quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Se Essa Rua fosse Minha


Noticia veiculada no portal GI, dá conta que os moradores do conjunto habitacional Tatumundé, localizado no Bairro Bom Jardim,  em Fortaleza, afirmam não ter endereços. Segundo eles, as residências foram entregues há quase 10 anos pela Prefeitura, mas as ruas estão sem nome e as casas, sem número.  (Vale lembrar que a denominação de logradouros públicos é responsabilidade da Câmara Municipal desde 2006, segundo a Lei Orgânica do Município. Antes, era competência da Prefeitura).
Sem endereço, os moradores não podem receber contas ou cartas. Eles têm de ir até a agência dos Correios do bairro vizinho, o Conjunto Ceará, para receber a correspondência.  Há algum tempo, uma das moradoras se dispôs a recolher toda a correspondência para a comunidade, mas o trabalho foi tanto, que ela desistiu.


Rua em Alsace, na França, considerada uma das ruas mais bonitas do mundo.

Pois se moradora do Tatumundé eu fosse – ou de outros conjuntos habitacionais com o mesmo problema – revisitaria uma velha prática adotada nos primórdios de nossa cidade e escolheria,  eu mesma,  nomes  para as anônimas vias onde inúmeras famílias já residem há 10 anos.  Procuraria alguma coisa, algum detalhe, que distinguisse uma via da outra: uma árvore, uma pedra, uma placa, qualquer coisa, e daria velhos e belos nomes às ruas do Tatumundé. 


 A antiga Rua da Palma, atual Major Facundo

Na Fortaleza antiga, os nomes dados aos logradouros públicos também eram escolhidos por iniciativa da população e adotados pelo poder público, e estavam geralmente, relacionados a alguma particularidade do local: Rua (da Igreja) do Rosário, da Bica, do Quartel, do Chafariz, da Palha, da Cadeia, de Cima, de Baixo, do Açougue, das Flores, do Monteiro, do Riacho, Nova da Boa Vista, do Pocinho, do Boticário, das Almas, da Cacimba dos Meirinhos, e outras.
Uma vez oficializados, os nomes dos logradouros passaram a mudar de acordo com as motivações políticas ou por modismo. Hoje quase todas as denominações das ruas e praças de Fortaleza homenageiam pessoas que, maioria dos casos, ninguém sabe quem é ou o quê  fez para merecer a homenagem.


A antiga Rua das Flores é a atual rua Castro e Silva  

Fortaleza possui mais de 11 mil ruas e avenidas e o que se observa é que há uma grande repetição de nomes, sobretudo os nomes de santos: São Pedro, São Francisco e Santo Antônio,  são os mais comuns.  Existem 83 logradouros em Fortaleza que se chamam São Francisco.

Rua do Fim, no bairro Serrinha (imagem google)

Mas algumas ruas escaparam da sanha “homenageadora” dos vereadores e também dos santos de devoção, ostentando nomes incomuns ou exóticos. No Planalto Aírton Sena tem a Rua do  Apocalipse; a Rua Unidos Venceremos, fica no bairro do Passaré; A Rua do Fim, na Serrinha; A Avenida Heróis do Acre, no Passaré; A Rua do Papoco, no bairro Vila Velha; A Rua Conefor, no bairro Cais do Porto, As Ruas do Labirinto e da Cioba, ficam no Vicente Pinzon, e existe até uma Travessa com o nome de "Sem Nome",  no bairro Manoel Sátiro.

fotos do arquivo Nirez

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Proteção Animal Voluntária em Fortaleza


Em quase todas as praças,  parques, estacionamentos e lugares de grandes  aglomerações como os campi universitários, observa-se um grande número de animais em situação de abandono,   principalmente cães e gatos. As poucas ações de iniciativa do poder público estão voltadas para eliminação não do problema, mas do animal.  Para tentar amenizar o sofrimento desses seres indefesos, surgiram os protetores. 

gatos abandonados em parque urbano de Fortaleza

Existem atualmente na cidade de Fortaleza, vários grupos e voluntários avulsos que se dedicam aos cuidados e proteção aos animais, especialmente animais abandonados nos diversos logradouros de nossa cidade. O trabalho realizado por essas pessoas tem uma grande importância social, uma vez que esses animais são resgatados, tratados, castrados e doados para novos lares. Esses grupos não contam com ajuda financeira governamental e sobrevivem, portanto, de doações de simpatizantes da causa. Não rara vezes usam recursos próprios no trato com rações e animais que necessitam de cuidados médicos. 

feira de adoção

Quase que semanalmente são realizadas feiras de adoção em vários pontos de Fortaleza, como shoppings, pet shops e praças, onde os que pretendem adotar um animal, podem escolher seu novo amigo. 
Para adotar, é preciso considerar alguns pontos que são essenciais no momento da decisão:  é preciso lembrar que tanto o cão como o gato viverão por cerca de 18 anos, e portanto, serão sua responsabilidade durante todo esse período. Também se deve pensar se existe disponibilidade financeira para assumir todos os gastos que serão necessários: vacinação, castração, banho e tosa, alimentação de qualidade e cuidados veterinários. 


