quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lord Hotel (Edificio Philomeno Gomes)

Em 1951, a Imobiliária Philomeno Gomes estava construindo dois prédios em Fortaleza: o Edifício São Pedro, na Praia de Iracema, e o Edifício Philomeno Gomes, no Centro. Mas, devido a um grande evento que iria ocorrer na cidade e à falta de local para abrigar os visitantes, o governador pediu que parte dos prédios fosse transformada em hotel. Assim, o Edifício Philomeno Gomes passou a se chamar Lord Hotel, e o Edifício São Pedro, Iracema Plaza Hotel. Ambos operavam 50% como hotel e 50% como residencial e comercial.

 Edifício Philomeno Gomes, década de 1950 (Arquivo Nirez)

Edifício São Pedro, que abrigou o Iracema Plaza Hotel

Inaugurado em 1956, num prédio de 8 andares, com cerca de 120 apartamentos,  considerado um exemplar da arquitetura moderna cearense, o Lord Hotel teve seu auge nas décadas de 60 e 70, período em que recebeu artistas famosos,  personalidades da cena brasileira e até a Seleção Brasileira de Futebol.
Em 1992 foi fechado e transformado em apart hotel. Nos últimos anos, estava praticamente abandonado, sendo desapropriado em 2001 pelo Governo do Estado, e tombado pela Prefeitura de Fortaleza em 2006.
Somente em 2011 o prédio ficou totalmente desocupado com a saída da última moradora, proprietária de um apartamento comprado em 1977, por 400 mil Cruzados. O processo de desapropriação começou em 2000, já que o edifício mostrava sinais de fragilidade. Enquanto a maior parte das mais de 40 famílias do local cedeu ao apelo do Governo  e deixou o local, pouco mais de 15 inquilinos decidiram resistir, insatisfeitos com a proposta de indenização. 

 Lord Hotel sendo recuperado (foto de 2011, acervo do blog)

Antes mesmo da desocupação total o edifício começou a ser reformado.  A obra de  recuperação estrutural do prédio, orçada em R$ 3,7 milhões, era para ser concluída em dez meses, mas já não há previsão de quando isso se dará.Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) , após a conclusão da restauração, o local será um equipamento público, provavelmente  nas áreas da cultura ou educação.
O prédio está localizado na esquina das ruas 24 de Maio com Liberato Barroso, no Centro de Fortaleza, próximo às obras das estações Chico da Silva e José de Alencar do Metrô de Fortaleza.

     

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Vida Social e o Carnaval



Fortaleza moça, embora comportada, gostava de festas. O Carnaval, por exemplo. Em 1830, brincava-se o entrudo; cuias e mãos lançavam água, zarcão e farinha de trigo nos passantes. Dessa maneira perdurou até 1880, quando se limitou a água de cheiro, confetes e as serpentinas. O boticário Ferreira, na Feira Nova, era conhecido folião.


O carnaval se fazia também pelos papangus, mascarados que cirandavam nas ruas. As fantasias alugavam-se na loja do Areias, à Rua da Palma. Quase todos optavam pela fantasia de dominó, espécie de batina com capuz, ornada de guizos e de cores variadas. Os maracatus também ensaiavam aparecer. Formados só de homens vestidos de mulher, saias brancas e cabeções de renda, traziam o corpo e o rosto pintados de preto. Não dançavam, andavam lentamente. 

foto do site: http://www.nacaofortaleza.com/bra/marace.htm

Havia uma outra espécie de maracatus imitando índios, com tangas e cocares de penas. Marchavam num passo de dança selvagem, saltando para todos os lados, abaixando-se e levantando-se bruscamente. Na década de 1890, o carnaval é dos importados (pierrots, colombinas e arlequins). 
Ruas e clubes disputam o título de maior ostentação. No corso e nos salões desfilam vistosas fantasias, cada um portava seu vidro de Cloretil, espalhando no ar ondas perfumadas. Entre 1912 e 1930 os carnavais eram de extraordinária beleza e grande animação. Na rua desfilavam caminhões artisticamente decorados, imitando cisnes, gôndolas e navios. 

 foto do livro Ah, Fortaleza!

