terça-feira, 24 de junho de 2014

O Progresso no Século XIX

Fachada do Colégio da Imaculada Conceição em 1905

O Colégio Ateneu cearense foi instalado em 8 de janeiro de 1863 e marcou o início de uma era de educandários bem organizados que não mais deixariam de oferecer aos estudantes as facilidades exigidas para sua educação intelectual, moral e artística. Da mesma década são o Seminário Episcopal de Fortaleza (10 de setembro de 1864) e o Colégio da Imaculada Conceição, dirigido pelas Irmãs de São Vicente (15 de agosto do mesmo ano). Desse mesmo decênio é a abertura da Biblioteca Pública, em 25 de março de 1867, pelo Presidente João de Sousa Melo e Alvim. Contava com 1730 volumes  e acomodava-se em edifício na Praça do Patrocínio, no qual depois esteve o Quartel do Batalhão de Segurança e, em 1933 passou a funcionar o Departamento de Saúde Pública.

 Prédio do Batalhão de Segurança, onde antes funcionara a Biblioteca Pública

No plano material, a cidade também prosperava, recebendo no governo do Presidente José Bento da Cunha Figueiredo Junior, grande incremento a pavimentação das ruas e iluminação a gás carbônico.  Até então a iluminação era a base de azeite de peixe, serviço inaugurado em 1 de março de 1848 pelo contratante Vitoriano Augusto Borges. Compunha-se de 44 lampiões de quatro faces, mais largos em cima que embaixo, com fundo e tampa de metal. Eram pendurados em suporte de ferro cravados nas esquinas para que pudessem distribuir a luz em ambas as ruas. Uma corda, passando por duas roldanas elevava-os até o suporte, depois de convenientemente acesos, e uma caixa de azeite, com um pavio de algodão, completava o primitivo sistema de iluminação. 

 Passeio Público, equipado de combustores e iluminação a gás carbônico 

Esses mortiços focos, foram substituídos em 1866 por combustores artísticos, colocados nos passeios, de cada lado da rua, alternadamente. A altura de 2,40 metros, e a boa qualidade da luz proporcionava uma iluminação muitas vezes melhor que a de azeite. A base é o gás carbônico, extraído do carvão de pedra. A empresa que explorou o serviço público e para as residências – a Ceará Gas Co. Ltd – durou até outubro de 1935, quando foi rescindido o seu contrato.
Outra melhoria de nota foi a canalização da água potável destinada a abastecer a Capital. Acanhado e precário, era, entretanto, de enorme utilidade. Contratou-o em 27 de maio de 1863, a firma de Londres – Ceará Water Works Co. Ltd – que o inaugurou em 26 de março de 1867. A despeito de gozar do privilégio por 50 anos, viu-se a empresa obrigada a suspender definitivamente o abastecimento em virtude da seca de 1877, que secou as fontes de água. Nem ao menos confiou a outros os seus interesses, posto que os seus ativos foram vendidos em hasta pública para pagamento de dívidas. O abastecimento era feito por chafarizes espalhados em vários locais públicos. 

 Estação de Arronches, atual Parangaba da Estrada de Ferro Baturité, inaugurada em 1873

Todavia, foi a inauguração da estrada de ferro o fato mais importante dessa época. Contrataram sua construção, em 25 de junho de 1870, o Senador Pompeu, Joaquim Cunha Freire (Barão de Ibiapaba), Gonçalo Baptista Vieira (Barão de Aquiraz), o engenheiro José Pompeu de Albuquerque Cavalcante e o inglês Henry Brockhurst. A ferrovia teria como terminal a cidade de Baturité e essa a razão do nome – Estrada de Ferro de Baturité. Começou o tráfego inaugurando-se a estação da Parangaba, em 30 de novembro de 1873. Em junho de 1878, já falecido o Senador Pompeu, a propriedade da estrada de ferro foi transferido ao governo imperial, resgatadas as respectivas ações, trocadas por apólices do tesouro. 

