Até 1947 quando foram extintos, os bondes eram um dos símbolos de Fortaleza. Mais do que simples meios de transportes, os bondes se integravam a vida da cidade pequena e tranquila, como monumentos vivos, muito ligados a vida da população.
Era da Praça do Ferreira que saía o maior número de linhas.
O ponto final era também na Praça, trecho da Rua Floriano Peixoto, em frente às Farmácias do Povo, Santo Antônio e o Globo.
o bonde de Jacarecanga
O bonde do Jacarecanga, por exemplo, deixava aquele ponto final e dobrava a esquerda, na Rua Guilherme Rocha, e seguia direto até a Praça do Liceu. No trajeto para o Liceu, a imponência da “Itapuca Vila”, implantada numa ampla quadra ajardinada da Rua Guilherme Rocha. Era uma construção concebida nos moldes das mansões coloniais inglesas no Oriente, particularmente na Índia.
Itapuca Vila
A Itapuca Vila era o destaque maior na paisagem arquitetônica, mas todo o corredor constituído pela Rua Guilherme Rocha até a Praça Fernandes Vieira (hoje Gustavo Barroso), avançando mais além pela Francisco Sá apresentava um conjunto de luxuosas residências, todas em amplos terrenos e com dois pavimentos.
Fábrica de Redes São José, ponto final do bonde do Jacarecanga
Depois da Praça do Liceu o bonde dobrava à direita na Avenida Philomeno Gomes, fazendo ponto final na calçada da Fábrica de Redes São José, próximo à linha do trem, nos fundos do cemitério São João Batista.
O retorno era feito pelo mesmo circuito, adentrando a Praça do Ferreira pela Rua Major Facundo, dobrava na Rua Pedro Borges e chegava à Floriano Peixoto no seu terminal.
As linhas do Benfica e Prado, a exemplo da de Jacarecanga, seguiam o mesmo rumo até a Rua General Sampaio, onde dobravam á esquerda na esquina do Bar Americano e seguiam em frente até o final da General Sampaio, quando esta faz uma leve curva e passava a se chamar Avenida Visconde Cauípe.
Bonde do Benfica
Os bondes do Benfica iam até um pouco além da Igreja dos remédios e de lá retornavam. Ladeando os trilhos dos bondes, muitas e suntuosas casas residenciais.
Os bondes do Prado dobravam à esquerda na Avenida 13 de maio, na esquina do Palacete Gentil e seguiam até as imediações do atual Instituto Federal de Educação.
Retornavam também pela mesma linha.
fonte:
Royal Briar - a Fortaleza dos anos 40, de Marciano Lopes
O Liceu e o Bonde, de Blanchard Girão
Royal Briar - a Fortaleza dos anos 40, de Marciano Lopes
O Liceu e o Bonde, de Blanchard Girão
fotos: Arquivo Nirez






2 comentários:
Mesmo sem a tecnologia que temos hoje e que é muito bom,tenho a impressão de uma cidade mais civilizada e rica se observarmos alimpeza das ruas e a arquitetura das casas antigas .
As casas antigas não tinham as instalações hidráulicas e sanitárias com a mesma qualidade que temos hoje, mas acho que elas podiam ter o seu uso adaptado e as fachadas preservadas. Infelizmente não foi o que aconteceu, e o que teve de imóvel antigo, em ótimas condições de conservação, construidas com excelentes materiais que foram simplesmente demolidas, dá bem a dimensão da preocupação que (não) temos pela memoria e história da nossa cidade. Um dia mudaremos esse script (eu espero).
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