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quinta-feira, 12 de março de 2020

Dona Bárbara de Alencar, uma mulher de Fibra



Nascida na Fazenda Caiçara, a 11 de setembro de 1760, na localidade de Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exú-Pernambuco, Bárbara Pereira  de Alencar mudou-se com o marido, o comerciante português José Gonçalves dos Santos e três filhos pequenos para a Vila do Crato, no Ceará. Vivia uma vida típica de moradora da zona rural do município, no início do século XIX, cuidando dos afazeres domésticos e das ocupações do Sítio Pau-Seco, onde cultivava cana de açúcar e arroz.

Casa grande da Fazenda Caiçara, em Exú, onde nasceu Bárbara de Alencar em 1760 imagem: Cariri Cangaço

A calmaria da vida provinciana foi quebrada com a chegada à cidade do filho José Martiniano de Alencar, pai do escritor José de Alencar, em 1817. Trazia do Recife, o ideal de libertação do País, ainda dependente da Coroa Portuguesa. Alencar pediu o apoio da família para implementar o sonho republicano, há muito acalentado em Pernambuco.

Igreja matriz de Nossa Senhora da Penha, na cidade do Crato, construída em 1745 - imagem IPHAN

A revolução foi decretada do púlpito da igreja matriz do Crato, no dia da festa de Santa Cruz, conquistando o apoio de pequenos comerciantes semianalfabetos, agricultores e pequenos criadores. Sua decisão, com registro em ata, depunha as autoridades monarquistas, extinguia o mandado de vereadores, proclamava novos titulares para os cargos políticos, liberava os presos das cadeias, transmitindo adesão ao governo de Pernambuco, líder do movimento.

Orgulhosa, Bárbara de Alencar aderiu ao movimento desde o início, encarregando-se de preparar o banquete comemorativo para os revolucionários. Tinha todos os motivos para tal atitude. Seus dois outros filhos, Carlos José dos Santos e Tristão Gonçalves Pereira também aderira ao movimento.

A reação não tardou. Cerca de mil homens foram incumbidos de retomar o poder na Vila e os principais líderes do movimento foram presos, entre eles, os filhos de Bárbara de Alencar. A prisão da mãe era iminente, mas ela ainda teria tempo de esconder dinheiro e objetos de valor da família.

abertura de entrada da prisão de Bárbara de Alencar na fortaleza de N.S.da Assunção, em Fortaleza.

Suas propriedades foram confiscadas e vendidas em leilão, e embora aconselhada, preferiu não fugir e enfrentar as consequências. Foi presa aos 57 anos, junto com mais 24 rebeldes, trazidos para Fortaleza e confinados no antigo quartel junto à fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Bárbara foi mantida isolada no calabouço, e submetida a toda sorte de maus tratos. Proibida de comunicar-se com os filhos utilizou-se de estratégias dentro da prisão, a fim de melhorar as condições de vida dos rebeldes.

Subornou um guarda da prisão com um cordão de ouro, conseguindo roupas para todos. Também conseguiu que fazer com que chegasse ao governador Sampaio, uma carta escrita com o sangue do próprio filho Tristão, denunciando o abandono em que se encontravam os presos. A ousadia resultou na transferência para um local menos hostil. Durante os quatro anos em que esteve presa, passou por outros cárceres em Pernambuco e na Bahia.

Casa onde residiu no Crato - imagem IPHAN

Aos 60 anos, Bárbara foi libertada e voltou ao Crato, onde lutaria para reaver suas propriedades. Os filhos também foram libertos, continuaram a luta, engajando-se na Confederação do Equador, em 1824. A ideia era congregar Norte e Nordeste sob um regime federalista e republicano, em que cada província manteria sua soberania e autonomia. Esse movimento também foi sufocado pela monarquia, com dois filhos de Bárbara – Tristão e Carlos, sendo cruelmente assassinados. Martiniano escapou, fugindo para Pernambuco.

José Martiniano de Alencar, que se tornaria Senador e Presidente da Província do Ceará

A caça aos Alencar foi intensa na Região do Cariri. Bárbara escondeu-se no Piaui. As perseguições aos membros da família, contribuíram para a deterioração de sua saúde. Morreu em 1832, aos 72 anos, na cidade de Fronteiras, no Piauí. Seu envolvimento com os movimentos revolucionários do período, custaram-lhe caro, ainda sob outros aspectos. As notícias de sua prisão em 1817, garantiram-lhe doloroso processo de difamação. A ela foi atribuído o papel de amásia do vigário Manuel Carlos Saldanha, suposto pai de Martiniano, fato nunca comprovado.