 Parada dos bondes na Praça do Ferreira


Não menos valioso, o surgimento da Companhia Ferro-Carril, com os bondes de tração animal. Organizada em 3 de fevereiro de 1877, pôs em trilhos os primeiros veículos no dia 25 de abril de 1880. Começou com 25 bondes. Cada bonde podia conduzir 25 passageiros, distribuídos em cinco bancos. Pequeninos, modestos, dirigidos por um boleeiro quase sempre vestido de fraque, os primitivos bondes pareciam caixas de fósforos, tendo umas cortinas que corriam balaústres abaixo, em defesa do calor do sol ou da chuva. Trafegavam o dia inteiro, das 6 da manhã às 9 da noite, puxados por dois burros usando uns óculos de couro, tendo como ponto de partida de todas as  linhas, a Praça do Ferreira. O último deixava a praça ao tocar da corneta dos quartéis, anunciando o recolher, sendo que o do Alagadiço saía às 8 horas. A passagem custava cem réis.
Completando a rede das comunicações, em 23 de fevereiro de 1881, foi inaugurado o telégrafo, ligando Fortaleza ao Rio de Janeiro. Aos demais estados do Sudeste, ao Maranhão e à Europa, no ano seguinte, pelo cabo submarino lançado pela American Telegraph and Cable Company.

 Construído em 1825, o sobrado do Comendador Machado, na esquina das Ruas da Palma e Municipal (Major Facundo com Guilherme Rocha), no local onde hoje está o prédio do Excelsior, foi um dos imóveis registrados pelo censo de 1872.  

Os telefones datam de 11 de fevereiro de 1883, iniciativa de Confúcio Pamplona, homem de larga visão empreendedora. A sua Casa Confúcio, na Rua Major Facundo, foi o maior empório comercial daqueles tempos.
O recenseamento de 1872, atesta que Fortaleza contava com 21.372 habitantes; em  1877, o número saltou para 26.943 habitantes. Havia 72 sobrados, quase todos de um só andar, 4.380 casas térreas e 1178 choupanas. Quarenta e cinco ruas, 4 boulevards, 16 praças, 10 templos católicos e 25 edifícios públicos.

Extraído do livro Geografia Estética de Fortaleza
De Raimundo Girão
fotos do Arquivo Nirez

sábado, 21 de junho de 2014

Fortaleza é o "País" do Futebol














Foi uma festa memorável a que marcou o segundo jogo da seleção Brasileira neste mundial e o primeiro encontro com a torcida cearense na Arena Castelão desde junho do ano passado, quando jogamos contra o mesmo adversário pela Copa das Confederações: a seleção mexicana. Neste último dia 17 a euforia foi compartilhada com milhares de mexicanos que invadiram a arena dispostos a empurrar o seu time e, por vezes conseguiram - quando o apoio da torcida brasileira foi abafada pelos animados e incansáveis gritos mexicanos. Para as arquibancadas animadas, o placar foi injusto. Faltou o grito de gol. Ficamos no zero a zero.

Um destaque especial para o arqueiro mexicano Ochoa. As quatro ótimas defesas em duas conclusões de Neymar, uma de Paulinho e uma de Thiago Silva garantiram o placar inalterado.

A Organização funcionou dentro do previsto

O trajeto de ônibus partindo do bolsão do Centro de Eventos foi tranquilo. A saída, por volta de 12h45 mostrou-se sem maiores inconvenientes e o trânsito estava tranquilo. Na descida, a uma distância de 1,5km da Arena, os torcedores puseram-se a andar.

No meio do caminho, muitos vendedores ambulantes ofereciam água, cerveja e refrigerantes a preços tabelados. A única coisa que havia mais que vendedores eram homens para garantir a segurança padrão Fifa do evento - Polícia Militar, Polícia Rodoviária Estadual, Exército, Polícia Federal. Tinham armas e uniformes de variadas cores e formatos. Apesar de saber que houveram manifestações, não as vi.

A entrada no estádio foi mais tumultuada. O acesso variava de acordo com o ingresso, prioridade etc. Muitas pessoas desinformadas e poucas pessoas para informar do lado de fora das catracas. Indicaram-me que minha mochila deveria passar em determinado acesso, a fim de passar pelo raio-x. Não passou pela máquina. Uma funcionária pediu-me para abri-la e deu apenas uma olhada por cima. A revista também foi inexistente. Ponto negativo para a segurança.