E importante identificar qual espécie melhor se adapta ao seu estilo de vida e ao espaço disponível para o animal adotado. Questões como: Quem cuidará do animal em caso de viagem; Quem irá passear com o cão; Se haverá tempo disponível para dar amor e atenção ao novo filhote, deverão ser consideradas. 
Caso não tenha respostas objetivas sobre os pontos acima, é melhor aguardar um momento mais oportuno e adiar a adoção.

abrigo pra gatos na região Metropolitana de Fortaleza

A maioria das ONG's envolvidas não possuem abrigo, portanto, não podem atender a todos os pedidos de resgate e lar temporário que chegam até eles, pois atuam voluntariamente, assumindo gastos, e muitas vezes abrigando os animais em suas próprias residências. Realizam também trabalhos de educação da população, onde defendem a castração como sendo a solução para reduzir o número de animais abandonados e esclarecendo o que vem a ser a posse responsável. 
A proteção animal em Fortaleza vem ganhando força e destaque com o aumento do número de pessoas e grupos atuantes nessa causa, e todos ganham com isso: os animais, os novos donos, a sociedade, e os voluntários, que tem a oportunidade de ajudar uma vida.



Os principais grupos atuantes hoje em Fortaleza são: Apata Ceará, Upac, Grupo de Proteção Animal, Uipa, Gaba, Vakinha permanente, entre outros, além de voluntários independentes, não ligados a grupos. Caso deseje  adotar um novo amigo, procure um dos grupos e se informe sobre as datas das feiras de adoção e condições para adotar um animal. 

fotos de Raquel Garcia

domingo, 27 de outubro de 2013

Um Jeito de Morar

As primeiras moradias de Fortaleza foram sendo erguidas por ali, nas cercanias da fortaleza, da matriz e do Riacho Pajeú: a segurança, a religiosidade, a água. Assim, a Vila foi se consolidando até atingir foros de cidade. As casas sempre naquelas paragens, que ninguém se atrevia a avançar mata adentro, havia o perigo de cobras, onças, raposas e índios belicosos em incursões ao território dos brancos.

Rua Barão do Rio Branco

O desenvolvimento da cidade e o surgimento de famílias mais abastadas, de castas mais altas permitiram um novo padrão de moradia. E entre as simplórias casas de palha e taipa, foram sendo edificadas residências de maior porte, de alvenaria. Tudo sem requintes, sem ornamentos nas fachadas, sem platibandas, todas com beira-e-bica.

Casa do Governador das Armas do Ceará, na Rua Sobral, em frente a atual Praça da Sé

A evolução lenta da província, aqui e ali ia permitindo alguma construção de maior vulto, até atingir o período em que senhores de vastas posses, às vezes detentores até de títulos e brasões, se davam ao luxo de trazerem da Europa os projetos para suas moradias.
Com o gradativo crescimento, a cidade começou a ser dividida em bairros onde pontificavam casas de grande porte, verdadeiros palacetes, belas mansões.

Casa da família Gentil, no Benfica, construída em 1918 e atual sede da Reitoria da UFC

Alguns desses proprietários até se permitiam o luxo de trazer do Velho Mundo, os materiais necessários às suas construções, sem falar nos acabamentos. Foi quando as rústicas telhas de barro produzidas nos arredores da cidade passaram a ser substituídas pelas delicadas telhas de Marselha e até por ardósia importada da Franca, para as construções mais suntuosas. E os telhados ganharam status de obras de arte, motivo de admiração de uma população desacostumada a essas regalias. 

Casa do Intendente Municipal Guilherme Rocha, incendiada na revolta popular de 1912, que depôs a oligarquia Nogueira Accioly

Da Inglaterra vinham as louças sanitárias (os vasos, as banheiras, os lavatórios);  Portugal mandava entre outras peças, as pinhas, os jarrões, as estátuas e os ladrilhos de faiança. Algumas casas utilizavam até madeiras europeias e o precioso e agora raro pinho de Riga, servia para assoalhos, portas, janelas e bandeirolas. Em muitos casos, importavam até o cimento. 

fonte:
Marciano Lopes  
Fotos do Arquivo Nirez

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Aspectos da Formação do Espaço Urbano

O Traçado Urbano


Rua das Belas - atual Floriano Peixoto - no início do século XX

Em 1818, o engenheiro Antônio da Silva Paulet imaginou a cidade como um tabuleiro de xadrez. Assim surgiu a “Planta da Villa”, 92 anos depois do esboço de Manuel Francês, para organizar o espaço urbano de Fortaleza – que crescia desordenada, entre à margem direita do Riacho Pajeú e a praia – estabeleceu uma reta, ao largo da parede sul do Forte; e a partir dela, a 90º, deveriam iniciar-se as ruas de sentido norte-sul – dessa forma  implantam-se as ruas Formosa/Barão do Rio Branco, da Palma/Major Facundo e das Belas/Floriano Peixoto. A estas incidiram octogonalmente as ruas de sentido Leste-Oeste. 