A semelhança de outras matriarcas nordestinas, Bárbara era conhecida por sua fervorosa fé católica e por seu moralismo. Não permitia escravos amasiados em sua propriedade nem reconhecia filhos tidos fora das uniões convencionais. No trato da propriedade era a encarregada de distribuir tarefas, fiscalizando atentamente sua execução. Tinha boa relação com os escravos, obtendo deles respeito e fidelidade.

Fonte: Duarte, Ana Rita Fonteles. Mulher-macho, sim senhor. Histórias de mulheres que romperam limites no Ceará. In: Carvalho, Gilmar de, Organizador. Bonito pra Chover: ensaios sobre a cultura cearense. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2003. 340p   

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A Primeira Cadeia Pública de Fortaleza

Em maio de 1835, o presidente da província Martiniano de Alencar, criou a Casa de Correção, acatando sugestão da Assembleia provincial. O estabelecimento deveria funcionar como uma espécie de cadeia, onde os presos prestariam serviços à comunidade. Apesar de dispor de mão-de-obra barata e utilizar o trabalho como forma de controle social, a referida Casa de Correção apresentava, por ocasião de sua criação, um sério problema em seu edifício, uma vez que a edificação não havia sido projetada para esse mister. Como solução para o problema, o administrador sugeria uma ampliação. Quatro anos após a sua inauguração, em 1839, o problema persistia, o próprio presidente da província reconhecia sua inadequação, aliada ao fato de estar localizada no Centro da Cidade e sem as comodidades próprias.



O sobrado onde funcionou a Casa de Correção e a Câmara Municipal (Casa de Câmara e Cadeia), foi erguido em 1825 por Francisco José Pacheco de Medeiros sendo o primeiro imóvel de tijolo e telha a levantar-se em Fortaleza. Em 1831 a Câmara comprou o prédio mudou-se para a nova sede em 1833. Mais tarde, com a saída da Casa de Correção, o prédio foi ocupado pela Intendência Municipal. Foi demolido em agosto de 1941, juntamente com todo quarteirão que ficava entre as ruas Major Facundo, Pará, Floriano Peixoto e Guilherme Rocha, na Praça do Ferreira.

Mas cumpria sua função de cadeia: nesse mesmo ano a Casa de Correção contava com 31 detidos, entre eles seis mulheres e dois escravos presos a pedido de seus proprietários até encontrarem compradores. Também figuraram entre os presos dois “filhos-família” (indivíduo, geralmente adulto, descendente de família abastada e financeiramente sustentado por ela. Era uma expressão bastante usada em documentos oficiais da época),um em 1836 e outro em 1838. Apesar de precária, a Correção não deixava de receber pessoas de diferentes origens, de sexos variados, de escravos a filhos-família. 


Entre 1° de abril e 30 de junho de 1841 foram relacionados 18 presos na Casa de Correção de Fortaleza. Dos detidos, oito eram mulheres. Entre as condenadas, sete foram julgadas por assassinato e uma por causar ferimentos, um forte indício de que a violência não era exclusividade masculina. As viúvas eram seis, todas acusadas de assassinato. Todas as mulheres também foram classificadas como “sem ofício”, evidenciando uma classificação administrativa que apartava a mulher de trabalhos reconhecidos institucionalmente como tais.

O número significativo de mulheres alertava para a necessidade de espaços específico para elas. Detentas sem marido e com dificuldades para produzir suas próprias receitas aumentavam as despesas da Correção, e ao mesmo tempo serviam como interessante mapeamento da violência cotidiana no Ceará: estas mulheres poderiam ser mais que vítimas, também poderiam ser agentes. Em relação as despesas, curiosamente quatro mulheres traziam para a Correção uma receita. A origem desse capital era imprecisa, talvez fosse fruto de trabalhos desenvolvidos dentro da prisão ou de ajuda de familiares. O fato de as presas – com uma exceção – não terem marido poderia significar que as suas vítimas foram seus próprios maridos, ou que a ausência da figura masculina expunha as mulheres a situações mais conflituosas.