A volta foi tranquila e organizada. Um clima festivo pairava. Independentemente da cor de sua camisa.
* Nossos agradecimentos à Coca-Cola e à Powerade, patrocinadores da Copa do Mundo FIFA 2014, que nos forneceram os ingressos para assistir à partida entre Brasil x México.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Capela de Santa Terezinha



Sua construção foi iniciada em 14 de novembro de 1926, e foi inaugurada dois anos depois, em 1928.  Está localizada no Bairro Moura Brasil, na Avenida Presidente Castelo Branco, local dos antigos abarracamentos promovidos pelo governo local para manter sob controle os retirantes que fugindo da seca, se dirigiam para a capital.
Em 1878 o Presidente da Província, baixa instruções dividindo os subúrbios da cidade em nove distritos para abrigar os emigrantes da seca, que ficam alojados nos abarracamentos, entre os quais está o distrito do Pajeú que naquela época correspondia ao trecho ocupado hoje pela Av. Leste-Oeste, entre as ruas Barão do Rio Branco, Senador  Pompeu e General Sampaio, e também a área que corresponde ao Marina Park e seus equipamentos. Com a chegada dos sertanejos, se formou no local uma grande comunidade, carente de tudo: saúde, alimentos, água, higiene, assistência médica, etc.
  





Para amenizar essa situação dramática, os moradores, com o apoio da Igreja Católica, fazem movimento para construção da Capela Santa Terezinha, em louvor a santa  protetora daquela comunidade onde em seus momentos de aflição, angústia ou desespero recorriam ao aconchego acolhedor do templo.
Com a expansão da cidade, surgiu o projeto de construção da Avenida Castelo Branco, na década de 70, que previa a remoção dos moradores como de fato ocorreu, e a demolição da capela, o que não foi concretizado em virtude dos protestos e das manifestações populares.  O projeto foi alterado e o templo permaneceu no local.
Outra tentativa de demolição da capela ocorreu algum tempo depois, com a execução do projeto do Hotel Marina Park.  Como compensação, foi proposta a construção de outra igreja, mais ampla e moderna, apta a receber não penas os remanescentes moradores do bairro, mas pessoas de diferentes áreas da cidade. O projeto ganhou simpatias e teve o apoio da Paróquia a que estava subordinado o templo. À época, as atividades da Capela de Santa Terezinha estavam parcialmente suspensas, em virtude das obras que estavam sendo construídas no seu entorno. 

 Igreja de Santa Edwiges, construída em troca da demolição da Capela de Santa Terezinha

Avenida Presidente Castelo Branco (Leste-Oeste) em 1974 (foto do arquivo Nirez)

A nova igreja proposta pela direção do empreendimento foi efetivamente construída, a alguns metros à frente, na mesma avenida. A Igreja de Santa Edwiges foi inaugurada no dia 1° de outubro de 1995, quando foi celebrada a primeira missa no local.
No entanto, mais uma vez a população se mobilizou contra a demolição do templo, agora com apoio da Câmara Municipal que apresentou o Projeto de Lei de nº 05/86, considerando de relevante interesse histórico e cultural para a cidade de Fortaleza. O projeto foi aprovado pela Câmara e sancionado pela então prefeita Maria Luiza Fontenele. 
A Capela de Santa Terezinha venceu mais essa batalha, e está até hoje no mesmo local. Tombada pelo Município através da Lei 6087 de 09 de junho de 1986. 

fotos de Raquel Garcia 
jun/2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Projeto Sinal Livre



Projeto Sinal Livre e jovens da Escola Olodum, em Salvador, em ação para incentivar pedestres, ciclistas e motoristas a terem atitudes mais seguras no trânsito.


Fortaleza, cidade com mais de 2,5 milhões de habitantes* e uma das principais regiões metropolitanas do Brasil, tem cada vez mais em pauta a temática da mobilidade urbana - um dos maiores desafios do mundo contemporâneo - e a constante busca por soluções para amenizar as dificuldades de locomoção nos centros urbanos. Ciente da frequência deste assunto na vida dos moradores de Fortaleza e de outras cidades do Brasil, a Liberty Seguros idealizou o projeto Sinal Livre que, tal como o Blog Fortaleza em Fotos adiantou ontem, possui o objetivo de difundir boas práticas e estimular o engajamento e a conscientização das pessoas para uma locomoção mais segura. A adoção da causa está em linha com a missão da empresa, que é ajudar as pessoas a viverem vidas mais seguras e tranquilas, e também endereça uma grande problemática atual que afeta a todos os brasileiros que moram nas grandes centros.

