terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Começo da Expansão da Vila de Fortaleza


Planta do Porto e Vila de Fortaleza, de autoria de Silva Paulet

Mesmo depois da separação de Pernambuco em 1799 e do desenvolvimento do comércio de exportação do algodão, Fortaleza não reunia condições econômicas e administrativas para iniciar um processo de desenvolvimento capaz de romper a hegemonia até então, de Aracati. De início da permissão para comercializar diretamente com Portugal não livrou a capitania da intermediação de Recife. Muitos comerciantes locais continuaram a negociar por meio de Pernambuco, mesmo porque o Ceará não possuía ancoradouros adequados para  receber novos navios a vapor, de calado maior.

edifício da Alfândega (arquivo Nirez)

Fortaleza teve um crescimento lento. Os relatos que se tem sobre o povoado, fossem de autoridades ou de viajantes estrangeiros, apontavam nas décadas  iniciais do século XX, uma vila pequena, sem despertar atenção. Em um documento elaborado pelo primeiro governador cearense pós-separação de Pernambuco, Bernardo Manuel de Vasconcelos (1799-1802), a vila é descrita como um montão de areia profunda apresentando dos lados pequenas casas térreas, onde existe falta absoluta de todas as coisas de primeira necessidade, estando a riqueza depositadas nas mãos de dois ou três dos seus moradores...
Havia nesse momento um esforço por parte das autoridades coloniais de centralização do poder – o que perduraria por todo o século XIX – de tornar a presença da Coroa mais forte por todo o Brasil e no Ceará, buscando diminuir a autonomia gozada pelos senhores proprietários, que não raras vezes, tomavam decisões que contrariavam os interesses metropolitanos.
Aqueles eram tempos difíceis e conturbados na Europa (Revolução Francesa de 1789, período Napoleônico) e na América (Independência das 13 colônias/Estados Unidos do Haiti). Portugal necessitava estar mais presente no Brasil, sua principal colônia, o que por outro lado, poderia trazer mais rendimentos econômicos para a decadente Coroa Lusitana.
Nessa conjuntura, a capital cearense passou a ser mais valorizada, fosse com benefícios de ordem material e administrativa, ou como centro de poder, de onde saíam decisões e vontades da Coroa para todo o território da capitania.

Trapiche da Prainha (arquivo Nirez)

O fato fica evidente quando se percebe algumas medidas tomadas pelas autoridades cearenses no começo do século XIX. Desse período datam: a instalação de Mesas de Inspeção do Algodão (para garantir maiores vendas por meio do controle de qualidade do produto, uma das exigências dos importadores ingleses), não apenas nos portos de Aracati e de Acaraú (este vinculado a Sobral), até então os dois mais movimentados do Ceará, mas igualmente no precário e pouco dinâmico porto de Fortaleza;  erguimento de um molhe e de um trapiche para embarque e desembarque no litoral de Fortaleza – na Prainha, em frente à vila – cuja precariedade era criticada; a construção de estradas ligando a capital ao interior, para melhor escoar a produção sertaneja e igualmente impor mais autoridade governamental sobre os latifundiários, o que ampliava igualmente o raio de influência de Fortaleza; a decretação, em 1803, de lei determinando a redução de 50% nas tarifas alfandegárias dos produtos exportados por Fortaleza;  instalação da Alfândega, da Junta da fazenda (encarregada da arrecadação de impostos) e dos Correios.

Porto da Prainha (arquivo Nirez)

Outro elemento de ordem material e simbólica, que visava demonstrar o poder da autoridade metropolitana do Ceará  e em Fortaleza, foi a reconstrução em alvenaria, na gestão do governador Inácio de Sampaio (1812-1820) do Forte de N.S. da Assunção, o qual se encontrava em avançado estado de deterioração.
O forte foi reconstruído com base em projeto do arquiteto português Antônio José da Silva Paulet e que contou com inúmeras doações de latifundiários. Em torno do Forte, efetivamente ocorrera a colonização portuguesa na terra e agora, era da Vila do Forte que cada vez mais sairiam as ordens as quais todos deveriam se submeter.

