sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Novos Bairros de Fortaleza

 

No meio das modificações que assinalam o cotidiano das grandes cidades, a tradição e a modernidade travam uma luta diária. Enquanto os mais jovens conhecem bairros com nomes como Antônio Bezerra, Aldeota, Montese e Dias Macedo, moradores mais antigos lembram do Outeiro, do Mata Galinha, do Alto do Bode e Floresta. Mesmo com os antigos nomes em desuso, a lembrança é significativa para identidade e pertencimento do local.

bairro Antônio Bezerra antigamente

Desse modo algumas denominações foram apagadas do mapa da cidade, como o bairro Antônio Diogo, localizado na região do Mucuripe, hoje Praia do Futuro II, Jardim Glória no Distrito de Messejana, Cachoeirinha, no distrito de Antônio Bezerra, hoje bairro Padre Andrade, e Marupiara, no distrito da Parangaba, hoje bairro Demócrito Rocha.

Ainda na dança dos nomes, o Porangabussu virou Rodolfo Teófilo, a Vila Monteiro e a Vila Zoraide foram anexadas ao Joaquim Távora, o Coqueirinho e o Campo do Pio foram incorporados ao bairro Parquelândia, o Pantanal virou Planalto Ayrton Sena.



Atualmente a cidade está dividida em 12 secretarias executivas regionais e 121 bairros; em função do crescimento e da expansão dos horizontes de Fortaleza, novos bairros foram criados e outros foram divididos, como o bairro Conjunto Ceará I e II e o Praia do Futuro I e II

Dentre as novas denominações de bairros, temos, por exemplo, o De Lourdes , também comumente chamado pela população de Dunas, pelo seu posicionamento junto às dunas da Praia do Futuro.  Até meados do ano 2000, a área era pouco povoada. A ocupação demográfica ocorreu a partir da inauguração do marco zero do bairro, a Cruz do Cruzeiro.

O parcelamento e a posterior urbanização de terrenos dos Sítios Cocó, Tunga, Alagadiço, Cambeba, Estância e Colosso, localizados na zona leste da cidade, deu origem a diversos bairros da capital, como o Parque Manibura, Cambeba, Jardim das Oliveiras, Cocó.


O bairro Aracapé foi oficialmente criado em 2019, situado na área da Regional 10. de Antes do Censo de 2010, o Aracapé fazia parte do Mondubim. A separação veio após a nova divisão de bairros e aumento das regionais da Capital. Com 2,18 quilômetros quadrados de área, o Aracapé é cercado pelos bairros Presidente Vargas, Parque Santa Rosa, Conjunto Esperança, Mondubim e Planalto Ayrton Senna.


Bairro do Mondubim 

Novo Mondubim também foi criado em 2019, desmembrado de parte de terrenos da Vila Manoel Sátiro e Mondubim. Está localizado na zona leste de Fortaleza, fazendo parte da Regional 10, junto com bairros como Maraponga, Jardim Cearense e Conjunto Esperança. Estas duas unidades definiram o número de 121 bairros para o município de Fortaleza

O bairro  Coaçu está localizado entre Fortaleza e Eusébio, com acesso à rodovia CE-010, o que facilita a integração com outros pontos da região. Um dos atrativos do bairro é o Centro das Tapioqueiras.

 

Fontes: Prefeitura de Fortaleza/Jornal Diário do Nordeste

fotos internet

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Tipos Populares da Fortaleza Antiga

 

Chica Pinote 

Imagem criada por IA

Foi uma dessas figuras populares que povoam as histórias da Fortaleza antiga dos anos 1920, rejeitada em público, prestigiada no ambiente privado. Chica Pinote era prostituta, morena, alta e vistosa, que morava no Beco do São Bernardo, e costumava aparecer no meio do povo, de forma inesperada. Uma dessas aparições, que causou a maior celeuma, foi numa matinê do Circo Pery, armado na Praça da Estação.

