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domingo, 12 de agosto de 2012

Bairros de Fortaleza: Lagoa Redonda



Lagoa Redonda é um bairro pertencente ao município de Fortaleza, localizando-se a Leste do centro, no Distrito de Messejana, onde faz divisa com os municípios de Aquiraz e Eusébio. Possui uma área preservada de mata atlântica, com mangues e belas lagoas.

 
Limites do Bairro
ao Norte: José de Alencar e Sapiranga Coité
Ao Sul: Porto das Dunas (Aquiraz) e Eusébio
a Leste: Sabiaguaba
a Oeste: Curió, Guajeru e Coaçu



 
Atualmente é considerado um dos bairros que mais se valorizam na cidade de Fortaleza, isto porque alia um clima interiorano a proximidade de um corredor comercial em forte expansão (Av. Washington Soares). Esse crescimento se reflete na valorização imobiliária que pode ser percebida, impulsionada pela chegada de colégios particulares, shoppings, supermercados e lojas do comércio varejista.
Com uma das menores densidades populacionais dentre os bairros de Fortaleza, 21 moradores por metro quadrado, com um alto nível de qualidade de vida e com uma grande área verde, Lagoa Redonda é considerada um espaço de tranquilidade.


Por ser rodeado de lagoas, como; Redonda, Precabura e Muritipuá,  possui um clima ameno e agradável, com grande incidência de ventos, ideal para quem quer fugir das altas temperaturas encontradas em Fortaleza.



A especulaçao imobiliária anda de vento em popa, e o que mais se vê no bairro Lagoa Redonda, são anúncios de lançamento de condomínios e de outros empreendimentos imobiliários, apesar da urbanização do local não estar completa, haja vista o grande número de vias sem calçamento, sem calçadas e de residências com cataventos (indício de que não há ligação de água).


fotos de Rodrigo Paiva e Raquel Vianna
em julho/2012


terça-feira, 17 de abril de 2012

A Questão do Limite Fortaleza – Maracanaú


 Década de 60 - vista aérea do centro, com a Catedral em construção (arquivo Nirez)

Em 1960, Fortaleza contava com 507.108 habitantes, e era dividida em Cidade Leste e Cidade Oeste, separadas pela rua-eixo constituída da sequência das seguintes avenidas e ruas: Avenida Alberto Nepomuceno, Rua Conde D’Eu, Rua Sena Madureira,  Avenida Visconde do Rio Branco e estrada federal BR-13. 

A partir dessa rua eixo, no sentido Leste, os logradouros tinham uma denominação e uma numeração, e no sentido Oeste, outra denominação e outra numeração. Os limites do município eram muito bem definidos:

ao Norte com o Oceano Atlântico, da Barra do Rio Ceará à Ponta do Mucuripe;
A Leste, com o mesmo Oceano, da Ponta do Mucuripe à barra do Rio Pacoti, e com o município de Aquiraz, a começar da barra, seguindo pelo mesmo rio Pacoti até sua confluência com o rio Gamboa da Cunhã. Desta confluência, em linha reta, até a parte mais norte da Lagoa da Precabura, seguindo por meio desta até sua parte mais sul, na foz do rio Coaçu e daí, por este rio acima, até a foz do seu afluente Carro Quebrado. Por este até a ponte situada no seu cruzamento com a estrada federal BR-13. 

 Lagoa da Precabura, entre Fortaleza e Eusébio (foto Viva Fortaleza)

Ao Sul, com os municípios de Pacatuba e Maranguape, por uma linha reta que, partindo da referida ponte na BR-13 vá atingir o serrote Ancuri. Deste, por outra linha reta até a foz do riacho Timbó ou Jereraú, no Rio Cocó, e daí, por uma linha reta, ao sangradouro da Lagoa do Mingau. Deste ponto, também em linha reta, à confluência do desaguadouro da Lagoa Jari com o rio Maranguapinho, seguindo outra linha reta até o cruzamento da chamada Estrada da Ribeira com o rio Urucutuba.

 O sangradouro da Lagoa do Mingau era um dos limites Sul de Fortaleza. Hoje a lagoa está localizada no conjunto industrial de Maracanaú e é alvo de lançamento de esgotos industriais. (foto: http://www.panoramio.com/photo/32517104)

A Oeste com o município de Caucaia, do referido cruzamento em linha reta, até o bueiro da Estrada de Ferro Fortaleza-Sobral sobre o rio Tatumundé, descendo por este até seu encontro com o rio Maranguapinho. Por este, até a sua junção como o rio Ceará, descendo por este até o Oceano.

O território de Fortaleza era dividido em Distritos: Distrito Central, cuja sede era Fortaleza; Distrito de Messejana; Distrito de Parangaba e o Distrito de Antônio Bezerra. Os limites dos Distritos eram indicados em lei estadual.

