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sexta-feira, 27 de março de 2015

Os Enterros realizados nas Igrejas

Até meados do Século XIX os enterros de religiosos e pessoas com alguma relevância na vida social da cidade, eram realizados nas igrejas ou nas suas imediações. Após dois anos a sepultura era aberta, e os ossos recolhidos em urnas que eram enterrados novamente. Os pobres, e os menos afortunados eram enterrados nos arrabaldes, nas areias. A prática só desapareceu quando em 1848, foi inaugurado o primeiro cemitério de Fortaleza, o São Casimiro, também chamado de Croatá, localizado no lado leste da atual Praça Castro Carreira.

Praça Castro Carreira, em fins do século XIX,  com o terreno repleto de materiais que seriam utilizados na construção da ferrovia. O prédio da estação central foi construído no local antes ocupado pelo Cemitério de São Casimiro.
 
A construção foi iniciada em 1844. Pelo regulamento de 16 de março de 1848, o presidente Casimiro José de Morais Sarmento – que emprestou o nome ao cemitério – ordenou que a partir dia 1° de maio daquele ano, os cadáveres dos indivíduos falecidos na cidade e seus subúrbios só poderiam ser sepultados no Cemitério de São Casimiro, e aquele que infringisse as normas, sofreria multa de 25$000 reis. Outra Lei, a de n° 660, de 29 de setembro de 1854, proibiu expressamente inumações de corpos em todas as igrejas da Província. 

A proibição de se sepultar cadáveres no interior dos templos estava associada à questão da higienização e da saúde pública. Segundo teorias, o ar poluído pela decomposição dos corpos poderia disseminar doenças entre os fiéis.

Em 1840 a Igreja do Rosário – a única da capital – era caracterizada como estreita. E nesse estreito recinto, sepultavam-se vários cadáveres,  de modo que os fiéis que costumavam lotar a igreja, acabavam convivendo com um ambiente insalubre e altamente contaminado. 

Templo mais antigo de Fortaleza, construído por volta de 1730, a Igreja do Rosário, passou por uma reforma em 2001, quando  foi descoberto que, debaixo do piso principal havia um outro piso com diversas divisórias. Essas divisórias correspondiam a túmulos de pessoas que ali foram sepultadas em tempos passados. Os 54 corpos foram deixados no mesmo local, anonimamente, sem qualquer indicação de que repousam sob os pés dos fiéis frequentadores do templo. 


O piso de madeira da Igreja do Rosário, sob o qual foram encontrados 54 corpos que ali foram sepultados até 1848, e o túmulo do Major Facundo, sepultado na parede da Igreja.

Um único túmulo permanece identificado: o do Major Facundo, assassinado em 1841, em decorrência de intrigas políticas, num crime atribuído à esposa do então presidente da província. O major foi sepultado na parede lateral, em pé, voltado para o Palácio da Luz, à época sede do governo do Estado.

Mesmo depois da existência dos cemitérios, a Igreja Católica conservou sua influência na “hora da morte”. No São Casimiro havia uma área reservada e marginal para os que não professavam a fé católica ou atentassem contra os princípios desta (judeus, suicidas, etc). Foi também construído um cemitério dos ingleses (para protestantes) vizinho ao São Casimiro, que era mantido pela firma de importação e exportação Singlehust  and Co, de Henrich Brocklehurst.

Capela do Cristo Ressuscitado, localizada na Cripta da Catedral de Fortaleza 

Os sepultamentos nas igrejas ainda acontecem de modo restrito e exclusivo para religiosos. Na Cripta da Catedral de Fortaleza, encontra-se a Capela do Cristo Ressuscitado, onde estão sepultadas algumas personalidades ligadas à Igreja Católica como Monsenhor Tito Guedes, Monsenhor José Quinderé  e outros, falecidos antes mesmo da inauguração da Catedral, como D. Manuel da Silva Gomes (1950) e D. Antônio de Almeida Lustosa (1974).

Mausoléu dos Religiosos Sacramentinos, na Igreja de São Benedito. 

No interior da Igreja de São Benedito, localizado na Rua Clarindo de Queirós, encontra-se o mausoléu dos Religiosos Sacramentinos, separado do corpo da nave por uma grade, onde estão sepultados padres da Ordem.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Construção dos Cemitérios

A Igreja do Rosário no centro de Fortaleza, tem inumeros corpos sepultados no seu interior.

Até meados do Século XIX era costume enterrarem-se os mortos nas igrejas.
Para o saber médico-cientifico a decomposição dos cadáveres tornava os templos foco de doenças. Assim para adequar a cidade às recomendações médicas, em 1848 foi edificado o primeiro cemitério público de Fortaleza, o São Casimiro, (em homenagem ao governador que autorizou a construção, Casimiro José de Morais Sarmento 1847 – 1848)  também chamado de Croatá, localizado no lado leste da atual Praça Castro Carrero.

Houve alguma resistência por parte dos segmentos religiosos em relação a medida, afinal o enterro nas igrejas era símbolo de status – na verdade só eram enterradas nas igrejas as pessoas importantes, pois os humildes eram inumados pelo areal da cidade. Isso de certo modo continuou a ocorrer nos cemitérios , pois túmulos e mausoléus grandes e adornados com estátuas e esculturas passaram a ser erguidos, reafirmando o poder político ou econômico do falecido e de sua família.

Mesmo com a construção do cemitério a Igreja Católica conservou sua influência na “hora da morte”. No São Casimiro havia uma área reservada e marginal para os que não professavam a fé católica ou atentassem contra os princípios desta (judeus, suicidas, etc).

Foi também construído um cemitério dos ingleses (para protestantes) vizinho ao São Casimiro, que era mantido pela firma de importação e exportação Singlehust & Co, de Henrich Brocklehurst.


mausoléus no São João Batista: pompa e ostentatação 

Nos anos 1860 discutiu-se a necessidade de construir um novo cemitério, por diversos motivos: além de pequeno, o São Casimiro estava sendo soterrado pelas areia do Morro Croatá, estava muito próximo do perímetro urbano e por que lá estavam sepultados inúmeros coléricos.
 
Em 1866, mesmo inacabado, foi inaugurado o Cemitério São João Batista (seria concluído em 1880), para ali sendo lentamente removidos os mortos do Croatá.

O Cemitério dos Ingleses continuou a ser utilizado até ser demolido em 1880, para construção de armazéns e da estação da Estrada de Ferro Baturité. A partir daí foi destinada uma área nos fundos do São João Batista para sepultamento dos protestantes.

O São João Batista é um testemunho de que a divisão entre classes sociais que permeia a relação entre os vivos permanece na morte: da metade para frente estão os jazigos de classes dominantes, com peças sacras como anjos, colunas, crucifixos, além de jarros mausoléus e capelas feitas de mármore e granito importados da Europa; da metade para trás estão os falecidos de classes médias e populares.



E hoje...

Os cemitérios são empreendimentos capitalistas privados, acessíveis a qualquer um que possa pagar pelo serviço; não existem restrições quanto à religião, nem à raça, nem à cor. Os jazigos são espaços homogêneos, uniformes, discretos, sem esculturas, nem capelas.

Tampouco tem nome de santo: é jardim, parque, bosque, memorial. Oferecem confortos como lanchonetes, restaurantes, sala de estar, espaço para eventos culturais, conexão com a internet, serviço de ambulatório, assistência médica e psicológica, capelas ecumênicas, e outras modernidades.    

Pesquisa:
História do Ceará, de Airton Farias
fotos do S.João Batista: http://www.santacasace.org.br/index