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domingo, 13 de setembro de 2026

Bairro Cambeba

A partir da década de 1970, em razão da saturação da então área nobre – Aldeota, Meireles, Praia de Iracema, Benfica, Fátima e outras – novas áreas consideradas rurais, foram sendo incorporadas à cidade.  

Esse processo foi precedido pela ação de especuladores imobiliários, que se apropriaram de terrenos localizados na periferia da cidade e lotearam sítios, que se destinavam ao uso rural (Sítios Cocó, Tunga, Alagadiço, Cambeba, Estância, Colosso), localizados na zona Leste da cidade. 

O parcelamento e a posterior urbanização desses terrenos deu origem a diversos bairros da capital. Um dos bairros que surgiu desse movimento de transformação de áreas rurais em urbanas, é o Cambeba. 



O Sítio São José do Cambeba pertencia originalmente a José Barbosa da Silva Rosas, proprietário de uma área total de 552.600 m². Em agosto de 1965 o terreno foi adquirido dos herdeiros de José Rosas por meio de um formal de partilha judicial. No ano seguinte, em abril de 1966 o terreno foi transformado no loteamento Parque Cambeba.

Em 1968 a maior parte dessa área (477.110,50 m² foi desapropriada pelo Estado em favor da COHAB – Companhia de Habitação do Ceará, visando a construção de conjuntos habitacionais. Mas o projeto de habitação não avançou, e em fins da década de 1970 o local foi escolhido pelo governador Virgílio Távora para instalação do novo Centro Administrativo do Estado. 



Antes da criação do Centro Administrativo, o governo do Estado funcionava em instalações dispersas em vários bairros diferentes. O primeiro órgão estadual a se transferir para o Cambeba, foi a SEPLAN – Secretaria de Planejamento e Coordenação, saindo da antiga sede na Rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema, no início dos anos 1980. 

A sede do governo se instalou em 1987, no governo de Tasso Jereissati (1987–1991), que ficou no local entre 1987 e 2003, quando foi transferida para o Palácio Iracema no governo de Lúcio Alcântara (2003-2007). No governo de Cid Gomes (2007-2014) a sede do governo retornou ao Palácio da Abolição. 


A implantação do Centro Administrativo em terras do sítio São José do Cambeba deu impulso a urbanização e estabeleceu uma nova dinâmica na área, atraindo moradores e comerciantes, a construção de novas moradias, a abertura de vias de acesso e a consequente valorização da região. 

 


Atualmente o  Centro Administrativo abriga sete secretarias, entre elas a Secretaria das Cidades, da Educação, do Turismo, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), a Controladoria e Ouvidoria Geral do Estado – CGE, além das sedes do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

O Centro Administrativo Governador Virgílio Távora fica na Avenida General Afonso Albuquerque Lima, s/n, no bairro Cambeba, em Fortaleza (CE)  

Limites do bairro: Norte: Parque Manibura Sul: Messejana Leste: José de Alencar e Sapiranga-Coité Oeste: Parque Iracema e Cidade dos Funcionários

População: 8.775 habitantes (Censo 2022)


Fontes: 

Repositório institucional disponível em https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/24609/1/2004_dis_fgpmoreira.pdf

https://fortalezaembairros.fortaleza.ce.gov.br/bairro/cambeba

Wikipedia//Jornal O Povo// Globoplay  



domingo, 7 de novembro de 2010

O Golpe Militar de 1964 no Ceará

A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”
(Editorial de O Povo – Fortaleza – 3 de Abril de 1964)


O Governador era Virgílio Távora (1963-1966), que mesmo sendo um político conservador, herdeiro de tradicional oligarquia cearense, mantinha boas relações com o governo do Presidente João Goulart (1961-1964). Tal proximidade com Jango deixava Virgílio Távora numa posição delicada naquele complicado jogo político do Brasil na década de 1960. 

