, tradicionais, de torre branca. Muitos não aprovaram sequer a reforma realizada na torre primitiva da Igreja dos Albanos. A igreja que hoje se ergue no lugar da primeira não possui linhas arquitetônicas definidas. É uma igreja enorme, espaçosa, mas sem beleza. As portas da frente, de ferro, sem nenhum trabalho de fundição, lembram portas de armazéns ou de garagens. Nada indica que sejam próprias à igreja, pois são destituídas de estética. A enorme abóbada, revestida externamente de alumínio – herança da arte bizantina – destoa do restante do conjunto, de linhas retas, característico de construções modernas, da era do cimento armado


O novo templo foi inaugurado no dia 26 de novembro de 1961, pelo arcebispo de Fortaleza Dom Antônio de Almeida Lustosa, com a presença do governador Parsifal Barroso, do prefeito general Cordeiro Neto e do bispo de Carolina no Maranhão, Dom Cesário Minali.


fontes:
As pouco lembradas igrejas de Fortaleza, de Eduardo Fontes
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
Jornal O Povo 



domingo, 3 de novembro de 2013

Escola de Música Luiz Assunção -


prédio da Escola de Música Luiz Assunção, no centro de Fortaleza. A Escola de Música continua atraindo alunos, mesmo depois de 63 anos de atividades (foto de Rodrigo Paiva, para o blog Fortaleza em Fotos e Fatos)

Na Rua Solon Pinheiro, n° 60, bem em frente ao Parque da Criança, imprensada ali, entre o antigo prédio do IBEU, hoje transformado em estacionamento, e a ABCR (Associação Beneficente Cearense de Reabilitação), está a Escola de Música Luiz Assunção. O casarão foi construído em 1875 e está com tombamento provisório feito, através do decreto número 11.961, de 2006, pela Prefeitura de Fortaleza.
Em setembro, esse mesmo palacete completou 63 anos de portas abertas para a música. (desde 17 de setembro de 1950).  Bons tempos em que recebia a fina flor da burguesia fortalezense para celebrar a criação da Sociedade Musical Henrique Jorge, cuja finalidade precípua era manter a primeira Orquestra Sinfônica do Ceará.
De 1950 a 1979, as noites naquele pedaço de chão da cidade, as segundas, terças e sextas-feiras, eram tomadas pela elegância da música erudita, nacional e internacional, regida ao longo de 29 anos de resistência por nomes como Orlando Leite, Mozart Brandão, João Inácio e Cleóbulo Maia.

entrada do prédio da Escola de Música, construído em 1875

Em 18 de novembro de 1992, no Diário Oficial do Município, seu registro consta como Escola de Música Luiz Assunção, iniciativa do professor Jairo Castelo Branco, que mantém a escola “viva” até hoje, apesar de dificuldade financeira, e do estado precário em que se encontra a estrutura física do prédio. Mas tanto no seu passado de Sociedade Musical Henrique Jorge, como Escola de Música Luiz Assunção há fatos e episódios que não só ilustram o registro de nossas efemérides musicais, como também o descaso na preservação de nossos bens culturais.
A Sociedade à época de sua fundação, 1950, foi uma homenagem ao maestro da fase pioneira da nossa música, Henrique Jorge. Teve como aporte financeiro subvenção federal por iniciativa do seu filho, Senador Paulo Sarasate, que inclusive foi importante na aquisição do imóvel e dos instrumentos da Orquestra, importados da Alemanha, numa justa homenagem ao seu genitor que muito contribuiu para a formação musical de Fortaleza, fundando a primeira escola de música, em 1919: Escola de Música Alberto Nepomuceno que encerrou as atividades, com o seu falecimento,  em 1928.