Entre os demais condenados, nove respondiam por assassinato e um por estupro. Esse perfil inicial dos presos evidenciava a complexidade das relações travadas no espaço da Casa de Correção, principalmente por uma prisão que abrigava presos de ambos os sexos, com forte inclinação a violência. Estes homens, pela debilidade da edificação, acabavam convivendo proximamente com as presas. Traziam no rol dos crimes cometidos e nas penas imputadas (entre seis e vinte anos de prisão) um estigma social.

A naturalidade dos condenados era diversa, havia gente do Rio Grande do Norte, de Icó, de Sobral, de Aracati, do Crato, e outras localidades. Essa variedade poderia decorrer em razão da atração exercida por Fortaleza em relação a população de outras vilas e cidades, o que intensificava o fluxo de pessoas de várias origens na Capital. Também podia significar que os condenados de outras localidades fossem mandados para Fortaleza na esperança de encontrarem uma melhor opção de reclusão e correção.

A existência entre os condenados de ofícios que fossem reconhecidos pelos administradores provinciais já seria alvo de preocupação em 1835, por ocasião da inauguração da Correção. O trabalho emergia como possibilidade de readequação social e aumento das receitas da cadeia. Assim, em 1841, os ofícios que mais apareciam entre os prisioneiros eram os de carapina, de sapateiro e ferreiro. Ao lado do ofício aparecia a despesa do preso e a receita por ele produzida. Todos os presos que traziam receita para a instituição cobriam suas próprias despesas e geravam um saldo extra. Dos sete condenados que apresentaram receita, três eram homens: dois carapinas e um ferreiro. 

Os motivos da preocupação com a obtenção de receitas para a Casa de Correção eram simples: os recursos da província eram escassos, não havendo verbas suficientes para construir ou reformar prisões. Assim, até o salário do inspetor fora reduzido, a fim de ficasse assegurado, pelo menos, o vestuário e a alimentação dos presos. 
Em 1843 as limitações continuavam e a Correção foi mais uma vez classificada como imprópria para suas funções, o que tornava urgente a reforma do espaço. As mudanças não seriam de grande vulto, seriam basicamente às divisões internas das celas e reparos com caráter de conservação. Mais as tais pequenas alterações ainda teriam que esperar, pois pelo orçamento de 1843, a verba destinada aos reparos das cadeias provinciais, fora utilizada em outras coisas consideradas mais urgentes.

A Casa de Correção estava situada na Rua da Pitombeira (atual Floriano Peixoto), defronte a casa do comendador José Antônio Machado, que fora vendida em 1847 para o governo provincial, e passou a abrigar o quartel de polícia da Capital. A presença desse destacamento em frente a prisão tinha também a intenção de garantir maior segurança contra a fuga de presos e diminuir o gasto com vigilância.



O edifício onde funcionou o Quartel da Polícia, e mais tarde o Café Riche e o Hotel Central, (ambos instalados em 1913), era o sobrado mandado construir em 1825, pelo Comendador José Antônio Machado, na esquina das Ruas Guilherme Rocha com Major Facundo. A construção do sobrado derrubou um mito: na época existia a crença de que aquelas areias frouxas, no solo arenoso de Fortaleza não suportaria uma construção com mais de um pavimento, razão pela qual a decisão de construir foi considerada temerária; até os pedreiros se mostravam receosos, mas foram obrigados a levantar a obra com o auxílio dos presos da Cadeia do Crime. O sobrado foi demolido em 1927, quando já se encontrava na posse e domínio do capitalista Plácido de Carvalho, que ergueu no local o Excelsior Hotel. 

Em 1848 também era denunciada a fragilidade da casa do Comendador para abrigar o quartel. Principalmente devido à ausência de uma enfermaria, de um lugar seguro para guardar as armas e de uma prisão segura para os soldados. O quartel, tal e qual a Casa de Correção, precisava de reformas, o que não era possível devido a exiguidade dos recursos e a existência de outras prioridades.


A antiga Cadeia Pública, que sucedeu a Casa de Correção, foi projetada em 1850, levando cerca de 16 anos para ter suas obras concluídas, em 1866. Localizado no centro, na Rua Senador Pompeu, 350, hoje abriga o Centro de Turismo do Ceará.

Em 31 de dezembro de 1849, foram alocados recursos para o início da construção de uma nova Casa Penitenciária. Mas enquanto o novo estabelecimento não era construído, foram feitos alguns reparos emergenciais na Casa de Correção. Até 1850 a situação do prédio público ainda era precária, devido principalmente, a falta de recursos que dificultavam investimentos na infraestrutura da cidade.