O governador condenava o reformismo de Jango, mas não se declarava adversário do presidente porque precisava das verbas federais e do apoio técnico para a modernização do estado. Os conservadores reagiam contra o que chamavam de articulações comunistas no Ceará. A ala conservadora da Igreja Católica local fazia intensa pregação anticomunista, e acenava para as forças armadas na defesa da ordem pública, do regime e da pátria.


Governador Virgílio Távora

O Golpe Militar de 1964 teve efeitos dramáticos no Ceará. Como no resto do País, os meios políticos cearenses sabiam das tramas conspiratórias em andamento, embora não soubessem quando o levante militar eclodiria. 

As primeiras noticias, confusas, sobre o golpe militar chegaram a Fortaleza ainda na noite de 31 de março, pelo rádio, o principal meio de comunicação de massas. As esquerdas tentaram então articular algum tipo de resistência, tardia e inutilmente. 

Estudantes realizaram passeatas e concentrações na Praça José de Alencar, dissolvidas pelo Exército; as sedes das entidades estudantis foram invadidas pelos golpistas, seus dirigentes foram destituídos e substituídos por estudantes “democratas”. 

Trabalhadores do Porto do Mucuripe, da Rede Ferroviária e dos Correios e Telégrafos iniciaram greves, logo desmobilizadas pelos militares com a prisão dos líderes e intervenção nos sindicatos. A Rádio Dragão do Mar foi fechada por conclamar a população a resistir ao golpe.

A sede do PCB (Partido Comunista Brasileiro), o “Escritório 25 de Março” no centro de Fortaleza, foi arrombada e praticamente destruída, sendo apreendida farta “documentação subversiva”; vários “subversivos” foram presos em Fortaleza e no interior, e trazidos para o 23° Batalhão de Caçadores; casas foram invadidas, pessoas foram presas por qualquer suspeita, bibliotecas foram confiscadas e o policiamento nas ruas passou a ser feito pelo Exército. 



Capa do jornal O Povo noticiando o Golpe de 1964: a favor 


Em seguida veio a cassação dos mandatos e dos direitos políticos. Muitos foram vítimas, não só as esquerdas, mas algumas lideranças moderadas, simples oposicionistas do governo. 

Foram cassados os deputados federais Moisés Pimentel e Adahil Barreto Cavalcante e os vereadores de Fortaleza Luciano Barreira, Tarcisio Leitão e Manuel Aguiar Arruda. 

A Assembleia Legislativa local foi a primeira do país a cassar deputados por razões políticas, no dia 10 de abril de 1964. Com a acusação de “falta de decoro parlamentar”, perderam o mandato Aníbal Fernandes Benevides, Raimundo Ivan Barroso, Pontes Neto, Fiúza Gomes, Blanchard Girão e Amadeu Arrais, os quais depois da sessão de cassação foram presos no 23BC.

Humberto de Alencar Castelo Branco 

A cassação desses deputados foi a maneira encontrada de salvar o governo Virgílio Távora, que contava com vários auxiliares considerados esquerdistas, e que mantinham relações cordiais com João Goulart, era visto com certa desconfiança por setores da direita e por pouco não foi derrubado em 1964, ante a pressão dos militares “linha dura”, sendo poupado graças a sua amizade pessoal com Castelo Branco e ao prestigio de seu tio, o velho Marechal Juarez Távora perante os golpistas. 

Teve, entretanto de fazer sacrifícios à revolução para provar fidelidade à nova ordem política, através da demissão de técnicos “comunistas” da secretaria da educação e da cassação dos mandatos dos parlamentares.

No longo prazo a instauração da ditadura favoreceu o Governo Távora: o presidente Castelo Branco, o Ministro de Obras e Viação Juarez Távora e o Superintendente da SUDENE João Gonçalves, eram cearenses, o que facilitou a liberação de recursos junto ao governo federal. 


Pesquisa:
História do Ceará de Airton de Farias
Cronologia Ilustrada de Fortaleza, de Miguel Ângelo de Azevedo (NIREZ)
Revista Fortaleza - Fascículo 4 - A Nossa Política