Rua Major Facundo, início do século XX (arquivo Nirez)

Num sinal de crescimento lento de Fortaleza, mas também uma evidência do poder da autoridade colonial foi elaborado o primeiro plano urbanístico da capital cearense em 1818, pelo mesmo Silva Paulet. Adotou-se para o povoado o traçado em xadrez ou retângulo, com as ruas se cortando em ângulo de 90°, o modelo mais aconselhado e dominante então, e que seria mantido em planos futuros.
Desejava-se com a Planta de Paulet, disciplinar o crescimento da vila. Contudo, organizar e aformosear Fortaleza não podem ser dissociados de uma forma de mostrar a força dos governantes, afinal era da capital que emanavam as decisões que deveria controlar a vida da população.

Extraído do livro de Artur Bruno e Aírton de Farias
Fortaleza, uma breve história
   

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Da Salina Diogo ao Parque do Cocó


Salina Diogo (foto Arquivo Nirez)

Nos anos 1960 aquela região onde hoje se encontra o Parque do Cocó, era uma área de muitos sítios, entre eles o Sítio Diogo, que ia desde os trilhos até a foz do Rio Cocó. A ocupação era rarefeita, baixíssima densidade demográfica.   No sitio, funcionava a Salina Diogo. Não existia nada além da exploração do sal.  

Salina Diogo (foto de Elian Machado)

A produção era artesanal, as condições de trabalho bastante desfavoráveis. Os salineiros exerciam seu ofício debaixo do sol forte, expostos ao vento e a água salgada, sofriam queimaduras, insolação, cegueira,  envelhecimento precoce ou morte prematura.  
A partir dos anos 70 é que começa o ocupação da área, Fortaleza ultrapassa o trilho, com a construção do Hospital Geral. A abertura da avenida Santos Dumont liga o Centro da cidade à praia. Mas é com a construção da UNIFOR - Universidade de Fortaleza, no início da década de 70 e o Shopping Iguatemi, quase 10 anos depois,  que a ocupação cresce aceleradamente, tornando-se polo de serviços, comércio e lazer.

 Primeiros registros de urbanização da zona leste - 1981  (foto de Gentil Barreira do Livro Viva Fortaleza)

Enquanto a cidade chega à região, a Salina Diogo passa por momentos difíceisA Região Oeste litorânea do vizinho Estado do Rio Grande do Norte, que hoje  concentra  95% da produção e distribuição de sal no país, passa por um processo de industrialização da produção do sal, substituindo o salineiro por máquinas. 
As salinas urbanas de outras regiões, não somente do Ceará, cederam lugar às condições históricas e ao crescimento da produção industrial do sal no Rio Grande do Norte. Nelas o homem foi substituído pelo trator, esteira, colheitadeira, navio. 
A produção da Salina Diogo entra em declínio e encerra as atividades em definitivo no ano de 1980. Toda a produção artesanal de sal do Ceará, inclusive do interior, foi abandonada em virtude desse processo de industrialização do sal que se iniciava e expandia no Rio Grande do Norte, com maior produtividade a preços menores

 A área já com o Iguatemi, construído em 1982. Nota-se que a vegetação está em pleno processo de regeneração. A foto deve ser da segunda metade dos anos 80 (arquivo Nirez)

Com o fim da salina, o mangue começa a se regenerar, alimentado pelos esgotos que eram lançados diretamente no rio Cocó. Não existiam estações de tratamento na região, o que favoreceu a fertilização do mangue e a recuperação daquele ecossistema costeiro, que recebe, também, muita influência da maré. 
O shopping foi construído em 1982, após parte dos terrenos que compunham o Sítio Diogo, terem sido vendidos pela familia Diogo ao Grupo Jereissati. Apesar da regeneração da área, da presença do rio Cocó e seus ecossistemas associados, o Parque do Cocó só foi criado em 5 de setembro de 1989. 