Espetáculo iniciado, a arquibancada repleta de meninos, as cadeiras ocupadas pelos adultos, quando entra aquele mulherão, com vasto chapéu emplumado, faiscante de joias, e ocupa um dos camarotes que até então estava vazio. Todo o circo crava os olhos na mulher e acompanha seus movimentos um tanto exagerados. As famílias a olham indignadas, as mais próximas do camarote, levantam-se e saem.

Chica Pinote passou os olhos cheios de desdém pelo anfiteatro e dobrou o braço no gesto característico de “dar uma banana”, o que desencadeou uma gritaria geral. As famílias vão fazendo uma retirada em massa, e o diretor do circo reclama a presença da Polícia, que a muito custo consegue levar para fora a causadora do tumulto, a qual ameaça o delegado com o guarda-sol de rendas, empurra os soldados, e protesta aos gritos: - paguei o camarote com o meu dinheiro, que é igual ao dos outros! Não saio porque não quero!

O delegado compreende a situação, mas retira à força a Chica Pinote que recebe, aos prantos, a devolução do dinheiro com que pagou o camarote, dinheiro igual ao dos outros. O espetáculo continua, mas sente-se que foi estragado de qualquer modo. Nem os artistas estão trabalhando com o mesmo gosto, nem o público está aplaudindo com o mesmo entusiasmo. As filas de cadeiras e os camarotes estão quase vazios. 

Micaela


Imagem criada por IA

Muito se fala dos tipos populares que habitavam as ruas de Fortaleza do passado, homens meio loucos, meio excêntricos, quase todos mendigos, que viviam da caridade alheia e causavam agitação por onde passavam. Eram importunados nas ruas, alguns reagiam com agressividade, outros pareciam nem perceber que era alvo das chacotas. Mas poucos sabem que também havia muitas mulheres nesse bloco de gente esquisita.

A Micaela era negra retinta, varapau de quase dois metros de altura, com passo de soldado alemão, vestida de preto e saia arrastando no chão. Andava nas ruas pelo calçamento e atravessava as praças sempre em diagonal. Empunhava um grosso porrete, também preto, e a cada esquina parava, olhava para todos os lados e depois seguia seu caminho.

Diziam que era homem disfarçado de mulher, que botava feitiço, mas a Micaela que causava pavor a tanta gente, era tão somente uma pobre criatura que morava sozinha em uma palhoça para os lados do Prado Velho e só saía a rua para revolver as latas de lixo em busca de comida.

Casaca de Urubu 

imagem gerada por IA 

José Cândido, conhecido pela alcunha de Casaca de Urubu, foi o cobrador de dívidas mais empenhado que essa cidade já viu. Era o terror dos caloteiros e dos maus pagadores. Quando o credor perdia as esperanças, deixava a cobrança a cargo do Casaca de Urubu, que era servidor do Tribunal de Relação, e nas horas vagas, vivia de comissões com a cobrança de contas atrasadas. 

Era infalível a intervenção de Casaca de Urubu, conta na sua mão, era conta recebida. Tinha uma lábia incrível e para ele todos os meios para fazer o devedor quitar o débito, eram perfeitamente aceitáveis; em último caso ameaçava com escândalos, com gritaria e polícia na porta.

Ficava nas imediações da Praça do Ferreira à cata de seus clientes, que fugiam às léguas quando o viam e evitavam transitar pela praça.  O cerco não falhava: chegava uma hora em que o devedor não tinha mais como fugir e tratava de pagar, porque o Casaca de Urubu ameaçava, perseguia na rua, falava alto, chamava a atenção de todas as maneiras.

O apelido veio das roupas que usava rotineiramente, fraques descartados pelos desembargadores, que geralmente ficavam enormes no homem baixinho e gorducho. José Cândido era epiléptico, e com frequência sofria ataques e caía na via pública, acometido do mal, sempre que era alvo da molecada que o perseguia, aos gritos, com o apelido que o revoltava: Casaca de urubu... bubu!