O carnaval de luxo não se misturava com o popular quando se encontravam nas praças. Na Praça do Ferreira cabia aos ricos a exiguidade da Avenida 7 de setembro – uma alameda especialmente ajardinada – pelo receio de contato imediato com os populares à solta por todo o restante do logradouro.

fonte:
Revista Fortaleza, fascículo 9


sábado, 18 de janeiro de 2014

A Presença Maçônica no Ceará



A primeira loja Maçônica do Ceará, instalada em Fortaleza, no ano de 1859 foi a Fraternidade Cearense 136. Mas não foi a primeira manifestação maçônica no Estado: antes, a maçonaria atuara de modo decisivo em questões de cunho político, que culminaram com a Confederação do Equador e o sacrifício de alguns maçons, inclusive do Padre Mororó.
A maçonaria brasileira esteve unificada sob a denominação de Grande Oriente do Brasil (GOB) a partir de 1883. Nesse período atuavam no Ceará as lojas maçônicas Fraternidade Cearense (1859) e Igualdade (1882). Depois surgiram Liberdade IV (1901), Porangaba (1905), Amor e Caridade III (1905), dentre outras. Em 1927 ocorre a do Grande Oriente do Brasil, passando a se organizarem em cada Estado da federação as Grandes Lojas Simbólicas, vinculadas à Confederação da Maçonaria Simbólica, gozando de autonomia e soberania dentro e fora do país.

Loja maçônica Igualdade 405, fundada em 27 de junho de 1882. Fica na Rua Senador Pompeu, 578, centro de Fortaleza. Foto de 2013

A presença maçônica nos movimentos sociais no Ceará, ganha destaque através de sua inserção na organização dos trabalhadores através da Sociedade Artística Beneficente (1902) e Centro Artístico Cearense (1904), seguindo-se diversas outras, inclusive no interior do estado. Essa atuação correspondia ao novo apostolado da Maçonaria brasileira, a questão social, nos primeiros anos do século XX, em continuidade à sua participação na campanha abolicionista. 
A Grande Loja do Ceará é fundada em 19 de março de 1928, resultante da coligação de três Lojas: Deus e Camocim (1921), Porangaba (1905) e Fortaleza (1928). Essa reorganização da Maçonaria brasileira daria nova dinâmica, em termos estaduais, para a atuação dos pedreiros-livres.

 Palácio Maçônico Francisco Dias da Rocha, na Avenida do Imperador, fundada em 19 de outubro de 1929. (foto de Erikson Salomoni)

Em razão de seu caráter sigiloso e do desconhecimento dos seus objetivos,  (há evidências de que somente os maçons que chegam ao último grau (33º grau no rito escocês sabem verdadeiramente os reais objetivos da Maçonaria), a entidade foi um dos alvos mais constantes da Igreja Católica.

A maçonaria é o principal ingrediente do livro "O Símbolo Perdido", de Dan Brown, lançado em 2010. A trama se passa em Washington, cidade cheia de símbolos da maçonaria.  Alguns são bem evidentes, como o obelisco, símbolo da divindade, com uma pirâmide, que representa a evolução dos seres humanos. A influência dos maçons se refletiu na criação da biblioteca do Congresso americano, hoje a maior do mundo. 

 Evocação da idéia de Deus - Representada pelo Triângulo, Delta Luminoso ou por Três Pontos.
Dan Brown, autor do livro  lembra que o símbolo mais sagrado da nação, que está nas notas de 1 dólar, é a pirâmide da maçonaria, encimada por um olho que simboliza a sabedoria. Segundo o escritor, a pirâmide incompleta, sem o vértice, é um símbolo de que o ser humano, e o país, nunca estão prontos, sempre podem se aperfeiçoar 

Nos ataques à entidade – que em alguns períodos chegavam a ser diários – o jornal clerical O Nordeste procura desqualificar a Maçonaria, classificando-a, dentre outras coisas como sociedade criminosa. Tome-se como exemplo o ano de 1925, em que O Nordeste traz reportagens do tipo: “”Perseguição religiosa na França, onde divulga nota do cardeal  Dubois, responsabilizando a Maçonaria pelas medidas do governo contra a Igreja Católica (9 de fevereiro); A Câmara italiana aprova o projeto contra a maçonaria. Naquela ocasião Mussolini Declarou que a maçonaria é o maior inimigo do fascismo“.