 área assinalada dentro do Parque do Cocó: ruínas da Salina Diogo (foto do acervo do blog) 
  
Atualmente na área que abrigava a antiga salina, encontra-se o Parque do Cocó, cujos limites nunca foram demarcados, o que enseja a ocupação da área por empreendimentos privados e condomínios de luxo. Apesar dos decretos de desapropriação dos terrenos terem sido emitidos ainda em 1989, a área continua sendo objeto de disputa e de controvérsias: em 2007, a prefeitura autorizou a construção do Iguatemi Empresarial, uma torre de 15 andares ao lado do Shopping, localizada próximo às margens do rio Cocó.   

... e a luta continua ...

Fontes:
Jornal Diário do Nordeste
SEMACE
Wikipédia
O Nordeste 
 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Desenvolvimento de Fortaleza na Visão dos seus Cronistas

Antônio Rodrigues Ferreira Filho - O Boticário Ferreira - (1801-1859) presidente da Câmara Municipal; realizou diversas obras públicas e melhoramentos urbanos na capital (retrato do acervo do Museu do Ceará)

Lei Municipal de 6 de dezembro de 1842 autorizava a reforma do plano da cidade de Fortaleza, eliminando-se dele a Rua do Cotovelo, a fim de fazer-se uma praça com o nome de D. Pedro II. E quem iria executá-la seria o chamado Boticário Ferreira – Antônio Rodrigues Ferreira Filho – já eleito presidente da Câmara, em 3 de março do ano seguinte. Nessa qualidade era o executor das decisões do Colegiado e nela permaneceu até falecer, em 29 de abril de 1859, aos 58 anos de idade. 
A história de Fortaleza passa, todo esse tempo pela ação do Boticário, resguardando, tenazmente, a sua boa expansão urbana. Com a eliminação da viela do Cotovelo, estaria preparada a praça, que de fato, recebeu o nome do Imperador. Ai  instalou ele a sua célebre Botica, na Rua da Palma, mais tarde, Major Facundo. Chamaram-lhe também, Praça Municipal, até que foi batizada de Praça do Ferreira, ainda hoje, o coração da urbe.

 Rua Major Facundo já se chamou Rua Nova del Rei por volta de 1828 e em 1856 teve dois nomes: do início até a Praça do Ferreira era a Rua da Palma e da praça até o final, Rua do Fogo. Em 1888 recebeu o nome de Rua do Major Facundo. 

Fortaleza em 1845 tinha uma população não maior de 5.000 habitantes, pequena e atrasada. Nas palavras de uma crônica escrita por um certo autor de codinome Outro Aramac, que se supõe fosse João Brígido – pois o trabalho saiu publicado em edições sucessivas do Jornal Unitário – a cidade “era um areal movendo-se à mercê da ventania, a mudar constantemente de nível nas zonas descobertas, salvo os da depressão do solo”. A rigor, só depois de meados do século XIX, a capital do Ceará experimenta mais alentos na sua vida social, econômica e cultural. Aos poucos, recebe os componentes  de uma infraestrutura mais adequada, capazes de emparelha-la às capitais mais adiantadas do País.

Rua Floriano Peixoto, que já se chamou Rua da Boa Vista, Del Rei, da Alegria. O nome atual é uma homenagem ao 2° presidente republicano, que nunca sequer esteve no Ceará.