A cidade xadrez em vista aérea nos anos 60

O traçado de Paulet foi mantido por Adolfo Herbster, arquiteto que em 1875, propõe a Planta Topográfica da Cidade de Fortaleza e subúrbios. Como o nome indica, considera além do que se tinha como cidade, anexando-lhe três bulevares (à semelhança  das reformas do Barão de Haussmann) do Imperador, Duque de Caxias e da Consolação (D. Manuel) – em redor do centro, facilitam o tráfego. A planta de Herbster disciplinaria a expansão de Fortaleza até 1930: corrigia becos, desvios e ruas desalinhadas que facilitavam motins urbanos, substituindo-os por vias alinhadas, longas e cruzadas em ângulo de 90° que favoreciam a vigília do poder sobre as cidades. 
As modificações no desenho de ruas e praças devem não apenas traduzir no espaço os ideais de progresso e civilização, mas se prestam a disciplinar o comportamento dos habitantes. Herbster reforça o projeto de 1875 com a "Planta da Cidade de Fortaleza Capital da Província do Ceará" em 1888.  
Em par com a ação preventiva de ocupação do solo, considera a obsessão higienista do século XIX com a necessidade de amplos logradouros para facilitar a passagem das correntes de vento, porquanto se acreditava que o ar contaminado pela estagnação dos aglomerados urbanos era uma das terríveis causas de epidemias e mortalidades.

O Abastecimento de Água


Aguadeiros se preparam para a distribuição de água em lombos de burro. Este poço ficava na antiga Rua da Cachorra Magra, atual marechal Deodoro, no Benfica 

O memorialista Raimundo de Menezes conta que, até 1827, Fortaleza não tinha ideia do que fosse abastecimento de água. A água era de poço, trazida por aguadeiros em lombo de burro. Em setembro daquele ano, leis provinciais autorizam o início do serviço por chafarizes. Antes, em 1812, o Conselho da Vila de Fortaleza acertou com o tenente-coronel João da Silva Feijó o aproveitamento de uma das nascentes do seu sítio, na Rua do Quartel, para a construção do primeiro chafariz público. 


Praça Clóvis Beviláqua, a antiga Praça do Encanamento

Somente nos anos de 1860, estuda-se um projeto de distribuição de água. Dessa vez, com as bênçãos de D. Luiz Antônio dos Santos e encanamento do sítio de José Paulino Hoonholtz, no Benfica, para quatro chafarizes espalhados pela cidade: nas praças da Municipalidade (do Ferreira) Capistrano de Abreu, do Patrocínio (José de Alencar) e Garrote (Cidade da Criança). O caneco custava 40 réis. Cacimbas na Lagoa do Garrote, no Passeio Público e na Lagoinha também abasteceram a cidade até cerca de 1920, quando se ampliou o sistema subterrâneo.

Progresso e Lazer


Praça General Tibúrcio, antigo Largo do Palácio

Um dos nomes mais relacionados ao “progresso” de Fortaleza é o de Ildefonso Albano. Assumindo a gestão em 1912-1914 (intendente) e 1923-1924 (vice-governador) idealiza o matadouro modelo, o mercado de verduras, a vila operária (casas asseadas e ajardinadas) para criar no proletariado o gosto pela intimidade do lar, a tempo em que não se comprometia nas tentações nocivas e licenciosas das ruas, bares e bordéis. 
Cuida dos calçamentos, reforma a Praça General Tibúrcio, dando-lhe a paisagem de cássias imperiais, jacarandás, casuarinas, araucárias e palmeiras; um coreto e 49 combustores; apresenta às calçadas altas o meio-fio; e forma a banda municipal, que uma vez por semana, toca nas retretas dos logradouros públicos. 

fonte: Revista Fortaleza, fascículo 9 
fotos do Arquivo Nirez
     

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Bem Querer da Memória

O Abrigo Central na Praça do Ferreira, conheceu personalidades que ficaram na memória da cidade, como o Pedão da Bananada. 