Augusta respeitável Loja Simbólica Fortaleza - 3a. Loja Maçônica, na Avenida da Universidade (foto de 2010, do acervo do blog) 

O jornal O Ceará, do jornalista, professor e maçom Júlio de Matos Ibiapina se colocou na defesa irrestrita da Maçonaria, ante os ataques do diário católico:"Os leitores do órgão pio desta capital na estarão esquecidos da campanha quase diária que ali se faz contra a Maçonaria. Os conceitos emitidos contra essa instituição poderão levar ao povo ignorante a impressão de que a Maçonaria é criação diabólica, digna de ser condenada, não somente pelos católicos, mas por todos que se interessam pelo progresso social, tão negras são as cores que se pintam os intuitos dos maçons."


Pesquisa
Artigo: Maçons, espíritas e católicos nos embates religiosos da Primeira República no Ceará, de Marcos José Diniz Silva, disponível em
http://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0279.pdf
Jornal Diário do Nordeste
http://www.lojasaopaulo43.com.br/simbolismo.php 
http://renanabiff.blogspot.com.br/2010/01/dan-brown-lanca-livro-sobre-simbolos-da.html


sábado, 11 de janeiro de 2014

Estação João Felipe



No terreno ocupado atualmente pela Estação João Felipe, na Praça da Estação, que já pertenceu à Estrada de Ferro Baturité, funcionou outrora o Cemitério de São Casimiro. A partir de 1865, o campo santo ficou em completo abandono até que, em 1877 se resolveu sua demolição. As autoridades mandaram exumar alguns restos e os recolher ao Cemitério de S. João Batista. Em 1878 já estava quase tudo em ruínas: túmulos desmoronados, grades quebradas, ossos dispersos pelo chão, onde animais pastavam tranquilamente.  A Estação Central foi construída sobre esses túmulos antigos;  até hoje as construções feitas no local pesam impiamente, sobre mortos. Quando se cava a terra por ali, é raro não se encontrarem restos humanos. 


O lançamento da pedra fundamental  da Estação João Felipe ocorreu em 30 de novembro de 1873, mas as obras só foram iniciadas em 1879, sendo  concluídas em 1880. O motivo da interrupção dos trabalhos foi a terrível seca que assolou o Estado no período de 1877 a 1879, que abalou a situação financeira da companhia. Tanto a estrada de ferro quanto a estação central foram construídas utilizando a mão-de-obra de retirantes dessa estiagem catastrófica. Uma placa alusiva à data de finalização, 1880, encontra-se na estação. Na época, chamava-se Estação Central. Dela partiam trens para Caucaia, para a antiga estação da Parangaba, para Baturité, dentre outras destinos. 


Agora, a histórica estação João Felipe, suspenderá as atividades de embarque e desembarque no próximo dia 13 de janeiro. Na área onde hoje estão os trilhos será construído um percurso subterrâneo para a Linha Leste da Companhia do Metrô de Fortaleza. O projeto de escavação atingirá parte do terreno próximo aos trilhos da Linha Oeste, que faz parte da Estação João Felipe. Uma outra estação está sendo construída, com acesso pela rua Padre Mororó, no Centro, ao lado da estação Chico da Silva, da Linha Sul. 
Tombada pelo Estado através do decreto 16.237 de 1983, A Estação João Felipe devera se transformar em equipamento cultural, com projeto de instalação de uma pinacoteca nos galpões da antiga RFFSA, ao lado da antiga Estação Central. 

 Teatro São José, equipamento cultural no centro de Fortaleza

Vale a pena lembrarmos  de alguns equipamentos de lazer e cultura, criados pelo Estado e Prefeitura Municipal na área central de Fortaleza: O antigo Cine São Luiz (fechado),  A Biblioteca Pública Menezes Pimentel (funcionando precariamente),o Teatro São José (abandonado),  o Museu de tecnologia de Combate as Secas (fechado), o Arquivo Intermediário (funcionando precariamente), dentre outros...  