 Mapa de Fortaleza em 1952

 mapa atual de Fortaleza (google)

Com a expansão da cidade e da região metropolitana, alguns desses limites, notadamente o  Sul, teve seu referencial modificado,  e causou uma indefinição no limite da cidade. Maracanaú, localizado na Região Metropolitana,  era parte de Maranguape.  Em 1983, emancipou-se definitivamente, passando a figurar como limite de Fortaleza juntamente com Pacatuba e Itaitinga. O problema é que não ficou definido onde termina um município ou onde começa o outro.  

A conta do imbróglio ficou para a população que mora no limite entre Fortaleza e Maracanaú, que não sabe de quem cobrar serviços básicos, como o serviço de esgoto e atendimento em postos de saúde.  No traçado dos mapas oficiais, há muitas divergências. Existem ruas que estão no mapa dos dois municípios. E há casas em que a frente pertence a Fortaleza e o quintal ao município vizinho.

 Maracanaú - Distrito Industrial (foto jangadeiro online)

A “conurbação”, fenômeno que acontece quando dois municípios se unem como se fossem o mesmo,  tem deixado a população que mora nessas áreas em dúvida. No Siqueira, bairro que fica no limite de Fortaleza e Maracanaú, os moradores nem sempre sabem em que município vivem.  Pelo mapa, o bairro do Siqueira figura nos dois municípios.

O cruzamento entre as ruas Santo Antônio e Ralf Colares Cavalcante, no mapa de Fortaleza, pertence a Maracanaú. Mas as contas que chegam, confundem os moradores: a de água veio com o endereço em Fortaleza, já na de luz, a cidade é Maracanaú.

O problema que os moradores da região enfrentam chegou ao IBGE. No último censo, foi preciso preparar um traçado próprio. Os limites previstos pelos municípios passam bem no meio de alguns imóveis. “Para quem faz o trabalho de censo do IBGE, nós tivemos que fazer um ajuste de forma tal que pudéssemos trabalhar no sentido de coletar as populações”, explicou o coordenador do setor da base territorial do IBGE, José Carlos.
A situação perdura já há alguns anos, sem muita perspectiva de que venha a solucionada num curto ou médio prazo. Pior para os moradores.

fonte:
Guia Turístico da Cidade, editado pela Prefeitura de Fortaleza em 1961, administração do General Manuel Cordeiro Neto.
wikipédia

quinta-feira, 1 de março de 2012

Quando Fortaleza era Cidade Pequena


Foto de Amélia Eahart em 1937

Até o final do século XIX a cidade de Fortaleza compreendia um espaço de aproximadamente cinco quilômetros, com 34 ruas paralelas no sentido norte-sul e 27 no sentido Leste-Oeste. Das 15 praças já se destaca a Praça do Ferreira e a dos Mártires.

Praça do Ferreira - Café Iracema (acervo Marciano Lopes)

Por volta de 1814 a atividade comercial já se refletia na estrutura física da vila, com ruas onde se concentravam lojas de varejo e atacado, como a Rua Direita dos Mercadores e a Rua do Rosário. Ao longo dos anos, a capital vai desbancando Aracati e se transforma em centro exportador único, Fortaleza estava mais próxima das áreas produtoras e também concentrava um volume maior de bens para o mercado externo.

Passeio Público (Ah, Fortaleza!)

Todos os recursos da província passam a convergir para a cidade que por sua vez atraía mais pessoas. Estimulada pelo comércio com a Europa, a cidade cresce de forma desordenada, as casas eram construídas sem alinhamento e sem um projeto. 

Para tentar colocar uma ordem na forma como a cidade se expandia, o governo contratou o engenheiro Silva Paulet em 1812, para traçar um plano urbano da vila, com ruas e quarteirões definidos. Um traçado de ruas paralelas ficou pronto em 1818 contribuindo para a circulação de mercadorias e de pessoas. Havia saídas de Fortaleza para o Interior e rotas para as regiões do Mucuripe, Precabura e Jacarecanga.  


Logo um novo plano urbano precisou ser traçado, tarefa que ficou a cargo do arquiteto Adolfo Herbster, que estendeu o traçado de ruas paralelas até os subúrbios. Em meados do século XIX, transformações aconteciam: gás carbônico, linhas de bondes, rede de telégrafos para a Europa e para o sul do País.

Mas as melhorias na infraestrutura não acompanhavam o ritmo das mudanças na cidade, nas primeiras décadas do século XX, quase nada tinha sido realizado em Fortaleza que a  favorecesse de uma moderna estrutura urbana.


Em 1900 Fortaleza abrigava apenas 48.369 habitantes. Vinte anos depois a população já chegava a 78 mil. 

Até 1930 Fortaleza guarda uma homogeneidade arquitetônica invejável, continuando a ser uma cidade pequena e aprazível. A partir daí os bairros mais pobres se espalharão ao longo da estrada de ferro, o Centro perderá seu caráter residencial e a cidade de dividirá em função das atividades econômicas.


Fonte
Revista Fortaleza, fascículo 3, página 5, de 23 de abril de 2006.