Chegam os calçamentos, a iluminação à gás carbônico, o serviço de abastecimento d’água, o transporte coletivo, o telégrafo, o telefone, a via-férrea ligando-a ao sertão, trazendo passageiros e cargas, o que favorece o seu comércio, já impulsionado com o melhor movimento das exportações marítimas, com os navios a vapor, que chegavam regularmente. Primeiro os da Companhia Maranhense, depois os Booth Steam Co. Ltd. E os da Red Cross Line of Mail Steamers, estas duas últimas fazendo o intercâmbio com as praças da Europa.

prédio do Batalhão de Segurança, depois Escola Aprendizes Artífices, na esquina de General Sampaio com Liberato Barroso na Praça Marques de Herval (atual José de Alencar). Hoje no local está o jardim do teatro José de Alencar. Foto de 1867 

Relata o Senador Pompeu, em seu Ensaio Estatístico de 1863, que são oito extensas ruas, muito direitas, espaçosas e calçadas; 960 são as casas de tijolos alinhadas, entre elas estão uns 80 sobrados para uma população de cerca de 16.000 habitantes. Esta no recenseamento de 1872, subirá para 21.372, ocupando 4.380 casas térreas afora 1178 casebres. 
Em 1895, Antônio Bezerra escreveu para a Revista do Instituto do Ceará que, à exceção de pequeno defeito de alinhamento no trecho onde de acha a Rua Sena Madureira, defeito de edificação dos tempos coloniais, a área média da cidade até onde tem chegado a construção alinhada pela Câmara Municipal contém 5 km quadrados e 985.000 metros em 54 ruas, que se dirigem proximamente de norte a sul, e 27 de nascente a poente, todas paralelas, bem alinhadas com 13.33m de largura cada uma, formando quadros, cuja regularidade lhes imprime certo ar de elegância e harmonia. 
 Rua 25 de março, data da libertação total dos escravos no Ceará
  
Além destas, tem ainda 3 boulevards, com a largura de 22,22m, verdadeiros ventiladores da cidade, que a circundam pelo lado leste, sul e oeste e concorrem de modo poderoso para sua reconhecida salubridade. Tem 14 praças, algumas devidamente arborizadas. As casas em grande parte de agradável construção, tem as frentes elevadas sobre as quais coroam elegantes cimalhas, sendo todas bizarramente pintadas de cores alegres que atraem a simpatia dos visitantes, e modificam a intensidade da luz do sol.

Avenida Dom Manuel antigo Boulevard da Conceição, Avenida Nogueira Accioly, Boulevard Dom Manuel e Avenida Dom Luiz. A partir de 1934 passou a se chamar Avenida Dom Manuel em homenagem ao baiano Manuel da Silva Gomes, terceiro bispo do Ceará e primeiro arcebispo metropolitano de Fortaleza.

O cronista não aponta o número de habitantes da urbe, mas esclarece que segundo o último lançamento para a cobrança da décima urbana (imposto predial), conta a cidade com 6.154 prédios de tijolos e entre estes, poucos sobrados, pois que os habitantes preferem as casas assobradadas ou mais vulgarmente as casas de portas altas e rasgadas até o chão, com parapeitos de grade de ferro em vez de janelas pesadas, sem graça, que embaraçavam as correntes do ar e da luz nas habitações. O livro de Antônio Bezerra “Descrição da Cidade de Fortaleza” vale como um desenho fiel da cidade no fim do século XIX, cinco anos antes de abrir-se o século XX.


Extraído do livro de Raimundo Girão 
Fortaleza e a Crônica Histórica
fotos do Arquivo Nirez

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Alberto Nepomuceno Criador do Nacionalismo Musical


Na antiga Rua da Amélia, atual Senador Pompeu, lado da sombra, no início do quarteirão entre as ruas Liberato Barroso (antiga das trincheiras) e Pedro Pereira (antiga Rua São Bernardo), existiu até meados da década de 1970, uma casa de porta e janela em varanda, em cuja parede frontal estava uma placa de bronze que dizia que ali havia nascido o compositor e maestro Alberto Nepomuceno. 