Seguradora Oficial da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™, a Liberty Seguros desenvolve, desde 2012, o projeto Sinal Livre, com o suporte da Lynx Consultoria. Atualmente o projeto está em sete cidades sede do Mundial - Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Receber um evento desse porte altera a rotina das cidades e dos bairros no entorno dos estádios e por isso a seguradora fez a opção de iniciar o projeto em cidades-sede da Copa. Com a realização dos jogos, o dia a dia dos moradores é afetado, com alteração de fluxo de vias, obras e maior deslocamento de pessoas a pé, de bicicleta, de moto e de carro.

O público do projeto abrange estudantes da rede pública de ensino no Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio interessados em aprender sobre o tema. Os jovens aprendem por meio da educomunicação – metodologia pedagógica que usa os meios de comunicação para gerar conteúdo, na maioria das vezes multimídia – orientados por educadores. O conteúdo abordado foi desenvolvido pela Liberty em parceira com pedagogos e envolve os três pilares do Sinal Livre: Mobilidade Verde, Fluidez e Segurança no Trânsito.

O projeto possibilita aos jovens uma reflexão sobre sua cidade e o direito de ir e vir. Além disso, coloca esses alunos como protagonistas sociais, uma vez que os tornam multiplicadores do tema na construção de mídias para promover a interação e entendimento sobre a mobilidade urbana”, afirma Karina Louzada, Superintendente de Assuntos Corporativos da Liberty Seguros. Até hoje já foram mais de 370 jovens capacitados, 70 projetos realizados e mais de 10 mil pessoas impactadas pelas ações dos projetos realizados pelos jovens.

De acordo com Karina Louzada, o projeto estimula a sociedade a refletir sobre o assunto tão recorrente nas grandes metrópoles do país. “A atuação dos jovens no Sinal Livre valoriza principalmente pequenas ações que resultam em grandes atitudes responsáveis”, destaca a executiva. Em Fortaleza, participam do projeto as escolas de ensino fundamental e médio Deputado Paulino Rocha e Professora Maria Gonçalvez. Para Nertan Rocha, um dos responsáveis pela Gerência de Educação para o Trânsito (GEDUC), o Sinal Livre possui grande semelhança com o projeto de conscientização já trabalhado pela Prefeitura Municipal de Fortaleza. “Dentro de vários temas de educação para o trânsito, temos o projeto ‘Dê passagem para a vida’, que tem como foco conscientizar o pedestre que, ao atravessar a via, deverá usar a ferramenta de segurança que é a faixa de pedestres”, afirma Rocha. “Sendo assim, em virtude da semelhança dos nossos projetos, temos a certeza de que esta ação contribuirá em muito para alcançarmos nosso objetivo junto à sociedade, que é oferecer um trânsito mais seguro e humano”, complementa.

O projeto Sinal Livre inclui outras iniciativas para sensibilizar a população das cidades sobre o tema. Na capital cearense, com objetivo de chamar a atenção sobre o respeito à faixa de pedestre, jovens do Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte de Fortaleza (CUCA) e do projeto Sinal Livre realizarão no próximo sábado (21), entre 9h e 11h, uma animada intervenção de dança de rua no cruzamento das avenidas Desembargador Moreira com Antônio Sales, poucas horas antes do jogo Alemanha e Gana.

O trabalho de conscientização já realizado pelo GEDUC e as ações artísticas da Rede Cuca nos fizeram pensar essa parceria com o Sinal Livre para levar o projeto para as ruas de Fortaleza. Este ano, durante a Copa do Mundo, realizaremos ações conjuntas com ONGs locais em outras 5 cidades”, explica Karina. 

*Fonte: Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013.





Sobre a Liberty Seguros:

Seguradora Oficial da Copa do Mundo da FIFA 2014™, a Liberty Seguros está no mercado brasileiro desde 1996, quando adquiriu a tradicional Companhia Paulista de Seguros, e está entre os cinco maiores grupos seguradores. Com prêmios de R$ 2,4 bilhões e uma carteira com mais de 1,3 milhão de segurados, tem 1,5 mil funcionários, em 72 pontos de vendas em todo Brasil. Com mais de 13 mil corretores em todo o território nacional, a Liberty Seguros possui um portfolio completo com mais de 100 soluções de seguros para pessoas físicas, empresas e grandes riscos. É pioneira e especialista em seguros personalizados para funcionários de empresas, o seguro de afinidade (Affinity).