O que fica na lembrança, que o tempo não consegue varrer, é o bem querer da memória, é o que se julgava ter esquecido.  E a cidade também tem os seus: o Roque Macedo, que adivinhava chuvas; o Pedão da Bananada; o Tostão quimoeiro, e até o João da Silva Tavares, dos idos de 1802, professor régio da Vila de Fortaleza e o primeiro mexeriqueiro de que se tem notícia – se a pessoa não tinha defeitos, descobria-os, inventava – no dizer de Raimundo Menezes em “Coisas que o Tempo Levou”.  Tipos, bichos e até árvores que se tornaram populares ao herdar da cidade, as ruas. Eles formam o álbum de retratos da Fortaleza das décadas de 1910 a 1920.


A garapeira do Bem-bem na Praça Carolina (atual Waldemar Falcão)  paixão pela França, briga de grilos e garapa doida (foto de 1907)

Bem-BemDono de uma garaperia, na Praça Carolina, juntou dinheiro e foi à Paris. Voltou assinando “Bien-Bien Garapiere”. O caldo de cana que sobrava, no terceiro dia era chamado de garapa doida, propalada como o melhor refresco para afinar o sangue e fazer as pessoas pálidas ficarem coradas. Bem-Bem se gabava que os copos da garapeira eram limpos, tinha uma bacia com pedra de rio, mergulhava o copo dentro, mexia e dava para o freguês. Trouxe da Europa uma grande novidade: a briga de grilos. Ele tinha dois ou três grilos dentro de uma bacia, que se exibiam para o público.


Manezinho do Bispo - Conta-se que o bispo D. Joaquim, aborrecido com a grande papelada que enchia o quarto do porteiro do Palácio Episcopal, chamou-o um dia e disse que queimasse aqueles folhetos. Manezinho saiu para a rua e queimou-os, vendendo pela metade do preço.

Manezinho do Bispo – andava para cima e para baixo, com os seus pensamentos. E também publicava, no Correio do Ceará e em folhetos, suas peças literárias, como a “Biografia de uma ex-mãe – acompanhada de um passatempo”. “Amar sem ser amado é correr atrás de um trem e perder”. Manuel Cavalcante da Rocha, sem os adereços da poesia, era pernambucano e porteiro do Palácio Episcopal. Para Otacílio de Azevedo em “Fortaleza Descalça”, Manezinho do Bispo foi talvez o iniciador do movimento modernista que explodiu no Brasil em 1922. Pelo seu gosto, ele teria sido como as borboletas: “As borboletas voam e eu não voo”.
Casaca de Urubu – José Cândido lutou na Guerra de Canudos (1896-1897) e perdeu o juízo por lá. Epilético era avistado em 1915, demitido do Tribunal da Relação, vendendo doces de goiaba, vestido com os surrados fraques dos desembargadores.
De Rancho – Jesuíno Rosendo sobreviveu à I Guerra Mundial e continuou a metralhar os passantes com a carabina desativada. Atrás do seu tabuleiro de frutas e verduras,  um magote de meninos a se divertir com os ataques. Certa vez ao avistar um automóvel, fez pontaria para o ocupante: Sentido! Preparar Armas! O automóvel freou bruscamente e o ocupante, refazendo-se do susto, gritou furioso: Prendam esse sujeito! O ocupante do carro era o Presidente do Estado.

O cruzeiro da Sé era um dos palcos favoritos para o fanático Tertuliano

José Tertuliano – proprietário de um pequeno comércio, fechou o negócio e virou beato. As praças se converteram em púlpitos para sermões que ninguém entendia.  Escalava o cruzeiro da catedral da Sé, onde se amarrava de braços estendidos, a fingir o Cristo no Calvário, onde permanecia horas a fio. Aos sábados, em sua exótica indumentária de santo, com um quadro do Coração de Jesus pendurado nos ombros, percorria o comércio na coleta semanal do imposto celestial.


O Chagas dos Carneiros surgiu em Fortaleza por volta de 1911. Alto, magro, nariz grande e adunco, cego, usava um chapéu de palha e costumava trajar um espalhafatoso camisolão branco que lhe descia até os joelhos.

Chagas dos Carneiros – músico ambulante, que perambulava acompanhado por meia dúzia de carneiros e uma gaita. Os bichos, além de coloridos, eram identificados pelos nomes de figuras políticas: Deodoro, Benjamin Constant, Floriano, Hermes, Rui Barbosa, Franco Rabelo.  Cego, com eles e a música palmilhou o Nordeste. Os seus instrumentos eram fabricados por ele: uma gaita de taquara com bocal de cera, um caixote de sabão e um cachimbo de tubo de pau e cabeça de barro com que imitava os pássaros.
Mané Coco – Manuel Pereira dos Santos era proprietário do Café Java. Entendia do conserto de toda espécie de relógios e máquinas de costura, dos quais, não raro, sobravam peças que eram honestamente devolvidas num embrulho. Também acumulava a função de bombeiro, quando havia qualquer incêndio na cidade, era chamado a combater o fogo, sozinho, armado com dois baldes de madeira e uma machadinha.