 Rua Senador Pompeu, antiga Rua da Amélia na década de 1950 (arquivo Nirez)

Naquela casa relativamente modesta da antiga Rua da Amélia, na cidade de Fortaleza, Alberto Nepomuceno veio ao mundo no dia 6 de julho de 1864, filho do maestro Victor Augusto Nepomuceno e de Dona Maria Virgínia Nepomuceno, também musicista, por influência do marido. Vivendo a infância e a primeira juventude em Recife, para onde a família se mudou logo após o seu nascimento, Alberto Nepomuceno já ali desfrutava de razoável prestigio, tanto que aos 18 anos, tendo morrido seu pai, viu-se guindado à condição de diretor de concertos do Clube Carlos Gomes.


A Avenida Alberto Nepomuceno já foi chamada de “Caminho da Praia”. 
Como existia uma ponte de madeira sobre o Rio Pajeú, a rua passou a se chamar Rua da Ponte, isto em 1856. Depois se chamou Rua Alberto Nepomuceno,  em 1889. No ano seguinte, quando as ruas receberam números ela passou a ser a número 7, voltando depois ao antigo nome.Na gestão do prefeito Ildefonso Albano, entre 1912 e 1914, a avenida foi alargada e pavimentada com calçamento, passando a ser denominada Avenida Alberto Nepomuceno. (arquivo Nirez)

Depois de algum tempo de trabalho na capital de Pernambuco, nem sempre materialmente  compensado, o jovem músico retorna ao Ceará. Encontra Fortaleza vivendo o período inicial de sua vida artístico-social, com a mocidade intelectual estimulada pela cultura e comunicabilidade de Antônio Caio Prado, irmão do escritor Eduardo Prado, que viera de São Paulo para governar a província do Ceará. 
Em Fortaleza entregou-se ao magistério musical, alimentando o desejo de enveredar  por horizontes mais largos. Assim deixou o convívio da mãe e de uma irmã, sem recomendações válidas e com recursos escassos, e partiu para o Rio de Janeiro.  No Rio de Janeiro foi aceito no Clube Beethoven, como virtuoso, participando de concertos o lado de violinistas famosos, como Artur Napoleão.  Com a ajuda financeira de alguns amigos bem situados na vida e donos de prestigio, o compositor viajou para a Europa com o objetivo de estudar e se renovar musicalmente. Antes de embarcar,contudo, Nepomuceno resolve empreender uma série de concertos nas capitais do Norte, a pretexto de acumular recursos, e assim, em 1887, dá vários recitais para a sociedade fortalezense, que então frequentava assiduamente os salões do tradicional Clube Iracema, então agregado a seu quadro social a uma outra entidade – o Clube dos Diários. 

 Um dos salões do Clube Iracema, que funcionava nos altos doPalacete Ceará (foto do livro Ah, Fortaleza!)

Embarcou para a Europa em 1888. Primeiro estágio, Roma, o centro por excelência. Ali recebeu aulas de maestros famosos. Enquanto o maestro estagiava em Roma, depois de  proclamada a República no Brasil, instituiu-se um concurso para o hino comemorativo ao evento. Nepomuceno concorre, mesmo à distância, e fica com sua composição em segundo lugar, o que lhe dá por prêmio uma pensão de 550 francos mensais durante quatro anos. Com o reforço no orçamento de bolsista pela pensão conseguida com o segundo lugar, Nepomuceno passa para Zurique, onde estuda a língua alemã e assiste grandes espetáculos musicais, tendo ali a honra de ver executadas musicas de sua autoria. De Zurique vai para Berlim e entra para a Escola dos Mestres; deixando a Alemanha vai para Paris, por conta do prolongamento por mais dois anos de sua bolsa de estudos. Ali se dedica ao estudo de órgão, instrumento cuja versatilidade muito o impressionava.


