Mostrando postagens com marcador corrupção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corrupção. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Ética Política ou Lugar de Dinheiro Sujo é na Cueca


O termo ética vem do grego ethos, originariamente habitat humano. "Ethos" significa, num sentido mais amplo, o lugar onde nos abrigamos, no qual é preciso haver princípios e valores que permitam a convivência. Esse conjunto de princípios e valores é exatamente o que chamamos de ética, ou seja, as regras da casa.

Já a ética profissional é definida como sendo um conjunto de normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Seria a ação reguladora da ética no âmbito da profissão, que faz com que o profissional respeite seu semelhante quando no exercício da profissão.

Todas as profissões têm um código de ética: os médicos, os advogados, os religiosos, os economistas, os professores, os enfermeiros, os servidores públicos, os empresários, etc.
Códigos de ética são encontrados até em grupos marginais da sociedade, como nas cadeias, onde condenados por crimes como estupro ou violência contra crianças, são violentamente repudiados pelos outros detentos.

Mas há uma casta de profissionais para quem a ética é só um vocábulo de dicionários que eles jamais consultam: os políticos.
No Brasil particularmente política e corrupção são complementares, um não existe sem o outro. Todos os dias políticos são flagrados com a boca na botija, dividindo o butim como um troféu, um tributo à falta de vergonha e a safadeza que habitam seus cérebros disformes.

O caso do Distrito Federal é só mais um na rotina de roubalheira que tomou conta do país. O governador dos panetones é reincidente: acusado de ter quebrado regras que eles mesmos criaram, jurou, pelo amor dos seus filhinhos que era inocente. Estava mentindo: além de culpado é mentiroso, e renunciou para não perder o mandato de senador. Desta vez o montante desviado foi tanto que o governador e sua curriola precisaram de um disfarce para carregar o produto da pilhagem. E valeu tudo: na mala, na bolsa, nos bolsos, na meia, na cueca.
Faz sentido: não existe lugar mais adequado do que a cueca, para se guardar dinheiro sujo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A culpa é nossa. A culpa é minha

Imagem: cabarceno.iespana.es/hienas.htm

A cena é dantesca, protagonizada por atores patéticos e de quinta:
Um político ultrapassado, velho de idéias e de ações
- que já tinha sido apeado do poder -
tremendo e babando como um cão raivoso, apontando o dedo e cobrando,
como se proprietário fosse de algum resquício de moral, que lhe permitisse cobrar o que quer que seja a quem quer que fosse.
O segundo, também afastado da chefia da sinecura,
por escândalos que misturaram no mesmo caldeirão, desvio de dinheiro, corrupção ativa, amantes, vacas e chifres,
defendendo com sua moralidade peculiar os atos de seu chefe/comparsa
que repetiu no mesmo cargo as mesmas práticas imorais que decretaram a queda do seu agora defensor.
E um terceiro, acuado entre as muitas hienas figurantes que habitam o picadeiro, impotente, solitário a pregar moralidade nesse circo dos horrores.
Nesses tempos obscuros, quando a lama já não cessa de escorrer do centro do poder e se espalha pelo país inteiro, nada como os versos de Brecht para lembrar a quem cabe a responsabilidade pela volta e pela permanência dessa cambada de vigaristas, que assaltam os cofres públicos, legislam em causa própria, e mancham o nome do Brasil .
O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto
É o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht (1898-1956)