Muitas histórias são contadas sobre o bode que bebia cachaça e tinha preferência por moças. Yoiô participou de atos políticos em coretos, praças e saraus literários, comeu a fita inaugural do Cine Moderno, assistiu peça no Teatro José de Alencar, passeou de bonde, perambulou pelas igrejas e até pela Câmara Municipal.

O Bode e a Ema – houve um bode, o Yoyô que se afeiçoou a boemia desde quando migrou para Fortaleza com um retirante da seca em 1915 e foi vendido  à firma Rossbach Brazil Company, na Praia de Iracema. Yoyô flanava até a Praça do Ferreira. Gostava de brincar com o povo, fingindo que dava cabeçadas no transeunte. Tinha além do bode, a ema do Parque da Liberdade. A ave tinha um andar marcial e todo mundo olhava, mas a ema não dava confiança a ninguém. Dava uma volta na Praça do Ferreira e se voltava para o Parque.


O Oitizeiro do Rosário, árvore centenária, foi cortada em 1929 por determinação do prefeito Álvaro Weyne

Árvores afetivas – cinco árvores adquiriram o direito de cidadania em Fortaleza. Ao tempo em que a cidade era visível do mar, o oitizeiro do Rosário acenava indicando a terra firme ,a árvore servia de baliza às jangadas. E abrigava conversas – sobre política, arte,  religião e vida alheia. Outra benquerença do povo era o cajueiro botador, na Praça do Ferreira. Todo dia 1° de abril dava sombra à urna que elegia o batalhão dos potoqueiros. Havia ainda a árvore da liberdade, um coqueiro plantado em 1831 no Pátio do Palácio da Luz, na Praça General Tibúrcio, para comemorar a abdicação de D. Pedro I. A casuarina do cemitério Velho, árvore que aceitou bondosamente o destino que lhe deram, chorar os mortos. Pela tarde partia de sua fronde um ressoar baixinho como se fora um sino que dobrasse a finados. Em último lugar havia o coqueiro da Praça da Estação. Era o que restou do sítio do peixeiro José Felipe,  antigo servidor da Guarda Nacional, que nas noites de luar conversava com o coqueiro.

fotos do Arquivo Nirez
extraído da Revista Fortaleza, fascículo 9, Fortaleza Descalça, de Otacílio de Azevedo
Geografia Estética de Fortaleza, de Raimundo Girão. 


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A Cidade em Construção

Bondes, trens, automóveis, cafés, padarias, livrarias. Sobrados, mercados, praças. Telefone relógio, luz. Desde seu esboço, a cidade grande tem muitas histórias para contar.  Como o dia em que se inaugurou o transporte coletivo com banda de música; o desembarque na ponte Metálica pelas mãos dos catraieiros; a proibição de andar sem meias no bonde do intendente; o sol vaiado na Praça do Ferreira. No céu, um zepelim. As lamparinas iluminando as noites. O Contrato com a lua. No cenário, os moradores.

As Construções


primeira Sede da Assembleia Provincial, na esquina da Rua Conde D'Eu com a Rua Sobral na Praça da Sé

O historiador Antônio Luiz localiza os primeiros edifícios de Fortaleza margeando o riacho Pajeú. A casa do governador-geral e a residência do capitão-mor abriam janelas para a Praça do Conselho (Praça da Sé), edificadas na área do atual Mercado Central. Prédios, mansões e sobrados despontam no século XIX, sob inspiração eclética/europeia. A partir de 1920 os ricos fogem do Centro em direção ao Benfica, Jacarecanga e Praia de Iracema.

O Mercado de Ferro

Construído em 1897, na Praça Carolina (atual Praça Waldemar Falcão) é um dos vestígios do embelezamento, da modernização e da higienização da cidade. Resolvia o problema de abastecimento, era amplo e trazia a novidade do emprego do ferro  nas construções. O escritor Moreira Campos quando aluno do Liceu e a caminho do banho de mar, dá vida ao local: eram dois mercados de ferro, um de carnes e outro de frutas. “Comprávamos cinco bananas, mas como éramos alunos, roubávamos uma. Saíam seis bananas por um tostão”.

O Relógio

Na Vila de Fortaleza, o tempo era contado pelos sinos. A cidade dormia com as galinhas, avisada da hora de recolher (9 da noite) pelas cornetas do quartel. Por volta de 1854, uma novidade na matriz: o primeiro relógio público. No final do século XIX, é a Intendência Municipal que vai ditar as horas. E em 1933, a Coluna da Hora, no local de maior prestígio da cidade, a Praça do Ferreira – que concentrava bondes, cinemas, lojas, cultura e política – representa o triunfo simbólico do relógio. Seus ponteiros decretavam a hora oficial, e por eles, as fábricas, o comércio, as escolas e os habitantes, ajustavam  seus relógios na tentativa de garantir a coordenação das atividades urbanas.