Certa vez recebeu a incumbência de cobrar determinado devedor, que não havia meios de lhe pagar apesar de todas as ameaças que costumava lançar mão. Cansado de tanto vai e vem, e em último caso, propôs ao devedor que lhe pagasse ao menos sua parte, os 50% de comissão a que tinha direito. E recebeu. Em seguida, devolveu a conta ao credor e disse-lhe sem a menor cerimônia: “aqui está a parte de sua conta que não consegui receber, sendo que, os 50% da minha comissão eu já recebi”.

A Noiva do Tempo 

imagem criada por IA

Outra personagem bastante conhecida era a Noiva do Tempo, que estava convencida de haver recebido por herança uma grande fortuna e vivia nos bancos procurando recebê-la. Contavam que a mulher havia sido abandonada pelo noivo no dia do casamento, e nas suas andanças pela cidade, usando seu velho vestido de noiva, sujo e esfarrapado,  procurava pelo noivo e delirava sobre sua imaginária riqueza. Um dia a Noiva do Tempo foi atropelada por um ônibus, no Centro, nas imediações da praça do Coração de Jesus, e levou sua busca para outras dimensões.

Manezinho do BispoO Porteiro do Palácio 

imagem da Internet

Manoel Cavalcante Rocha, vulgo Manezinho do Bispo começou a trabalhar no Palácio do Bispo no dia 1° de janeiro de 1884, aos 18 anos de idade, durante o bispado de Dom Joaquim José Vieira, e lá permaneceu até morrer, no dia 30 de julho de 1923.

Oficialmente era o porteiro do palácio, mas acabou exercendo várias funções no local. Era o primeiro a acordar, e o último a dormir, cuidava da capela, ajudava missa, atendia na portaria, distribuía esmolas aos pobres, servia refeições. Só punha os pés na rua em caso de necessidade.

Manezinho do Bispo tinha o dom da escrita, elaborava textos e pensamentos que a muitos parecia sem nexo ou sentido, mas que era motivo de orgulho do seu autor. Colaborava quase diariamente na seção “ineditoriais” do Jornal Correio do Ceará, depois reunia em folhetos os seus apreciados pensamentos, que eram ansiosamente aguardados por seus inúmeros admiradores.   

Eis alguns dos originais pensamentos do Manezinho do Bispo, que fizeram época e o transformaram em motivo de chacota na cidade.

O Passeio Público é um aprazível lugar para quem vai ali com boas intenções.

Amar sem ser amado é correr atrás de um trem e perder

O bacharel pobre que casa com moça pobre dá um tiro com a pistola do passado nos miolos do futuro.

Gostaria de ser como as borboletas: as borboletas voam e eu não voo.

Conta-se que o bispo D. Joaquim, aborrecido com a grande papelada que enchia o quarto do Manezinho, no Palácio Episcopal, chamou-o um dia e disse que queimasse aqueles folhetos. Manezinho saiu para a rua e queimou-os, vendendo pela metade do preço.Apesar do folclore em torno dos escritos de Manezinho do Bispo, muitos de seus textos são frutos de reflexões e pensamentos muito bem estruturados.

O Cangulo

Era um dos personagens mais assíduos das salas de exibição de filmes da velha Fortaleza, nome de batismo ignorado, conhecido pelo apelido de Cangulo, que ganhara nos tempos em que era aluno do Liceu do Ceará, onde cursara o primeiro ano. Popularíssimo no meio estudantil devido a feiura, um dia, resolveu largar a cidade natal e ir morar no Rio de Janeiro.  Durante muito tempo, ninguém ouviu falar dele.

Em agosto de 1909, os cinemas exibiam a reportagem do sepultamento do Presidente Afonso Pena, que falecera no mês anterior. O Pathé (primeiro cinematógrafo de Fortaleza, inaugurado em 1908, propriedade do italiano Vitor de Maio) estava literalmente cheio de estudantes, quando apareceu o Cangulo na tela, no melhor estilo papagaio de pirata, de pé por trás do cordão de isolamento dos guardas civis à porta do Palácio do Catete, quando saía o cortejo presidencial. Um grito uníssono  sacudiu a plateia:  – O Cangulo!!!