   

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Coca-Cola realiza sonho e jogadores cegos tocam na taça da Copa do Mundo da Fifa™



Pela primeira vez na história a FIFA abriu exceção e permitiu que pessoas comuns tocassem
na Taça da Copa do Mundo da FIFA™


A Coca-Cola quer fazer da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™ a Copa de Todo Mundo. Em ação inédita liderada pela companhia, a icônica Taça da Copa do Mundo pode ser tocada pelos jogadores deficientes visuais da seleção brasileira de Futebol de 5, atuais campeões mundiais e paralímpicos. O encontro é um feito histórico. É a primeira vez que a FIFA abriu exceção à regra de que apenas campeões mundiais e chefes de Estado tenham permissão para tocar no objeto mais desejado do futebol.

A visita foi uma surpresa proporcionada pela Coca-Cola no centro de treinamento dos atletas, em Niterói, no Rio de Janeiro. Apenas quando tocaram o objeto, os jogadores descobriram que se tratava da Taça da Copa do Mundo. O momento emocionante foi registrado pela marca e está sendo exibido desde o dia 26 de dezembro e ficará no ar até o dia 15 de janeiro. A versão completa de 3 minutos  pode ser vista em Seleção Brasileira de Futebol de Cegos: Isso é a Copa de Todo Mundo.

“As imagens dos atletas do Futebol de 5 tocando a Taça refletem nosso esforço em fazer a ‘Copa de Todo Mundo’. Queremos fazer desta a Copa a mais inclusiva, e democrática de todos os tempos. Com o filme, a Coca-Cola aproveita para dar boas vindas a todos que pretendem assistir e acompanhar o Mundial de 2014 no Brasil”, explica Javier Meza, vice-presidente de Marketing da Coca-Cola Brasil.

Desde 2006, a Coca-Cola patrocina o FIFA Trophy Tour™, oferecendo a consumidores do mundo inteiro a oportunidade de ver ao vivo o cobiçado troféu. Para a edição deste ano, a Coca-Cola elegeu uma série de histórias especiais com o objetivo de levar a Taça a lugares e pessoas que representassem a “Copa de Todo Mundo”. Dentre as várias histórias colhidas no Brasil, o time de Futebol de 5 (para deficientes visuais) foi eleito para a ação. 

Durante o Tour, ao longo de 225 dias, a Taça está disponível para visitação em cada um dos 89 países por onde passa. Ao retornar ao Brasil, pela primeira vez as 27 capitais serão contempladas com a exposição do troféu para visitação pública em uma viagem de 41 dias. A data de chegada ao Rio está marcada para 22 de abril. O roteiro ainda não está definido, mas Fortaleza está no percurso e a visitação do público está garantida.

O FILME

Ricardo Alves, o Ricardinho, um dos melhores jogadores de futebol de deficientes visuais do mundo, é o personagem central do vídeo. A história de vida do jogador costura a narrativa até o momento ápice. Ricardinho perdeu a visão aos oito anos e achava que não poderia mais praticar futebol. Aos dez anos, entretanto, conheceu uma escolinha de futebol em Porto Alegre. Ali renasceu o seu sonho de voltar a jogar. “Foi uma surpresa, uma oportunidade e tanto para a nossa equipe. Nunca imaginaria ter acesso à Taça, fiquei maravilhado e contente. Foi uma ação incrível da Coca-Cola, trazer a Taça até a gente, afinal também somos campeões mundiais. Por mais que a gente tenha a descrição, que alguém fale para a gente como é a taça, nada se compara a pegar, poder tocar e sentir o peso”, conta Ricardo.


A Coca-Cola e a Copa do Mundo da FIFA™

A Coca-Cola Company tornou-se parceira oficial da Copa do Mundo da FIFATM em 1978. No entanto, a presença da marca Coca-Cola em Copas do Mundo da FIFATM acontece desde 1950 com anúncios nos estádios do evento. Desde então, a marca sempre esteve presente nos estádios de todas as edições da competição. A empresa também patrocina o FIFA Trophy Tour™ desde 2006, oferecendo a consumidores no mundo inteiro a oportunidade de ver ao vivo a taça mais cobiçada do mundo.

Em novembro de 2005, a FIFA e a Coca-Cola Company prolongaram a antiga parceira por mais 16 anos, de 2007 a 2022. O compromisso renovado pela Coca-Cola no setor de bebidas não-alcoólicas compreende não só investimento em dinheiro como também produtos e serviços de apoio à extensa gama de torneios organizados pela FIFA ao redor do mundo, entre eles a Copa do Mundo da FIFATM, Copa do Mundo Feminina da FIFA, Copa do Mundo Sub-20 da FIFA, Copa do Mundo Sub-17 da FIFA, Copa do Mundo de Beach Soccer da FIFA, Copa do Mundo de Clubes da FIFA, FIFA Interactive World Cup, Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA, Copa do Mundo de Futsal da FIFA e Copa das Confederações da FIFA.