Instituto Nacional de Música do RJ (foto revista ponto com) 

Eram passados sete anos quando Alberto Nepomuceno retornou ao Brasil. Chegando ao Rio de Janeiro, em 1895, assume o lugar de professor de órgão do Instituto Nacional de Música. Mas o que predominava em Nepomuceno era o compositor. Assim, ao lado de suas atividades como professor e instrumentalista, tão logo chegou ao Rio de Janeiro, deu início à produção da sua mensagem renovadora. Sua preocupação era conseguir que o público brasileiro, representado vagamente pelo da metrópole, deixasse o exagerado gosto pela música estrangeira, e passasse a sentir, através da música erudita que ele criava. Nepomuceno bem conhecia os maus hábitos e os preconceitos europeus das chamadas elites artísticas, herança da corte portuguesa quando predominava no Rio de Janeiro. Assim, cônscio da batalha que teria pela frente, defende a tese de que os compositores eruditos brasileiros deveriam buscar para suas peças, motivos nacionais, ou seja, irem diretamente às raízes folclóricas brasileiras. 

 foto: http://www.panoramio.com/photo/21116268
entidade formada em 26 de maio de 1938 presidida pelos musicistas Paurillo Barroso e Alberto Klein. Recebeu esse nome em homenagem ao compositor e maestro cearense.

Pelo conjunto da obra Alberto Nepomuceno é considerado o primeiro grande músico brasileiro a explorar e utilizar conscientemente o nosso folclore, não apenas na música instrumental, mas também no tocante à música de canto.


extraído do livro de Otacílio Colares
crônicas da Fortaleza e do Siará Grande

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

História das Ruas de Fortaleza

Rua 24 de Maio



Inicialmente recebeu o nome de Rua D. Afonso, em homenagem a Dom Afonso Pedro (23 de fevereiro de 1845-11 de junho de 1847), filho do Imperador Dom Pedro II, isso em 1857. Mais tarde passou a ser a Rua do Patrocínio, devido a proximidade da Igreja e da Praça José de Alencar, que à época, também se chamava Praça do Patrocínio. A denominação atual é de outubro de 1897, e reverencia o dia 24 de maio de 1866, dia da batalha de Tuiutí, ocorrida durante a Guerra do Paraguai, onde muitos cearenses tiveram participação, e o General Sampaio foi ferido e acabou falecendo em consequência desses ferimentos. 

Avenida Tristão Gonçalves


Inicialmente Rua da Lagoinha, em razão de passar ao lado de uma pequena lagoa que foi aterrada e transformada em praça. Foi alargada para receber a linha do trem que tinha sua primeira parada no cruzamento com a Rua Liberato Barroso – Parada do Chico Manuel, onde havia uma calçada alta. Nessa ocasião recebeu o nome de Rua do Trilho de Ferro.

Avenida Duque de Caxias


Antigo Boulevard do Livramento devido a existência da capela do mesmo nome,  onde hoje está a Igreja do Carmo. Em 1860 passou a ser a Avenida Duque de Caxias.

Rua Clarindo de Queiroz


Antiga Rua do Livramento, nome que recebeu em 1888; em 1890 passou a chamar-se Travessa n° 2, quando as ruas foram numeradas. Um ano depois voltou a ser do Livramento, continuando assim até 1933 quando recebeu o nome  de Rua General Clarindo de Queiroz, mudado depois para General Clarindo e hoje é apenas Clarindo de Queiroz. Inicia-se na Avenida Visconde do Rio Branco e termina na Rua Epifânio leite, próximo a Avenida José Bastos. Com o sentido de trânsito Leste-Oeste, é uma das ruas de vazão de trânsito dos bairros da zona Leste como Aldeota, Dionísio Torres, Varjota, etc.  