Seguiram-se estrepitosas salvas de palmas. Então, por mera coincidência, o Cangulo abriu a bocarra num sorriso sem dentes, como dirigido a seus antigos colegas. Grande aclamação abalou o cinema:  – Viva o Cangulo! Viva o Cangulo no Catete! Viva o sucessor de Afonso Pena! 

O escritor Gustavo Barroso o encontrou anos depois no Rio de Janeiro, vivendo como indigente, desiludido e acabado. Conseguiu com um amigo que o governo lhe fornecesse uma passagem de volta para Fortaleza, onde vivia seu pai, que vendia bananas na feira. Mas o Cangulo não deu sorte nesse retorno. Pouco tempo depois após uma discussão, foi assassinado a tiros de revólver por um certo Barbosa Lapada.  

Mané Coco era a alma do Café Java 

foto do Arquivo Nirez

Manuel Pereira dos Santos, vulgo Mané Coco era marmorista, e não foi só o fundador do Café Java, na Praça do Ferreira, ele era a alma do lugar, o que dirigiu e imortalizou o estabelecimento. Estava sempre de branco, de chapéu de palhinha e uma rosa no peito. Mané Coco era o bombeiro voluntário de Fortaleza. Sentiu cheiro de incêndio, ouviu falar de um, ele ia até lá. Carregava água para apagar o fogo; isolava os prédios vizinhos, enfiando o machado nos telhados, salvava vidas ameaçadas. Passava por cima das cumeeiras em chamas, assume os riscos, salva patrimônios. E não ganhava nada com isso.

Na rotina diária, sem incêndios, era o homem mais pacato deste mundo, e tinha habilidade para se sair de situações embaraçosas. Certa feita um grupo de cadetes da escola Militar, famosos pelas arruaças que promoviam pela cidade, o ameaçaram com uma boa surra, se não lhes dessem, gratuitamente, no Café Java, um jantar de sustância. Mané Coco promete então que o jantar ser servido, um jantar de galinha, e marca dia e hora.

No dia acertado, o bando de cadetes abanca-se na mesa já preparada. Ele ordena ao seu empregado: --- seu Chico, sirva o jantar a esses meninos.

O Chico serve cerimoniosamente diante de cada convidado forçado, um prato cheio de grãos de milho. Os cadetes se entreolharam surpresos, e quando reclamaram, Mané Coco respondeu com fingida ingenuidade: - estou cumprindo a promessa. Jantar de galinha não é milho? Os estudantes acharam muita graça e deixaram-no em paz. Quando morreu, foi uma comoção. Foi para a eternidade todo de branco, com sua eterna flor na lapela.


Fontes de pesquisa: 

Coração de Menino de Gustavo Barroso

Geografia Estética de Fortaleza, de Raimundo Girão

Coisas que o Tempo Levou, de Raimundo Menezes

Fortaleza Descalça, de Otacílio de Azevedo

O Consulado da China de Gustavo Barroso



sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Manuel Sampaio o governador do Período Colonial


Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire foi o quarto governador do Ceará no período colonial. Seu mandato de governador entre 1812 e 1820 foi um dos mais polêmicos, feito de realizações, autoritarismo, perseguições e repressões. Ficou famosa sua fidelidade ao governo central português. Hoje Governador Sampaio nomeia uma rua do Centro de Fortaleza.

Foi o primeiro administrador a incentivar as artes e as letras no Ceará, promovendo outeiros ou serões literários; criou os Correios e a implementou as Alfândegas provisórias de Fortaleza, em 1812 e das cidades de Granja, Sobral e Crato; construiu novos edifícios públicos, entre os quais o Mercado Municipal. Coube também ao governador Sampaio a recuperação do Forte de Nossa Senhora da Assunção, que se encontrava em estado precário e quase em ruínas. Sampaio contratou os serviços do engenheiro Silva Paulet que elaborou o projeto. Os fundamentos do edifício foram lançados pelo governador em 12 de outubro de 1812. A obra foi feita principalmente com donativos angariados pelo governador e seu antecessor Barba Alardo de Menezes, a quem, segundo João Brígido, coube a ideia de reedificar a fortaleza.