Extraído do livro
Entre o Futuro e do Passado – Aspectos urbanos de Fortaleza (1799-1850) Antônio Otaviano Vieira Jr.
fotos: do arquivo Nirez e postais antigos


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Messejana, antiga Aldeia Paupina

Somente a partir da incursão de Martim Soares Moreno a colonização portuguesa do Ceará começa a florescer efetivamente. Um dos fatores para esse processo foi a construção de um forte na região conhecida hoje como Barra do Ceará, com o auxílio de alguns indígenas vindos da região do Jaguaribe, o que gerou uma aglomeração no local. Corria o dia 20 de janeiro de 1612, quando Soares Moreno batizou o forte com o nome de São Sebastião.

Tempos depois, essa aglomeração foi destacada para as terras do Mondubim, onde foi formado o Arraial do Bom Jesus da Parangaba por solicitação dos jesuítas. Apenas nos idos dos anos de 1690 é que é formada a aldeia de Paupina, povoada por parte da população que fazia parte da aldeia de Parangaba, criada por volta de 1662. 



Igreja de N. S. da Conceição, fundada em 1871, instituída canonicamente em 1873, conforme provisão episcopal de D. Luis Antônio dos Santos, primeiro bispo do Ceará. A igreja foi construída inicialmente pelos jesuítas, que nesse mesmo local ergueram uma capela, em cuja base foi erigida a igreja atual .


Praça da Matriz com o busto do escritor José de Alencar
Calçadão no entorno da Lagoa de Messejana

A Lagoa de Messejana está localizada na Bacia do Rio Cocó, no eixo do rio Coaçu. O seu espelho d'água tem 33,7 hectares e um volume de mais de 865 mil metros cúbicos de água, constituindo-se na segunda maior lagoa da cidade. Urbanizada em 2003, transformou-se na principal área de lazer do bairro, atraindo visitantes de toda a cidade e até turistas. O lugar possui píer, quadra poliesportiva, campo de futebol de areia e calçadão com área para cooper que começa no terminal de ônibus urbanos, contornando suas margens até o Clube da Caixa Econômica.



segundo historiadores, o bairro se formou ao redor da lagoa primeiro com ocupação indígena e, depois, veio a catequese que construiu uma capela, e lançou as bases da atual igreja. 


a Estátua de Iracema, idealizada pelo arquiteto Leonardo Fontenele. Com 13 metros de altura, a personagem do romance de José de Alencar remete ao lugar que a índia costumava banhar-se.

Feira Livre



Colégio Seráfico Nossa Senhora do Brasil, instituição educacional mantida pelos frades menores capuchinhos, criado em 1934, quando a Ordem dos  capuchinhos da Província Ceará/Piauí necessitava de um local propício à formação de seminaristas, ingressos na Ordem.
 
Instituto Frei João Pedro de Sexto - antigo Patronato Coração de Maria, surgiu em fins da década de 40, mantido e dirigido pelas freiras da ordem das Capuchinhas 

Os jesuítas foram responsáveis pela urbanização de Messejana. Com a expulsão deles em 1759, decretada pelo Marquês de Pombal, a vila passou a ser chamada "Vila Nova de Messejana da América”. Nos séculos XVII, Messejana conheceu o progresso e teve uma importante função econômica dentro do Ceará, pois serviu de via de escoamento de gado na época das charqueadas. Deste período, ainda existem vestígios da Estrada Parangaba-Messejana e a Estrada do Fio.

Mais tarde, no século XIX, Messejana foi uma das vias de escoamento do algodão vindo das regiões do Jaguaribe e Sertão do Central, para ser  exportado pelo Porto de Fortaleza. Em 1921, Messejana sofreu uma transformação que tem repercussão até os dias de hoje: o então governador do Ceará, Justiniano de Serpa, rebaixou o município de Messejana à categoria de distrito anexado ao município de Fortaleza. 



Localização: Zona sudeste de Fortaleza

Distrito Messejana, município de Fortaleza.