O Telefone

A inauguração da nossa telefonia em fevereiro de 1883, à base da manivela, foi um espetáculo – A Casa Confúcio, na Rua Major Facundo estava apinhada de gente: eram convidados, comerciantes, autoridades e curiosos. Na linha, próximo à alfândega, a casa de seu José Joaquim Farias. O aparelho telefônico, com formato descomunal, pregado à parede, causou admiração. O som das campainhas e a nitidez da voz distante constituíram o assunto das rodas por muitos dias.

Diversão




Os encontros amorosos extrafamiliares eram nas pensões do Centro. Para o namoro, a Praça do Ferreira ou o cinema. Os intelectuais gostavam de três lugares. Um era na porta da Livraria Imperial (no Excelsior Hotel); outro era a Farmácia Pasteur, onde o dono, seu Ramos, oferecia um café. E o terceiro era a Livraria Imperial, na Floriano Peixoto, olhando para a Rua Pará. As conversas também rodeavam a Praça do Ferreira nos cafés Globo, Nestlé, Éden, na grã-fina Confeitaria Gloria, além dos tradicionais Java, do Comércio, Iracema e Elegante. O Éden e o Globo eram frequentados pela turma do Grupo Clã. Conta o poeta Antônio Girão Barroso, que certa vez, em agosto de 1942, estava no Café Globo, quando chegou o Orson Welles, que na ocasião estava hospedado no Excelsior. Todos tomando café e ele tomando guaraná de canudinho. Lembra ainda o escritor de ter visto a Rachel de Queiroz, engraxando os sapatos e fumando, numa época em que esses redutos eram exclusivos dos homens.

Bondes


Estrada de Messejana, década de 40

A carne verde chegava pela tarde, vinda do matadouro sobre burros. Em abril de 1880, a modernização: os bondes de tração animal, da Companhia Ferro Carril do Ceará. A Fortaleza de então, cabia em 25 bondes que conduziam até 28 passageiros por viagem. O ponto era na Praça Carolina. Por cem réis rodava-se a capital: ia-se ao centro, à estação ou ao matadouro, olhando-se as paisagens das ruas da Alegria, da Amélia, da Estrada de Messejana. Caprichosa, a companhia reservava os bondes “joão-cotoco” – sem coberta – para as noites de lua cheia. Dois burros puxavam o veículo, das 6 às 21 horas.
Em junho de 1912, The Ceará Tramway Light and Power Company, apresenta o bonde elétrico, que vai até 1947. Viagens de tostão e dois tostões; o de segunda classe era prateado e o de primeira classe era verde.

Trem

A larga Avenida Tristão Gonçalves destoando das travessas e becos contemporâneos, justifica-se: era a Rua do Trilho, e lá correu nosso primeiro trem, em agosto de 1873. O feito da locomotiva Fortaleza juntou praticamente a população da capital – oito mil pessoas. Diante da multidão estupefata, o pequenino trem rodou, cinco vezes seguidamente, sob entusiásticos aplausos. A velocidade máxima da locomotiva não chegava a 32 km/hora.

Automóvel


Avenida João Pessoa em 1919

Seu desembarque – carro de 2ª mão, importado dos Estados Unidos – abalou a cidade. Era junho de 1909 quando Júlio Pinto e seu sócio Meton de Alencar compraram o automóvel. Novidade das novidades. Tanto que da alfândega ao cinema, foi puxado por um jumento, pois se ignorava o funcionamento da máquina. Ao redor do veículo e do jumento histórico, uma multidão de curiosos. O estudo do motor demorou dias até ser desvendado, a horas caladas da noite. O carro, um Rambler,  foi chamado de mal-assombrado pelo povo, devido aos seus holofotes que varavam a escuridão da noite e por causa da barulheira bizarra do seu motor. O calçamento revestiu-se de trilho de pedra, de concreto, e finalmente, de asfalto. O tráfego passou a ser controlado. Na metade inicial do século XX, a velocidade variava de 15 km/h (área central) a 40 km/h na Avenida João Pessoa.

Lampiões

Era um suplicio adivinhar a cidade a noite, através das lâmpadas de azeite em suas quinas, era preciso trazer a frente, clareando a rua com uma lamparina à mão, um ou mais escravos. A iluminação pública se iniciou em março de 1848, trocando-se a luz de velas pelo azeite de peixe. E firmando-se um contrato com a lua: os 44 lampiões eram acesos das 6 horas da tarde ou até que viesse a lua. Desde a ave-maria, Chico Lampião aparecia com a escada nos ombros, fósforos à boca, ziguezagueando pela cidade, acendendo os lampiões. Foi assim até setembro de 1866 (67, segundo alguns autores), quando chegou a iluminação a gás carbônico. O contrato com a lua foi renovado até 1934/35, data da luz elétrica, favorecendo serestas e namoros.