Rua Meton de Alencar


Inicia na Avenida Visconde do Rio Branco e termina  na Avenida Bezerra de Menezes, altura do Mercado São Sebastião.  Já se chamou Rua Dr. Meton de Alencar em 1933. Antes era juntamente com a Rua Rocha Lima, a Rua São Sebastião por passar próxima à capela de São Sebastião. O local onde a rua termina já foi um bairro chamado Cambirimbas, ali no início da atual Avenida Bezerra de Menezes.
Rua Jaime Benévolo
 

Antiga Rua do Açude (1888) – referente ao Açude Pajeú, construído na primeira administração do Senador Alencar na área onde hoje se encontra o Parque Pajeú e a Câmara dos Diretores Lojistas – Rua  da Cruz Nova , devido a ermida então existente no local no século XIX e Rua Dr. João Tomé (1933).
A Rua Jaime Benévolo nasce na Praça do Coração de Jesus, denominada oficialmente de Praça José Júlio (nome que poucos conhecem) no seu início temos a sociedade São Vicente de Paulo, que já teve muita influência na vida da cidade. Até 1948 só ai até a Rua Joaquim Magalhães, terminando no grande sítio de Eugênio Porto. Na gestão do prefeito Acrísio Moreira da Rocha, foram abertas todas as ruas interrompidas por aquele sítio e a Jaime Benévolo passou a ser uma das principais, indo até a Avenida 13 de Maio. Depois foi aberta até atingir a Avenida Luciano Carneiro.  

Rua Pedro Borges


Antiga Rua do Cajueiro, onde havia nas imediações da Praça do Ferreira a residência do Fagundes, que instalou embaixo do cajueiro o primeiro açougue da cidade. Hoje está formada pelo Beco do Pocinho (entre as Ruas Sena Madureira e Coronel Ferraz) e a Rua do Cajueiro. A rua atual ultrapassa até a Rua Governador Sampaio, indo até a Coronel Ferraz, na Praça da Escola Normal onde se inicia a Avenida Santos Dumont.

Rua Costa Barros


Principal via de acesso entre a Aldeota e o centro da cidade, para quem vem da zona leste, correndo paralela à Santos Dumont com sentido contrário, concorre com esta em fluxo de trânsito. Inicia-se na Rua São José e termina na Rua Tibúrcio Cavalcante. Surgiu naturalmente, como a Avenida Santos Dumont, com o crescimento da cidade para a zona leste, sendo que a Avenida sempre foi privilegiada em relação á Rua. Em 1877 chamava-se Rua da Aurora; a partir de 1888 passou a ser a Rua do Sol. Em 1890 todas as ruas receberam números no lugar e nomes e as de sentido Norte/Sul foram chamadas de ruas enquanto as que as atravessavam passaram a ser denominadas Travessas, e esta recebeu o nome de Travessa 11-A. No ano seguinte voltou a chamar-se Rua do Sol até 1933, quando passou a ser Rua Uruguai. Em 1867, em seu final (à época começo) próximo à Rua São José, foram colocados alguns postes com combustores de gás para iluminação pública à gás carbônico, que foram substituídos por lâmpadas incandescentes em 1935, com o advento da iluminação pública à eletricidade, fornecida pela Light. A partir de 1921 passou a ser calçada até certo ponto, ficando o resto em areia. Na década de 60 recebeu revestimento asfáltico e nova iluminação à mercúrio.

Rua Dragão do Mar


Quando Fortaleza era praticamente apenas o Largo da Sé, a Rua do Quartel (General Bezerril) e algumas travessas sem nome existia um caminho para o mar, chamado de caminho da Praia, que ia pela atual Avenida Alberto Nepomuceno e dobrava na altura  da rua José Avelino e seguia tortuosamente passando próximo a alfândega, dobrando mais uma vez desta feita na direção do mar, indo até à Ponte Metálica.
Com  o tempo, os caminhos foram tomando forma de ruas e a hoje Rua José Avelino recebeu o nome de Rua do Chafariz, enquanto surgiu, a partir da Rua Boris, a Rua da Praia chamada mais tarde de Rua da Alfândega, Travessa 19, e por fim, Rua Dragão do Mar, em homenagem ao herói cearense e morador da rua.  Hoje ela vai até a Rua Joaquim Alves. Antigamente a rua era repleta de residências. Hoje existem armazéns de secos e molhados além de depósitos.  Ultimamente passou a receber bares, boates, ateliês de artes plásticas e outras casas de entretenimento. Passa pela frente da capitania dos Portos, dividindo-a da Praça Almirante Saldanha. A Rua Dragão do Mar sofre interrupção entre as ruas Cabedelo e dos Ararius.

