Década de 60 - vista aérea do centro, com a Catedral em construção (arquivo Nirez)
Em 1960,
Fortaleza contava com 507.108
habitantes, e era dividida em Cidade Leste e Cidade Oeste, separadas pela
rua-eixo constituída da sequência das seguintes avenidas e ruas: Avenida
Alberto Nepomuceno, Rua Conde D’Eu, Rua Sena Madureira,
Avenida Visconde do Rio Branco e estrada
federal BR-13.
A partir dessa rua eixo, no sentido Leste, os logradouros tinham
uma denominação e uma numeração, e no sentido Oeste, outra denominação e outra
numeração. Os limites do município eram
muito bem definidos:
ao Norte com o Oceano Atlântico, da Barra do Rio Ceará à
Ponta do Mucuripe;
A
Leste, com o mesmo Oceano, da Ponta do Mucuripe à barra do
Rio Pacoti, e com o município de Aquiraz, a começar da barra, seguindo pelo
mesmo rio Pacoti até sua confluência com o rio Gamboa da Cunhã. Desta
confluência, em linha reta, até a parte mais norte da
Lagoa da Precabura,
seguindo por meio desta até sua parte mais sul, na foz do rio Coaçu e daí, por
este rio acima, até a foz do seu afluente Carro Quebrado. Por este até a ponte
situada no seu cruzamento com a
estrada federal BR-13.
Lagoa da Precabura, entre Fortaleza e Eusébio (foto Viva Fortaleza)
Ao Sul, com os municípios de Pacatuba e Maranguape, por uma
linha reta que, partindo da referida ponte na BR-13 vá atingir o serrote
Ancuri. Deste, por outra linha reta até a foz do riacho Timbó ou Jereraú, no
Rio Cocó, e daí, por uma linha reta, ao sangradouro da Lagoa do Mingau. Deste
ponto, também em linha reta, à confluência do desaguadouro da Lagoa Jari com o
rio Maranguapinho, seguindo outra linha reta até o cruzamento da chamada Estrada
da Ribeira com o rio Urucutuba.
O sangradouro da Lagoa do Mingau era um dos limites Sul de Fortaleza. Hoje a lagoa está localizada no conjunto industrial de Maracanaú e é alvo de lançamento de esgotos industriais. (foto: http://www.panoramio.com/photo/32517104)
A Oeste com o município de Caucaia, do referido cruzamento
em linha reta, até o bueiro da Estrada de Ferro Fortaleza-Sobral sobre o rio
Tatumundé, descendo por este até seu encontro com o rio Maranguapinho. Por
este, até a sua junção como o rio Ceará, descendo por este até o Oceano.
O território de Fortaleza era dividido em Distritos:
Distrito Central, cuja sede era Fortaleza; Distrito de Messejana; Distrito de
Parangaba e o Distrito de Antônio Bezerra. Os limites dos Distritos eram
indicados em lei estadual.
Mapa de Fortaleza em 1952
mapa atual de Fortaleza (google)
Com a expansão da cidade e da região metropolitana, alguns desses
limites, notadamente o Sul, teve seu referencial modificado, e causou uma indefinição no limite da cidade. Maracanaú, localizado na Região Metropolitana, era parte de Maranguape. Em 1983, emancipou-se definitivamente,
passando a figurar como limite de Fortaleza juntamente com Pacatuba e Itaitinga. O problema é que não ficou definido onde termina um município ou
onde começa o outro.
A conta do imbróglio ficou para a população que mora no
limite entre Fortaleza e Maracanaú, que não sabe de quem cobrar serviços
básicos, como o serviço de esgoto e atendimento em postos de saúde. No traçado dos mapas oficiais, há muitas
divergências. Existem ruas que estão no mapa dos dois municípios. E há casas em
que a frente pertence a Fortaleza e o quintal ao município vizinho.
Maracanaú - Distrito Industrial (foto jangadeiro online)
A “conurbação”, fenômeno que acontece quando dois municípios
se unem como se fossem o mesmo, tem
deixado a população que mora nessas áreas em dúvida. No Siqueira, bairro que
fica no limite de Fortaleza e Maracanaú, os moradores nem sempre sabem em que
município vivem. Pelo mapa, o bairro do
Siqueira figura nos dois municípios.
O cruzamento entre as ruas Santo Antônio e Ralf Colares
Cavalcante, no mapa de Fortaleza, pertence a Maracanaú. Mas as contas que
chegam, confundem os moradores: a de água veio com o endereço em Fortaleza, já
na de luz, a cidade é Maracanaú.
O problema que os moradores da região enfrentam chegou ao
IBGE.
No último censo, foi preciso preparar um traçado próprio. Os limites previstos
pelos municípios passam bem no meio de alguns imóveis. “Para quem faz o
trabalho de censo do IBGE, nós tivemos que fazer um ajuste de forma tal que
pudéssemos trabalhar no sentido de coletar as populações”, explicou o
coordenador do setor da base territorial do IBGE, José Carlos.
A situação perdura já há alguns anos, sem muita perspectiva
de que venha a solucionada num curto ou médio prazo. Pior para os moradores.
fonte:
wikipédia