Estoril


Praia de Iracema, década de 1930

Nasceu Vila Morena em 1915. De residência virou cassino, coisa dos americanos, na II Guerra, que improvisaram a diversão com jogos, Coca-Cola e moças alheias. Durante a guerra havia os zepelins que patrulhavam a costa cearense um busca de submarinos alemães. Se encontrassem algum, a ordem eram bombardear.

Cafés e Tabuleiros

Banco Frota Gentil, na Rua Floriano Peixoto esquina com Senador Alencar

Pão d’água enrolado em papel de embrulho, beijus de Aquiraz envoltos em folhas de coaçu, tapiocas vendidas na calçada. Costumes do fim de tarde. Na esquina do Banco Frota Gentil tinha um "pirão frio" de estimação. Era uma mulher que fazia doces e tinha um tabuleiro. Um dia, um camarada pediu:  dona fulana, me empresta 5 cruzeiros. A mulher respondeu: "não posso porque eu e o Coronel Zé Gentil temos um contrato: nem ele vende bolo, nem eu empresto dinheiro".

Passeio Público

Um sítio, em 1824. Ali ergueram uma forca, que ficou de pé até 1831 e se fuzilaram os presos da Confederação do Equador. Largo do Paiol, Campo da Pólvora, Praça dos Mártires, ainda era ponto dos tabuleiros de doces e roletes de cana. Antes do aformoseamento, havia um assento de alvenaria que corria de um extremo ao outro. Era nesse banco que velhos e moços iam pela tarde comentar as poucas novidades de uma cidade absolutamente pacata. O Passeio toma forma a partir de 1879: coreto, esculturas clássicas, jardins, patinação, quermesses, as cadeirinhas de ferro do Barão de Camocim, (a 100 réis o assento) e os planos ou avenidas.

Cidade do Interior

O hábito de tomar uma fresca, cadeiras na calçada, remonta ao tempo em que as casas eram conjugadas, como no interior, umas escorando as outras. Pequenas e quentes, levavam à calçada, onde costumava passear o vento que vinha do mar. O comércio era de tipo misto: também era moradia. A sala se adaptava em venda, bodega, armazém. Então, calçadas e ruas ampliavam a casa; as visitas eram recebidas, primeiro na praça. Quando as residências passaram para a periferia, o Passeio Público deixou de servir às famílias. 

fotos do Arquivo Nirez
extraído da Revista Fortaleza, fascículo 9, de 4 de junho de 2006

   

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A Ocupação do Solo no Montese

A grande maioria dos terrenos que hoje formam a região hoje conhecida como Grande Montese  pertencia aos franceses, cuja influência na sociedade fortalezense era notória. Como prova disso, algumas ruas do bairro receberam nomes de personalidades francesas. A firma Boris e Frères liderou a venda de terrenos na antiga Pirocaia, no loteamento Parque Coqueirinho. 

Rua Aquiles Boris (imagem google)

No entanto, a ocupação do solo no Montese apresenta determinadas irregularidades: os chamados “Arigós” ou “paroaras” como eram conhecidas as pessoas que viajavam para a Amazônia atraídas pelas promessas de enriquecimento fácil, na extração da borracha e não mais voltaram. Muitos não tiveram condições financeiras para retornar e outros morreram, principalmente de malária, enfermidade comum naquela região. Entre esses se incluem também os “soldados da borracha”.

embarque dos soldados da borracha em Fortaleza (foto gazeta do povo)

O jornalista e escritor Hélio Pinto Vieira conta que passou por esta experiência. Levado pelo patriotismo, no ardor da juventude,  embarcou para a Amazônia, e lá foi abandonado, na selva, como muitos outros companheiros que jamais voltaram. Ele teve sorte, conseguiu retornar para contar a trágica história, sofrida por causa de um acordo celebrado entre o Brasil e os Estados Unidos. 
Era o chamado Acordo de Washington, celebrado entre os dois países durante a 2ª. guerra, que levou mais de 30 mil cearenses, que formaram o Exército da Borracha, cuja missão era extrair o látex para a fabricação de pneus, isolantes, calçados e outros produtos derivados da borracha. O recrutamento era feito através do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores (SEMTA), que funcionava no local onde hoje está a antiga Escola Industrial, atual IFCE, próximo ao quartel do 23° BC.  

Antiga Escola Industrial de Fortaleza, na Av.  13 de Maio onde era feito o recrutamento dos soldados da borracha. Hoje no local está o IFCe. (Foto Nirez) 

Para atrair interessados, a Amazônia era apresentada como um verdadeiro paraíso, com o slogan “A Extração da Borracha da Vitória”.
Voltando aos terrenos do Grande Montese,  pelo que se sabe muitas dessas pessoas que seguiram para a Amazônia, haviam adquirido terrenos no loteamento do Coqueirinho, e esses imóveis ficaram abandonados, sendo ocupados por terceiros, que ainda continuam com a posse sem a documentação pertinente ou irregular, à exceção de quem requereu e ganhou na justiça o direito de usucapião.