Fontes:
A História do Ceará Passa por Esta Rua, de Rogaciano Leite Filho
Caminhando por Fortaleza, de Francisco Benedito
fotos do Arquivo Nirez

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Parque Parreão


Localização: Entre Av. Borges de Melo e Av. Eduardo Girão 
Bairro: Fátima 
Área: 31.582 m2
Criação: Decreto Nº 8890 de 25/08/1992 - Declaração de Utilidade Pública para desapropriação e denominação.
Jurisdição da Secretaria Executiva Regional IV (SER IV)   

Vista do Parque a partir da Avenida Eduardo Girão

Uma aprazível área verde, localizada no Bairro de Fátima, entre as Avenidas Borges de Melo e Eduardo Girão, ao lado do Terminal Rodoviário, com 3,5 hectares de extensão, o Parque Parreão tem tudo para ser um desses oásis urbanos, cada vez mais raros na nossa cidade de Fortaleza: sombra, vegetação exuberante, um regato, uma pista para caminhada. Tem tudo para ser, mas não é. 




A proposta de criação de um parque urbano naquela área desocupada ao lado da Rodoviária, incluía a oferta de equipamentos de diversão e lazer como um anfiteatro, um coreto, para apresentações musicais e artísticas e parque infantil. Tudo está sucateado. O coreto abriga moradores de rua e  serve para esconderijo de marginais. 

Abandonado pelo poder público que já há alguns anos não faz qualquer manutenção ou reparo na área, o Parreão é o retrato do descaso. Bancos e luminárias quebradas, pisos arrancados, lixo acumulado, e pior, já não há mais pontes de acesso  por dentro do parque. A última construção de passagem sobre o canal foi desativada há algum tempo porque estava com rachaduras e não oferecia segurança para os pedestres. 
Atualmente a travessia é feita por meio de passagens improvisadas com tábuas de madeiras, sem nenhuma segurança,  colocadas pelos poucos frequentadores.  São incontáveis os casos de quedas, acidentes, assaltos e usuários de drogas na região.

 a população contribui para piorar a situação do Parque Parreão, com lixo, entulhos, falta de educação e de cidadania. 


 O Riacho Parreão que corre em toda a extensão do parque está contaminado por esgotos e exala um odor insuportável
 

A travessia sobre o riacho era feita sobre pontes de madeira, que já não ofereciam muita segurança por não contar com corrimões. Sem as pontes, as pessoas que necessitam fazer a travessia recorrem a uma perigosa manobra sobre uma linha de madeira, instalada de um ponto a outro na parte baixa do canal.


Apesar do cartaz de advertência sobre maus tratos e abandono de animais, é comum o abandono de gatos e cachorros na área do Parreão. Os cães sempre encontram que os adotem, já os gatinhos estão por toda parte. Mais um exemplo do comportamento irresponsável de determinada parcela da população.  

Diante da grotesca situação do parque Parreão, resta à população continuar cobrando do poder público municipal, uma intervenção eficaz e urgente, de modo que o espaço se torne novamente utilizável, e dos frequentadores/moradores do entorno, uma melhor conscientização do uso do espaço público. Vale lembrar que despejar lixo, restos de móveis em áreas públicas ou ainda, abandonar animais  à própria sorte, são atos que servem como indicativo do grau de incivilidade e de primitivismo de quem os comete.      

fotos de Rodrigo Paiva
de dezembro de 2012