População: 41.689 habitantes (IBGE – censo 2010)

Sendo 19.277 homens e 22.412 mulheres

Limites:

Norte: Cajazeiras, Parque Iracema e Cambeba

Sul: Ancuri, Paupina e Coaçu

Leste: José de Alencar, Curió e Guajerú

Oeste: Barroso e Jangurussu
 

pesquisa:
Wikipédia
portal Messejana
programa Parque Vivo
fotos de Rodrigo Paiva e Raquel Garcia - janeiro de 2014
 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Os Monumentos Históricos: a memória em pedra e bronze

Etimologicamente, a palavra monumento, de origem latina,  significa lembrar. Assim seguindo a clássica definição do historiador Alois Reigl, monumento é toda obra criada pela mão do homem e construída com a finalidade de conservar sempre viva e presente, na consciência das gerações futuras, a lembrança de determinada ação ou existência.
No Ceará, os primeiros monumentos históricos estão vinculados ao ideário monárquico e retratam algumas lutas da pátria: Guerra do Paraguai, Abolição da Escravatura, Centenário da Independência – que se materializaram através da edificação de alguns monumentos, estátuas e bustos.

Estátua do general Tibúrcio da Praça do mesmo nome, também conhecida por Praça dos Leões. Foi a primeira estátua de Fortaleza, inaugurada em 8 de abril de 1888

Os primeiros monumentos construídos em praça pública evocam a Guerra do Paraguai, na figura de heróis que lá derramaram seu sangue em atos de bravura em defesa da pátria. Estes são o General Tibúrcio (1888) e General Sampaio (1900).
  

Inaugurada originalmente na Praça Castro Carreira (Praça da Estação) o monumento ao General Sampaio encontra-se atualmente em frente ao Quartel da 10ª Região Militar, antigo Forte Schoonenborch

Outro exemplo da presença do ideário monárquico é o monumento ao imperador D. Pedro II. Única representação do monarca em trajes de guerra foi construído já no período republicano, e inaugurado com muita pompa em 7 de setembro de 1913.
O monumento além de exaltar a figura do imperador, evoca fatos e personagens significativos da monarquia brasileira: princesa Isabel e a abolição da escravatura e conde D’Eu e sua participação na Guerra do Paraguai.



A estátua representa o monarca de pé, em traje de almirante, tendo a mão esquerda apoiada sobre o punho da espada. A base é de granito, tendo dos lados dois belos medalhões também de bronze. à frente do monumento, abaixo da coroa imperial esculpida em bronze, há uma placa da Associação dos Jornalistas Cearenses, dedicada a Dom Pedro II; do lado oposto está um medalhão representando a imperatriz D. Tereza Cristina. em ambos os lados, dois baixos relevos: uma reprodução do quadro de Vitor Meireles intitulado a Batalha de Campo Grande e outro representando a cena da assinatura da lei Áurea, destacando-se a figura da princesa Isabel.      

Em 1922, numa iniciativa do Círculo dos Operários e Trabalhadores Católicos de São José e lideranças locais, é inaugurado o Monumento ao Cristo Redentor, comemorativo ao centenário da independência, constituindo-se até hoje, no monumento mais alto da cidade.


Monumento do centenário ao Cristo Redentor, construído por iniciativa do Circulo dos Operários e Trabalhadores Católicos de São José. Tem uma altura total de 35 metros.
 
A presença do imaginário monárquico no Ceará e, em especial em Fortaleza, se evidencia também, através da denominação de diversas ruas e avenidas: Avenida do Imperador, Rua Princesa Isabel, Rua Conde D’Eu, e tantas outras.
Outro aspecto a ser levado em conta entre os monumentos de Fortaleza é o culto à nacionalidade, consubstanciado na figura do cearense mais ilustre, o escritor e político do império, José de Alencar.

A estátua do escritor José de Alencar, na praça homônima, foi inaugurada em 1929. A homenagem foi uma iniciativa do jornalista Gilberto Câmara. (foto de Maurício Cals)

À figura emblemática de Alencar, estão dedicados o nome de nosso teatro, tombado pelo IPHAN em 1965, como uma das mais importantes obras do ecletismo arquitetônico, bem como o monumento art-déco, situado na praça que leva seu nome, edificado por ocasião do seu centenário de nascimento (1929), numa iniciativa do então presidente da Associação cearense de Imprensa, o jornalista Gilberto Câmara.
A casa onde nasceu o escritor, localizada em Messejana, é tombada pelo governo local como monumento histórico do Estado, a Praia de Iracema e suas ruas com nomes de antigas tribos indígenas, as estátuas de Iracema, na Avenida beira Mar, reforçam o culto monumental em torno de José de Alencar e sua obra, na chamada terra alencarina.