 A casa que pertenceu a José Antônio Machado e onde estiveram diversos órgãos públicos, foi a primeira sede dos Correios. Foi demolida para a construção do Fórum Clóvis Beviláqua. (Imagem Arquivo Nirez)

No quesito servilismo, mandou que a população da vila de Fortaleza festejasse com luminárias, por três noites consecutivas, o nascimento do filho de D. Pedro Carlos, o infante D. Sebastião de Bourbon e Bragança. Quando foi notificado da morte de D. Maria I (primeira rainha reinante de Portugal), em 15 de junho de 1816, determinou que todo povo da vila e distritos vestisse luto rigoroso por seis meses e aliviado por igual período. 

Dona Maria I, a louca. Rainha reinante de Portugal e Algarves, faleceu a 20 de março de 1816, no Convento do Carmo, no Rio de Janeiro (imagem wikipédia)

Atendendo que os pobres e os escravos não podiam atender rigorosamente a esta determinação, por questões econômico-financeiras, permitiu que os homens trouxessem no chapéu e as mulheres na cabeça, qualquer retalho preto. Os que se recusassem seriam punidos com 30 dias de cadeia, para cada vez que fossem pegos sem o distintivo.

Segundo historiadores o Sampaio foi o responsável pela prisão e tortura de Bárbara de Alencar, mantida prisioneira em uma pequena cela subterrânea da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Além de Bárbara, outros membros da família Alencar foram presos, acusados de subversão pelo governador, devido ao envolvimento da família com a Revolução Pernambucana de 1817.

Prisão de Bárbara de Alencar no subterrâneo da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção (imagem da internet)

O governador Sampaio deixou o Ceará em 12 de janeiro de 1820 para assumir o governo da Capitania de Goiás, por ordem do reino de Portugal, sendo substituído no Ceará pelo Francisco Alberto Rubin, Capitão de Mar e Guerra, Comendador da Ordem de Cristo, nomeado por decreto de 4 de julho de 1818.

O Manuel Sampaio permaneceu no posto de governador de Goiás, até 1822, data da proclamação da Independência do Brasil. Ao voltar a Portugal recebeu da rainha Maria II o título de visconde, tornando-se então o primeiro Visconde de Lançada. Casou-se, em 1 de fevereiro de 1826, com Helena Teixeira Homem de Brederode, com quem teve dois filhos. Manuel Sampaio nasceu em Bragança, Portugal em 1778 e faleceu em 1856.  

No período colonial, visando manter o controle e centralização da administração nas colônias, e mais tarde, visando o desenvolvimento, o Governo de Portugal instituiu o sistema de Capitanias Gerais, em vigor até 1821. A partir de 1821 as capitanias foram convertidas em províncias. O Governador Sampaio veio dentro desse contexto.  


Fontes: Ceará (homens e fatos), de João Brígido

Revista do Instituto do Ceará/Administração Manoel Ignácio de Sampaio

Wikipédia 


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

A Associação dos Merceeiros

 

A foto mostra o prédio original, rodeado de portas com varandas, piso alto, porões com as aberturas para a rua. Pela rua Major Facundo, passavam os trilhos dos bondes e sua fiação

A associação dos Merceeiros foi fundada no dia 5 de abril de 1914, para proteger os interesses de pequenos comerciantes – retalhistas de secos e molhados, de estivas e miudezas. (retalhistas refere-se a pessoas ou empresas que vendem ou compram a retalho, ou seja, em pequenas quantidades ou unidades para o consumidor final. No caso, os bodegueiros). A Associação oferecia atividades de assistência de caráter social, instrutiva e financeira. Foi instalado no dia 10 de maio do mesmo ano, num pequeno prédio da Rua Floriano Peixoto, com status de Sociedade Civil, de caráter indissolúvel, sem fins lucrativos beneficente e filantrópica, sendo considerada de utilidade pública tanto pelos Governos Estadual quanto pelo Federal.