detalhes internos do velho casarão

O velho casarão da Solon Pinheiro abrigou a nossa primeira Orquestra Sinfônica que antes tinha seus ensaios nas dependências no Parque da Liberdade (Cidade da Criança). Com a nova sede a Orquestra não só realizava seus ensaios, como também, foi palco de suas apresentações públicas para a sociedade da época. 
A Orquestra que teve também a iniciativa importante do músico Raimundo Vale, resistiu até os anos de 1970, e pouco a pouco foi perdendo sua motivação, por uma serie de circunstâncias, segundo o prof. Álvaro Moreno, ainda ativo no seu curso de canto lírico e popular, na Av. Treze de Maio, 2936.

dirigida por Jairo Castelo Branco, A Escola de Música segue oferecendo cursos de diversos instrumentos: além das aulas, o espaço, em situação preocupante, guarda parte da história da música cearense

A perda da verba federal, com a morte do Senador Paulo Sarasate, o comprometimento da estrutura física do imóvel que já era uma ameaça, a falta de renovação do elenco de músicos, em sua maioria com idade avançada, e certamente um gestor administrativo foram motivos suficiente para o fim da Orquestra e da Sociedade Musical Henrique Jorge.
Na lembrança ficaram nomes que pela força dos seus talentos, tão bravamente, sustentaram por algumas décadas a Orquestra: Raimundo Vale, Pedro Veríssimo, Frei Wilson, Avelino Telo, Aurélio Bezerra, José Arão Cisne, Josias Benício, Pianistas Sinhazinha Mota, Dina Piccinini, Maestros Joaquim Aristóteles, Vasquen Femanion, João Inácio da Fonseca, Cleóbulo Maia, Orlando Leite e outros. Álvaro Moreno cita o seu crescimento com o maestro Cleóbulo Maia, músico experiente que fez arranjos de músicas eruditas nacionais e internacionais, exigindo maior habilidade dos músicos, que se apresentaram em vários recitais públicos, como a homenagem ao governador Gonzaga Mota. 
A aproximação do maestro e prof. Orlando Leite à Sociedade Musical foi importante porque houve a apresentação do coral do Conservatório de Música Alberto Nepomuceno com a orquestra.

O imóvel, bastante desgastado tanto interna quanto externamente, precisa de reparos

Com o fim da orquestra e depois de alguns anos abandonado, o prédio volta à atividade, em 1982, numa iniciativa do prof. Jairo Castelo Branco que passou a administrá-lo como uma Escola de Música. Em 1992, numa homenagem ao seu parceiro nas serestas e casas de shows, muda o registro para Escola de Música Luiz Assunção. 
Professor Jairo detalha os dissabores ao reabrir o prédio que estava abandonado e tomado por indigentes que por lá pernoitavam, contribuindo ainda mais para a degradação do patrimônio. Valeu-lhe a recuperação dos 2 pianos que estavam abandonados e da parte interna da futura escola. Numa velha instante guarda o que restou da Orquestra Sinfônica: uma pilha de partituras manuscritas de arranjos de maestros, recuperadas por ele e Luiz Assunção, jogadas no quintal do imóvel.

durante a semana, a calçada e a fachada da Escola de Música, ficam tomadas de vendedores ambulantes, que encobrem a entrada e dificultam o acesso ao imóvel 

A escola continua funcionando, necessitando, urgentemente, de um reparo em sua estrutura física para evitar o pior: que fique soterrada em seus próprios escombros. Segundo consta no registro de tombamento da prefeitura de Fortaleza, processo nº.13/2006 está aguardando instrução de tombamento definitivo. Se há interesse na preservação desse espaço histórico e cultural de Fortaleza, urge uma visita ao local para projetar a sua recuperação, pois qualquer alteração no seu espaço físico, depende de autorização da Coordenação do Patrimônio Histórico cultural. 
Em sua parte interna mostra-se uma imagem em que suas dependências, lentamente, vão se esvaindo em destroços, por conta do descaso de uma política que resguarde o patrimônio histórico e cultural de nossa cidade. E assim mais um capítulo da história de Fortaleza vai se extraviando, perdendo-se no tempo, sem que uma ação restauradora possa recuperá-lo.


fotos do Diário do Nordeste
fontes:
Jornal do Comércio do Ceará, disponível em 
Jornal Diário do Nordeste, disponível em