fotos do acervo do Blog Fortaleza em Fotos e Fatos
fontes:
artigo de Ricardo Oriá - Fortaleza: os lugares de memória
Publicado no livro Uma Nova História do Ceará 
livro de Eusébio de Sousa
Os Monumentos do Estado do Ceará 

domingo, 6 de janeiro de 2013

A Criação da Assembleia Legislativa do Ceará

O primeiro prédio da Assembleia Provincial ficava na atual Praça da Sé, na Rua Direita do Palácio, em frente à igreja matriz (foto Arquivo Nirez)  

Na província cearense, os partidos políticos começaram a se esboçar na década de 1820. Como de resto no Brasil, eram fracos, desorganizados, restritos às opiniões divergentes de indivíduos que se identificavam e se fundavam em um conservadorismo imperial (chamado partido dos Corcundas) ou em um liberalismo de fachada (Patriotas).
Apenas durante a Regência – chama-se Regência o período entre a abdicação de Dom Pedro I, em 1831, e a posse do herdeiro Pedro de Alcântara, em 1840 – que essas dispersas correntes políticas tomariam novos rumos, ganhando mais consistência. 

As origens da Assembleia remontam a 1835. No dia 7 de abril daquele ano, o senador José Martiniano de Alencar, que ocupava a presidência da Província do Ceará, abria dos trabalhos da primeira sessão do Poder Legislativo cearense. Cumpria-se naquele momento o Ato Adicional assinado pela Regência em 1834, que criava as Assembleias Legislativas Provinciais. (foto Assembleia legislativa) 

Com o Ato Adicional de 1834, foram criadas as assembleias provinciais, origem das atuais assembleias legislativas, com isso, muitos poderes antes pertencentes às câmaras municipais, passaram para as assembleias provinciais, trazendo a necessidade das elites formarem alianças mais abrangentes para conservar o poder e o domínio da província.
Quando da eleição dos 28 membros da assembleia provincial – instalada em 7 de abril de 1835 – havia duas parcialidades no Ceará: liberais ou chimangos de um lado, conservadores ou caranguejos do outro.
Numa das primeiras leis, a de número 10, de 24 de maio de 1835, José Martiniano de Alencar, proibia a construção de currais de pescaria nos rios navegáveis da província. Ainda no mesmo ano, Alencar é autorizado a adquirir lampiões para a iluminação pública da cidade. Em 7 de setembro daquele ano, foi instalado o Banco Provincial do Ceará.

O sobrado da Intendência Municipal, foi a 2ª Sede da Assembleia Provincial (foto do Arquivo Nirez)  

O primeiro edifício da Assembleia foi o que a Junta da Fazenda Nacional mandou construir em 1829, para as sessões do Conselho Provincial, na Rua Direita do Palácio do Governo, em frente à igreja Matriz, e nele funcionou até meados da década de 1850. 
Em 1873, o presidente Francisco de Assis Oliveira Maciel, ordenou ao Conselho provincial, por ofício de 19 de abril de 1872, que  vendesse o antigo prédio da assembleia à firma Singlehurst and Co.
O segundo edifício da assembleia foi o Sobrado da Intendência, em 1856. 

Palácio Senador Alencar, onde a Assembleia funcionou entre 1871 e 1977 (foto do Jornal O Nordeste)

Depois foi construído o Palácio Senador Alencar,  com obras iniciadas em 1856 e conclusão em 1871, para instalação da Assembleia e do Liceu. A Assembleia já funcionou no novo prédio a partir desse ano e permaneceu no Palácio Senador Alencar até o dia 10 de maio de 1977, quando se mudou para o novo prédio na Avenida Desembargador Moreira.

Palácio Deputado Adauto Bezerra, sede atual da Assembleia Legislativa do Ceará

Atualmente em sua 28ª legislatura, período de 2001 a 2014, a Assembleia Legislativa do Ceará é composta dor 46 deputados eleitos pelo voto popular. O Poder Legislativo Cearense registra, portanto, 176 anos de existência em diversos períodos da história, entre império e República.
Fica na confluência das Avenidas Desembargador Moreira e Pontes Vieira, no bairro Dionísio Torres.  

Fonte:
História do Ceará, de Aírton de Farias
Descrição da Cidade de Fortaleza, de Antônio Bezerra de Menezes,  introdução e notas de Raimundo Girão
Cronologia ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (NIREZ)