A Associação foi fundada no dia 5 de abril de 1914 por um grupo de 14 merceeiros, num pequeno prédio da rua Floriano Peixoto, com o fim de proteger os pequenos comerciantes naqueles tempos difíceis da Primeira Guerra Mundial

Em 1925 a Associação criou o Crédito Auxiliar dos Merceeiros (Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Ltda), mais tarde, Banco de Crédito Auxiliar. A sede própria foi construída a partir de 1926, em uma casa pequena comprada de um bodegueiro associado e construída em etapas, com ajuda de associados que trabalhavam gratuitamente. Depois o imóvel foi ampliado a partir de uma casa desapropriada pelo governo e anexada à Associação. O prédio de arquitetura eclética tem características Art Décor, muito em voga nas construções dos anos 1930/40 em Fortaleza.

A Associação dos Merceeiros angariou grande número de sócios, e além de prestar assistência jurídica e médica aos associados, mantinha uma farmácia, criou um cinema, inaugurado no dia 1 de novembro de 1930 e uma escola de primeiro grau mantida em convênio com o governo do Estado. Em 1935, na sessão comemorativa do 5° aniversário, um incêndio destruiu as instalações do Cinema dos Merceeiros. Depois do sinistro, o cinema encerrou as atividades em definitivo.

A própria Associação, que já vinha enfrentando diversas dificuldades, encerrou as atividades na sua sede própria no dia 13 de agosto de 2018, devido a dívidas acumuladas em várias gestões. Desde então, o belo edifício de sua propriedade, permanece fechado. Dizem que a Associação reabrirá em novo endereço.


Atualmente o prédios dos Merceeiros encontra-se fechado, todo pichado e com placa de "Aluga-se" 

Algumas instituições de assistência a trabalhadores de classe encerram as atividades porque perderam suas finalidades. A Associação dos Merceeiros é uma delas. O seu público-alvo desapareceu com as novas práticas comerciais e de varejo, com o advento dos supermercados, que oferecem produtos fracionados de todas as formas. Assim, as  bodegas e pequenos comércios de antigamente foram praticamente extintos. A saída é se readaptar, identificar novo público e ampliar suas possibilidades, com novos serviços.


Fotos do Arquivo Nirez 

Publicação Fortaleza em Fotos/Fátima Garcia

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Colégios Religiosos Católicos


Os colégios religiosos em atividade têm pontos em comum que se destacam: a antiguidade -- alguns são centenários; apenas um deles  tem menos de 50 anos de funcionamento -- e a estabilidade: funcionam em prédios próprios e no mesmo endereço. Um deles, o Imaculada Conceição é a segunda escola secundária mais antiga de Fortaleza, antes dela, só o Liceu do Ceará, fundado em 1845. Todos recebem alunos do Infantil ao Ensino Médio. Alguns deles funcionam em mais de uma unidade. 

Colégio Santa Isabel

Capela do Colégio Santa Isabel

Fundado em 1937, pela irmã Isabel Daniel, numa pequena sede na Praça São Sebastião. No ano seguinte mudou-se para sua sede atual, na Avenida Bezerra de Menezes. Vinculado à Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Fica na Avenida Bezerra de Menezes, 2840, São Gerardo

Colégio Santo Tomás de Aquino

O Colégio Santo Tomás de Aquino foi fundado no dia 07 de março de 1963, por iniciativa do pároco do Santuário de Fátima, Monsenhor Gerardo de Andrade Ponte, sob a denominação de Externato Santo Tomás de Aquino, contando, com apenas 52 alunos. O Colégio pertence à Paróquia de Fátima e é subordinado ao Conselho Paroquial Nossa Senhora de Fátima, sua entidade mantenedora. Localizado na Rua Mario Mamede, 750, Fátima. 

Colégio Santo Inácio

Colégio Santo Inácio fachada interna

Pertencente à Rede Jesuíta de Educação, o Colégio Santo Inácio Iniciou suas atividades educativas nos anos de 1955 e 1956 recebendo seus alunos em regime de semi-internato. No dia 1º de março de 1960, inaugurou a sua nova sede, localizada na Avenida Desembargador Moreira, 2355 – Dionísio Torres, onde permanece até os dias atuais. 