A Coca-Cola continua patrocinando também o popular Ranking Mundial da FIFA / Coca-Cola de seleções masculinas e o Ranking Mundial Feminino da FIFA.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Serenatas na Janela



Até meados dos anos 70 os namorados e apaixonados de Fortaleza contavam com uma arma de sedução que os tempos modernos trataram de eliminar: as serenatas. Munidos de violões, os rapazes visitavam as janelas das namoradas entoando canções românticas.  As músicas falavam de amores, de saudades, de traições e partidas. Como nem todos tinham talento ou vocação para cantor, quase sempre um amigo que tinha boa voz, ou que sabia tocar violão, era convocado para seresteiro. Ficava escondido das vistas da moça, enquanto o namorado fingia cantar para ela.   
Otacílio de Azevedo, em Fortaleza Descalça relata essa prática, da qual o próprio autor, também participava. Conta sobre uma em especial, “numa noite, sob um céu límpido e claro luar de agosto” que terminou com os seresteiros batendo em retirada, em desabalada carreira, ao ouvirem, gritos e berros, lamúrias, reclamações e insultos. Um barulho infernal, um pandemônio se formou dentro da casa fechada, e antes que as portas se abrissem, os românticos rapazes  se puseram em fuga, “dentro da noite agora escura como se um mundo de alcatrão se houvesse derramado sobre aquela rua desprezada de Deus...”
As serenatas são músicas (um tipo delas) que tem em suas melodias trechos de curta duração. São sempre cantadas, e não faladas. Normalmente são feitas durante a noite e, segundo manda o roteiro, são feitas embaixo de uma janela, sempre dedicados a uma donzela,  que deve aparecer na janela para apreciar a serenata. É  considerada uma declaração de amor, seja para contar a respeito do sentimento ou para reafirmar o seu valor.  No Brasil as serenatas são mais conhecidas como serestas.
Em Fortaleza era frequente e bastante comum começar um namoro dessa forma. Os encontros eram mais raros porque as moças geralmente não tinham permissão para sair de casa sozinhas, então os primeiros contatos aconteciam nas festas, as famosas tertúlias. E a serenata era uma forma de demonstrar interesse em iniciar um relacionamento, ou reafirmá-lo. 

 Cândido Colares, apresentador do Noticiário Relâmpago, na TV Ceará
 
E histórias memoráveis se contam desses tempos. Como a do jovem namorado, tão jovem que a família não permitia que chegasse em casa depois das 22 horas. Assim o jovem namorado resolveu fazer uma serenata para a amada dentro de um horário que lhe permitisse retornar à casa sem contrariar as determinações dos pais: convidou um cantor e lá se foram, para a casa da moça, onde iniciaram a cantoria. Logo depois foram expulsos pelo pai da moça, irritado porque os seresteiros chegaram bem na hora do Noticiário Relâmpago, exibido por volta de 21 horas na TV Ceará canal 2.
  
 vitrolas de pilha também eram usadas nas serenatas (foto do Mercado Livre)
 
Por esse tempo as serestas já eram feitas com as inovações permitidas na época: muitas eram feitas ao som de vitrolas que funcionavam à pilha. Numa dessas serenatas, o disco emperrou e ficou repetindo o mesmo verso da musica “Perfídia”, na voz do trio Irakitan: “Perfídia, mandaste em troca”.   
Mas o modo de fazer serenata evoluiu ainda mais quando surgiram as primeiras emissoras de rádio FM, que rodavam músicas sem qualquer interrupção por várias horas. E foi durante uma romântica serenata que o locutor resolveu interromper a sequencia musical para gritar o nome da emissora: Dragããããão!!!


Pesquisa.
Fortaleza Descalça, de Otacílio de Azevedo
A Origem das Serenatas - 
disponível em  http://cultura.culturamix.com/curiosidades/a-origem-das-serenatas
histórias emprestadas  de alguns amigos