terça-feira, 17 de junho de 2014

Praça Doutor Moreira de Sousa


 
Localização: entre as Avenidas da Abolição, Desembargador Moreira, Antônio Justa e Rua Barbosa de Freitas, no bairro Meireles. Em frente ao Clube Náutico Atlético Cearense.
Recebeu a denominação de Moreira de Sousa através da Lei n° 703 de 09 de outubro de 1953. Em 1960, na gestão do Prefeito Cordeiro Neto, o nome da Praça foi modificado para Dez de Abril, em homenagem ao dia da Fundação do Forte Schoonenborch, origem histórica da cidade. No entanto, pela lei 2001 de 03 de agosto de 1962, o logradouro retomou seu antigo nome, ou seja, Praça Dr. Moreira de Sousa. 


Em 2012 a praça ficou interditada por mais de 6 meses para reforma. Foi reaberta no início de 2013, com sinais visíveis de que a reforma não fora concluída: o piso estava incompleto, o gramado mal cuidado e as sobras do material de construção ficaram no local. Em menos de 1 ano, voltou a ser cercada por tapumes e ficou mais uma temporada isolada.
Agora, adotada por uma empresa privada, foi finalmente reaberta. O resultado é um espaço arborizado, sinalizado e muito bem cuidado. 





   



Homenageado


Francisco Moreira de Sousa nasceu em Russas, Ceará, a 10 de março de 1899, filho de André Moreira de Sousa e Cosma Moreira de Sousa. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1929, vindo em seguida, clinicar em Fortaleza. Casou-se em Salvador em 1929, com Maria Augusta Moreira de Sousa com quem teve 2 filhos.
O Dr. Moreira de Sousa montou seu consultório no Edifício Granito, na Praça do Ferreira, cuja especialidade era Ginecologia e Cirurgia. Operava rotineiramente nas Casas de Saúde César Cals, São Raimundo e São Lucas, sendo conhecido pelo espírito humanitário e pela competência que lhe valeu o conceito de ter sido um dos melhores cirurgiões do Estado.
Foi diretor da Divisão Médica da Caixa de Aposentadoria e Pensões do Centro Médico Cearense; Presidente do Náutico Atlético Cearense no biênio 1948-1949; e um dos fundadores da Faculdade de Medicina do Ceará.
Faleceu em Fortaleza, a 18 de outubro de 1950. O féretro saiu de sua residência na Rua Floriano Peixoto, 1363, para o Cemitério São João Batista com grande acompanhamento de seus inúmeros amigos e pacientes.


Fonte:

Praças de Fortaleza, de Maria Noélia Rodrigues da Cunha
fotos de Rodrigo Paiva
jun/2014 

A Velha Nova Praça do Ferreira

Na primeira metade do século XIX, o local onde hoje se encontra a Praça do Ferreira era um imenso areal, com uma ruela denominado Beco do Cotovelo atravessando-a de Nordeste a Sudoeste. Em 1842, o intendente Manuel Teófilo Gaspar de Oliveira, mediante lei da Assembleia Provincial, autorizou a execução do plano da cidade na qual incluía a reforma do local, eliminando o Beco do Cotovelo. 


O Jardim 7 de setembro, foi construído em 1902 pelo intendente Guilherme Rocha

 
e foi desmontado em 1920, pelo Prefeito Godofredo Maciel 

Em 1902 a praça recebe sua primeira urbanização com pavimentação,  na gestão do Intendente Guilherme Rocha.  Era cercada de mongubeiras para amarrar os animais que traziam do interior as mercadorias para abastecer o comércio local. No centro, foi instalado o jardim 7 de setembro, ornamentado com colunas e estátuas à moda de Paris. Quatro avenidas cruzavam o jardim havendo um portão em cada extremidade, bancos de madeira e colunas com gradil cercando o centro da praça.


O prefeito Godofredo Maciel também mandou demolir os quiosques na mesma reforma 

A partir de 1886 foram instalados 4 quiosques (cafés/restaurantes) um em cada canto da praça, onde a sociedade se reunia para atividades de lazer. A cacimba cavada em 1877 e que servia à comunidade,  passou a fornecer água para o jardim. Em 1920 o Prefeito Godofredo Maciel mandou demolir os quiosques, retirou as grades do jardim 7 de Setembro e mandou construir um coreto; as laterais receberam recortes para estacionamento de automóveis e bondes, desafogando o trânsito nas Ruas Major Facundo e Floriano Peixoto. 