Colégio Imaculada Conceição

Colégio da Imaculada Conceição/Igreja do Pequeno Grande 

O Colégio da Imaculada Conceição funcionou a partir de 1867, num prédio construído para abrigar um hospital. Ao longo do tempo, o Colégio conquistou posição de destaque na educação das moças pertencentes a elite da cidade. Foi dirigido inicialmente por 19 irmãs de caridade, todas francesas. Entidade ligada à Ordem das Filhas de Caridade de São Vicente de Paula. Fica na Avenida Santos Dumont, n° 55, Centro.

Colégio Santa Cecilia

Sede antiga no Benfica do Colégio Santa Cecília

O Colégio Santa Cecília faz parte do Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, congregação belga fundada em 1823 por Madre Agathe Verhelle. As religiosas Damas chegaram ao Brasil em 1896, estabelecendo-se em Olinda (PE), de onde se transferiram para Recife. Em Fortaleza, as Irmãs chegaram no início de 1952, onde vieram para continuar o trabalho de educação da juventude cearense, iniciado em 1911 por Dona Almerinda Albuquerque. Até 1959, o Colégio Santa Cecília funcionou no Benfica, e em  1960, instalou-se na Aldeota, na Avenida Senador Virgílio Távora, 2000.

Colégio Piamarta

A escola teve início no dia 25 de setembro de 1960 quando as aulas começaram com uma turma de vinte crianças, na sacristia da paróquia de Nossa Senhora de Nazaré. No ano seguinte foi iniciada a construção do prédio da escola, onde se encontra até os dias atuais, na Rua Padre João Piamarta, 161, Parreão. Estabelecimento dirigido pela Congregação Sagrada Família de Nazaré, fundada por São João Batista Piamarta.

Colégio Medalha Milagrosa

A escola surgiu em 1947, num antigo estábulo, que mais tarde foi transformado em sala de aula. Depois passou a atender crianças carentes do bairro Montese e adjacências, tendo a Sra. Adelaide Salvador como primeira professora. A Escola passa a funcionar regularmente em 1953. Entidade integrante da Rede de Educação Vicentina. Fica na Rua Padre João Piamarta, 415, Parreão.

Colégio Nossa Senhora das Graças

Sede no Benfica do Ginásio Americano 

O Colégio Nossa Senhora das Graças teve a sua origem no Benfica, com a denominação de Ginásio Americano. Em 1950, as Religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria – as Cordimarianas assumiram a direção do Colégio. Em 11 de fevereiro de 1958, transferiram-se para o bairro de Fátima, numa nova sede, a fim de atender as necessidades de novos alunos, de um bairro que nascia sob as bênçãos da Virgem de Fátima. Fica na Rua Monsenhor Otávio de Castro, 535, bairro de Fátima.

Colégio Shalon

Fundado em 13 de fevereiro de 1987, visando a educação infantil. Ao longo dos anos passou por diversas sedes e expandiu-se para os ensinos fundamental e médio. Fica na rua Oswaldo Cruz, 3401. Colégio vinculado à Comunidade Católica Shalon

Colégio Juvenal de Carvalho

Capela do Colégio Juvenal de Carvalho - 1931

O Colégio Juvenal de Carvalho, foi fundado em 26 de abril de 1933; está  completando em 2025, 92 anos de serviços prestados à sociedade cearense. O Juvenal de Carvalho é uma Unidade Educacional da Inspetoria Maria Auxiliadora e integra a maior rede católica de educação das Américas, a Rede Salesiana Brasil de Escolas. Fica na Avenida João Pessoa, 4279, Damas. 

Colégio Nossa Senhora Auxiliadora

Localizado na Avenida Imperador, 1490, Centro. Entidade da Rede de Educação Vicentina.

Colégio Salesiano Dom Bosco

 Fica na Avenida Antônio Sales, 116, bairro Joaquim Távora. Escola vinculada à Rede Salesiana Brasil de Escolas. 


pesquisa nos sites das escolas. fotos do Arquivo Nirez e da Internet

por Fátima Garcia