Igreja de Nossa Senhora Aparecida (imagem google)

A escritura do terreno da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, onde foi edificada a matriz, foi feita dentro do mesmo sistema. Conclui-se que a maioria das terras dessa região era de terras devolutas, isto é, não cultivadas, e foram adquiridas pelos antigos donos através de contratos de enfiteuse (um instituto jurídico de transferência de bens, atribuindo a outrem o domínio útil de um imóvel, reminiscência das chamadas comunidades “mão morta”, do tempo do Feudalismo), como consta nas escrituras o que gera a cobrança do laudêmio pela empresa responsável pelo loteamento.
Além dos franceses havia outros proprietários que venderam terrenos no Montese, como José Chaves, José Monteiro, Manoel Fonseca, Dr. Manoel Sátiro dentre outros. 
Nessa década de 40, a região era uma extensa área verde muito pouco habitada. Os terrenos eram de propriedade de algumas famílias e se constituíam de grandes sítios onde predominavam cajueiros, mangueiras e plantas medicinais como mangirioba-do pará e melão caetano. Alguns sítios tinham nomes que são conhecidos até hoje: Bom Futuro, Mata do Dummar, Mata do Parreão, Pirocaia, Jardim América...


fonte:
De Pirocaia a Montese fragmentos históricos, 
de Raimundo Nonato Ximenes         

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Começo e o Auge dos Clubes

Domingo era o dia da missa e do programa em família: circo, teatro, cinema, passeio em casa de parentes nos arrabaldes da cidade. Para os espetáculos, muitas vezes era necessário levar o assento.  E não era raro os jornais publicarem anúncios de cadeiras perdidas, como esse de 1872: “quem hontem, por engano, levou do Circo Olympio, cinco cadeiras americanas, com o nome do abaixo assignado escripto em um pedaço de papel pregado no espaldar das mesmas, queira por bondade manda-lo avisar, para mandar ver”.

O Clube Cearense foi, concretamente, a primeira grande agremiação mundana da cidade, inclusive com sede própria e sócios. (foto do livro Ah, Fortaleza!)

Ainda no século XIX, surgia outra opção de divertimento: o Clube Cearense – em frente ao sítio que se tornaria o Passeio Público – palco de animadas matinês;  o Clube Iracema, de 1884, formado pelos jovens barrados no Clube Cearense, e a Fênix Caixeiral, em 1905, na Praça José de Alencar, que além dos bailes oferecia um pátio para ginástica.
O Clube Cearense foi de fato a primeira grande agremiação mundana da cidade, inclusive com sede própria e sócios, mas um pouco antes, em 1851, já houvera um primeiro esboço nesse sentido: uma organização chamada “ Recreação  Familiar Cearense”, fundada pelo engenheiro Caetano de Gouveia.

O Passeio Público era o local preferido para os passeios dominicais das famílias cearenses. Foto de 1908, do Arquivo Nirez 

Acompanhando os clubes elegantes, espaços privados de lazer burguês, vieram as recreações esportivas, recomendadas pelo saber médico: o skating-rink (1877), patinação no Passeio Público; o byciclette sportif (1900) ciclismo nas praças, e o turf (1895) corrida de cavalos no Campo do Prado no Benfica.
Mas foi na década de 50 que a cidade viveu os tempos áureos dos clubes sociais, redutos das classes mais abastadas, dos novos ricos e dos deslumbrados da época. Tudo de repente, como um surto. Os velhos e tradicionais clubes se instalaram em novas e confortáveis sedes, e uma infinidade de novas agremiações foram criadas, com festas suntuosas, animados bailes de carnaval, piscinas de águas esverdeadas, quadras de esportes, bares e restaurantes. Uma moderna e diferente forma de viver, com mais alegria, mais descontração, mais charme. 



O Náutico Atlético Cearense e o Ideal Clube em fotos dos anos 50 (fotos da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros)

Com o advento dos clubes elegantes, as famílias de Fortaleza mudaram seus hábitos e passaram a encontrar nas agremiações a continuação do seu próprio lar, com a vantagem dos banhos de piscina, das práticas esportivas, do conforto dos bares e restaurantes.
Dentro de pouco tempo o Brasil inteiro comentava o gritante contraste entre a conhecida pobreza do Estado e a suntuosidade dos seus clubes, onde a elite risonha e franca nem via o tempo passar.


Fontes:
Os Dourados Anos, de Marciano Lopes                                        
Revista Fortaleza, Fascículo 9,  de 04 de junho de 2006