O Coreto foi construído pelo Prefeito Godofredo Maciel no início dos anos 20

Em 1933 o Prefeito Raimundo Girão mandou demolir o Coreto e construir a Coluna da Hora 

A praça passou por nova reforma em 1933: o prefeito Raimundo Girão mandou demolir o coreto e construiu a Coluna da Hora, um monumento de cimento e pó de pedra, projetado por Clóvis Janja, no estilo Art-Dèco medindo 13 metros de altura, com um relógio de 4 faces, adquirido nos Estados Unidos. Após sua inauguração, a Coluna da Hora transformou-se em cartão postal da cidade, sendo utilizada em campanhas publicitárias a nível local e nacional.


Em 1941, todo o quarteirão que ficava entre as Ruas Major Facundo, Pará, Floriano Peixoto e Guilherme Rocha, foi demolido, na gestão do prefeito Raimundo de Alencar Araripe, para a construção de um edifício que abrigaria a Prefeitura Municipal.

O Abrigo Central ou Abrigo 3 de Setembro foi construído em 15 de novembro de 1949, na administração municipal de Acrísio Moreira da Rocha, no lugar do quarteirão demolido em 1941

Em 1941 foi demolido todo o quarteirão da Intendência Municipal. No local, foi construído alguns anos depois, o Abrigo Central, inaugurado em 15 de novembro de 1949. Em 1967 o prefeito José Walter Cavalcante fez uma reforma radical: demoliu a praça e construiu outra completamente diferente: mudou os pontos de ônibus para a Praça José de Alencar, demoliu a Coluna da Hora e o Abrigo Central, prometendo construir um monumento a o Boticário Ferreira. 


Na segunda metade dos anos 60, o prefeito José Walter Cavalcante fez uma grande reforma na praça, quando foram demolidos o Abrigo Central e a Coluna da Hora.

A nova praça tinha canteiros elevados, uma galeria no subsolo a qual abrigou o salão Antônio Bandeira e a Fundação Cultural de Fortaleza.  O visual da praça causou indignação e protestos da população e durante muito tempo passou a reivindicar o retorno de uma praça com as características da tradicional. 
Em 1991 o prefeito Juraci Magalhães reconstruiu a Praça do Ferreira, resgatando, em parte, as características da antiga praça, com base em um projeto dos arquitetos Fausto Nilo e Delberg Ponce de Leon.


A Praça nos tempos da Ditadura


Conhecida como o Coração de Fortaleza, a Praça do Ferreira sempre abrigou diferentes tribos urbanas que habitam e dividem espaço na cidade: aposentados, desocupados, intelectuais, comerciantes, comerciários, estudantes, professores, e como diria o outro, o público em geral.  Os assuntos, todos: lançamentos literários, futebol, política, custo de vida, religião, vida alheia, quem é, quem deixou de ser, etc. Um dia, mandaram reformar a praça do povo. Desmancharam a Coluna da Hora, derrubaram o Abrigo Central, tiraram os bancos, retiraram as árvores, apagaram as luzes, mandaram o povo embora: ia surgiu uma nova praça.


A Praça entre fins dos anos 60 e início dos anos 90 

A Praça do Ferreira é um dos logradouros mais antigos da cidade, contando com 172 anos, desde o marco de sua fundação, a retirada do Beco do Cotovelo, em 1842. Mas não há elementos na Praça que ateste ou tenha sido testemunha dessa passagem do tempo. A compulsão de boa parte dos governantes em destruir, demolir, alterar a paisagem, movidos provavelmente pela vaidade desmedida, destruiu o patrimônio histórico e cultural de Fortaleza. Nada foi poupado, nem a Igreja da Sé oitocentista, nem as construções históricas no entorno da Praça da Sé, nem a Praça do Ferreira, feita e refeita inúmeras vezes, ao gosto do governante de plantão. 


Hoje, a praça é antiga mas tem cara de nova: monumentos, bancos pisos, árvores, tudo é recente, no máximo de 1991, exceto a velha cacimba atemporal, e alguns imóveis do entorno, milagrosamente preservados.
Em 2001 a Praça do Ferreira foi oficialmente declarada “Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza” (Lei Municipal 8605, de 20 de dezembro de 2001). Quem sabe assim, algum equipamento viva o suficiente para virar história.

fotos do Arquivo Nirez